Post Hit

Os POST HIT são uma banda formada em Novembro de 2002 por Paulo Scavullo, Rui Pires e Sebastião Teixeira. Explorando sonoridades que vão da electrónica à pop, com uma atitude de certo modo "retro", no projecto desta banda são vários os universos que se cruzam: dos discos de vinil à moda, do glamour à arte, da futilidade...

Os POST HIT são uma banda formada em Novembro de 2002 por Paulo Scavullo, Rui Pires e Sebastião Teixeira. Explorando sonoridades que vão da electrónica à pop, com uma atitude de certo modo “retro”, no projecto desta banda são vários os universos que se cruzam: dos discos de vinil à moda, do glamour à arte, da futilidade urbana ao trash movie.

Janela Urbana: Fala-nos um pouco do conceito musical dos Post Hit…
Paulo Scavullo: Os Post Hit são uma banda que tem por matrizes de orientação a pop. Dentro desse universo, as electrónicas são a base do trabalho que desenvolvemos, sempre com preocupações de criar melodias fortes e construir sempre a partir do formato-canção. No projecto dos Post Hit pretende-se igualmente que várias áreas da criação possam co-habitar, aspirando por isso a ser um projecto, de certo modo multidisciplinar.

Consideras que os Post Hit vieram surgir como um novo conceito de música em Portugal, ou um conceito renovado?
Não faço ideia o que viemos introduzir em termos conceptuais, provavelmente nada de muito novo, uma vez que a música está sempre em constante contacto com tudo o que se fez para trás. No nosso caso tenho a ideia de que viemos de facto “reciclar” alguns “tiques” de época, com um certo olhar irónico mas sobretudo viemos com a perspectiva de poder ajudar a crescer a pop em Portugal, Julgo que hoje em dia fazer pop é bem aceite o que não acontecia na década de 90 por exemplo. Se viemos ajudar a criar esse espaço, já acho que fizemos alguma coisa. Devo acrescentar que talvez sejamos das bandas em Portugal que mais preocupações tem com a imagem nomeadamente nos concertos ao vivo. Sempre me fascinou muito a relação música-moda e olhando para alguns ícones não posso deixar de referir como influencias Brian Ferry ou David Bowie. Considero também interessante a forma de como a moda cada vez mais acompanha a música. Um nome recente como o é o caso de Tiga faz esse tipo de leitura muito bem feito, indo reciclar alguns clichés quer sonoros quer visuais, acho que os Post Hit estão nesse universo.

O vosso álbum de lançamento, “Post Hit” é um album somente em inglês. Porquê?

O nosso primeiro álbum é um álbum todo cantado em inglês, por uma razão simples: o tipo de referências que temos e a nossa sonoridade vem toda da música anglo-saxónica, Além de que é muito mais fácil de cantar em inglês, mais facilmente entendido fora de Portugal e mais fácil de escrever. Tenho um enorme respeito pela minha língua, escrever em Português (o que não está fora de hipótese no futuro) requer outra responsabilidade, provavelmente requer outros sons e outra forma de compor assim como outra forma de olhar.

Uma banda de pop electrónico com uma vertente um pouco rebelde, romântica, mecânica. São conceitos diferentes que resultaram em muito boas composições… qual a inspiração para estas composições?

Sobre a inspiração nada posso adiantar, todo o processo foi desenvolvido por questões afectivas. No meu caso escrevia a partir de ideias, de títulos, de obsessões e sobretudo vivia uma época em que me aconteceram paixões de vária ordem. As músicas foram surgindo de forma muito rápida, com grande sintonia entre mim e o Rui (teclista) e numa segunda fase com o Sebastião (guitarrista). Sentimos que estavamos num caminho que iria conduzir ao que resultou neste album. Foi mais o ambiente de trabalho, a sintonia e a paixão que cada um vivia à sua maneira que se traduziu no que é o nosso primeiro album.

