Alexandre Farto

Actualmente a estudar Design Gráfico e Animação, Alexandre Farto começou a trabalhar como Artista Urbano em 1999, tendo desde então desenvolvido o seu trabalho com grandes influências do Graffiti/Street Art. Já realizou vários trabalhos para marcas de Street wear, Decoração de Lojas, Cenários, entre outros projectos...

Actualmente a estudar Design Gráfico e Animação, Alexandre Farto começou a trabalhar como Artista Urbano em 1999, tendo desde então desenvolvido o seu trabalho com grandes influências do Street Art e do Graffiti.

Já realizou vários trabalhos para marcas de street wear, Decoração de Lojas, Cenários, entre outros projectos… Como artista plástico, participou em várias exposições entre as quais a anual “Visual Street Performance”.

Alexandre tem predilecção pela Ilustração embora trabalhe em vários outros campos como o Design Gráfico, Animação 2D/3D.

As suas ilustrações são caracterizadas pelas raízes deste movimento, onde mistura o desenho vectorial e o desenho com materiais analógicos.

Como e quando começaste o teu processo artístico?
Alexandre Farto: Começou com o graffiti, que entrou na minha vida em 1999 quando tinha os meus 13 anos. Comecei a pintar com os meus amigos de infância. Depois, mudei de zona mas continuei com os meus trabalhos e a pintar sozinho e a pintar sozinho.

Já tinhas em mente um determinado estilo (neste caso, a street art)?
Não. Comecei com graffiti, como pouco tinha que fazer na altura, comecei a ir a controlar e pintar os comboios da minha zona. Com aquele estilo de graffiti que para mim é o mais puro que há e há de sempre ser a minha escola, todo o meu background. Mas para é preciso situar o Graffiti e o Street Art que para mim muitas vezes se funde. Primeiro o graffiti nasceu como uma parte integrante da Cultura Hip-Hop, da qual cada vez mais se tem distanciado…
Na minha perspectiva o Hip-Hop ou por exemplo o punk, surgiram inicialmente como movimentos de reacção à segregação e ás diferenças sociais vividas nos bairros de trabalhadores das grandes cidades industriais, onde o crime e o desemprego reinava. Estes movimentos vieram dar esperança e direito a uma identidade ao filhos destes trabalhadores que pouco contacto tinham com os pais e viviam grande parte do dia na rua, com os seus amigos, sem ocupação.
Hoje, o Graffiti é um jogo urbano onde cada um escolhe um nome que lhe garanta o anonimato, espalhando-o em quantidade ou alternativamente em qualidade pela cidade.
Para mim Graffiti e StreetArt é a maneira que encontramos para personalizar todo este nosso ninho artificial, visando através da cor, das formas, da naturalidade que sempre caracterizou o ser humano, devolver ás ruas da cidade a humanidade que as deveria rechear. Em resultado do modelo urbano, bairro dormitório/cidade central, á força importado e globalizado, todos os dias caminhamos para o trabalho, pela cidade cinzenta uniforme, como um burro caminha com umas palas nos olhos, atrás duma cenoura que nunca há-de trincar. Este caminho está repleto de falsos aliciantes, a publicidade, a anestesia que nos faz todos os dias ir trabalhar, prometendo “El Dourados”, Férias, Empréstimos para pagar empréstimos, Concursos de milhões, Clínicas de estética, etc…
O graffiti/street art, mesmo que inconscientemente, tenta que o cidadão empregado/escravo se aperceba no mínimo da realidade em que vive e se possível que se torne também um interveniente deste espaço que é de todos, o espaço visual urbano.
O graffiti/street art ao longo do tempo tem sido considerado uma arte menor, vandalismo ou mesmo uma brincadeira de putos. Mas analisando bem a questão, um anúncio numa parede branca gigantesca, terá o impacto que o sistema para ele previa, se esse anuncio tiver um belo hall of fame ao lado?
Em conclusão vejo assim o Graffiti/Street art como uma forma de reacção natural do ser humano contra esta urbanidade do betão e do negócio, uniforme e artificial, que nada tem a ver com a natureza de que o homem é originário.
Graffiti/StreetArt é o devolver à cidade da cor, das formas, da natureza, da criatividade e do espírito critico.

Achas que a Street Art é já uma corrente artística?
Acho que sim, é uma vertente nova, e há até quem lhe chame pós-graffiti pelas suas ligações duras ao Graffiti. Mas para mim Street Art e Graffiti hão-de sempre caminhar em paralelo. A Street Art no fundo, abriu os horizontes do graffiti em relação aos materiais e ao suporte de criação, para espalhares o teu nome, ou a tua mensagem, num espaço de trabalho que é comum – as ruas, a cidade. Acredito na StreetArt como uma nova forma de arte que reformará a arte em si. Pois a Arte à muito que não tem nada de novo para mostrar. A Street Art, na minha opinião, acaba com a ultima e única barreira que a arte manteve até hoje, a barreira das galerias, um espaço circunscrito.
Impõe-se um novo conceito de Arte, o de recuperar as ruas de novo para as pessoas, sejam elas quem forem, puxando-as a intervirem nos espaços, porque no final o espaço visual urbano é de todos nós.
Acredito na Street Art como algo que possa mudar a nossa urbanidade e impedir que a publicidade ponha as mãos nos nossos olhos e consequentemente nos nossos bolsos.

Street Art em galerias, qual a tua opinião?
Sim, desde que os artistas sejam respeitados como tal e respeitem os princípios da Street Art/graffiti. Quebrar barreiras, pintar a parede, mandá-la a baixo. resumidamente fazer o mesmo que se faz na rua. Liberdade. Mas a completa liberdade do artista e do espectador, para mim, está na rua.

O “boom” da Street Art ainda está