Tem já alguma ideia de como querem que seja o vosso segundo álbum? …
O nosso segundo álbum, que está em fase de composição, é um álbum que passa do estado de paixão, para o estado de tensão. Sentimos que pelos resultados e pela expectativa que foi ultrapassada em relação ao primeiro disco, o segundo se torna naturalmente mais exigente. Acho que esse segundo álbum (que já tem título, mas não revelo ainda) e que possivelmente sairá entre Janeiro e Março de 2007 será um disco que vai manter a componente electrónica muito acentuada, terá provavelmente dois pólos opostos: temas fortemente dançáveis e muito “up” e um outro lado mais denso/tenso. Será um album com alguns cuidados a nível vocal e nos arranjos. Será um album também mais aberto a colaborações externas, algumas improváveis.

…e terá alguma faixa em português?
Não terá nenhuma faixa em português, mas curiosamente terá um tema cantado em dueto em francês.

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Há quem considere o pop electrónico o estilo musical da “moda”. Vocês aderiram a essa moda?
Não considero um estilo da moda, nem tão pouco aderimos, fazemo-lo porque é o que sabemos fazer e o que nos dá gozo fazer. Lembro só que algumas das bandas que para nós são referência já cá andam faz mais de 20 anos e não estão na moda… The Human League, Soft Cell, Depeche Mode, etc…

Poderemos encontrar os Post Hit a actuar em algum festival de Verão? Afinal, vocês são uma banda em ascensão com bastante qualidade e, podemos dizer, já bastante reconhecida…
Desde que editamos o nosso álbum, tocamos um pouco por todo o pais de norte a sul. Passamos pelos locais mais emblemáticos e de quase todos guardamos execelentes memórias. O próximo concerto será dia 14 de Junho no Festival Emerge, que acontece este ano pela primeira vez e que durante 3 dias ocupará o Parque Mayer, mais precisamente o Teatro Variedades. Será um festival só com bandas nacionais. Durante o Verão estaremos em várias cidades, Portimão, Coimbra, Porto, Faro, Sines, Vila Nova de Gaia, etc. No nosso site estão sempre anunciados os concertos.

Ouvimos dizer que o próximo single será o tema “Wake Up (let yourserlf go)”, um tema bastante romântico e mais profundo que os dois anteriores…
O single “Wake Up” / “Post Hit”, será um “double single” e não tem ainda data de saída, pelo facto de ter vários remixes que ainda não estão prontos. Será o nosso 4º single com dois temas extraídos do álbum, “Wake Up”, uma faixa mais mid-tempo que sempre gostei muito e que ficou muito valorizado com a produção do Armando Teixeira (Balla) e “Post Hit”, o tema que encerra o álbum e que é um dos favoritos nos nossos concertos, por isso a ideia é juntar dois temas um pouco opostos e no single virem igualmente proposta dançáveis de cada um. Assim teremos do tema “Wake Up“, um remix de Knock Knock e, do “Post Hit”, o Fiasco remix do Pink Boy (Nuno Posa) que já tinha assinado o nosso remix do tema “Vanishing Boys” (1º single) em parceria com o Pan Sorbe.

Ser artista em Portugal é uma “profissão” arriscada e difícil. E vocês decerto também tiveram alguns contratempos…
Provavelmente ser artista é complicado em todo o lado, aqui como o mercado é muito pequeno talvez se tenha menos probabilidades de sobrevivência. Penso que é sempre uma questão de confiança, disciplina. A noção de star system em Portugal não existe mas ser-se profissional é um meio caminho para gerir um bom precurso.

Há algum conselho para os novatos que agora começaram a percorrer o mesmo caminho que vocês já percorreram?
A música engloba vários aspectos estéticos e o mais importante não é tocar por tocar, é importante criarem-se conceitos, dar forma às ideias e pensar no processo todo que engloba este trabalho criativo. É importante ter-se boas e alargadas referencias culturais.

E perspectivas para o futuro… que nos poderão revelar?
Segundo álbum para 2007 e com ele algumas ideias que ainda é cedo para revelar, provavelmente a primeira saída fora de Portugal. Não queremos durar mais de 20 anos… Não queremos ser retocados no Photoshop!!

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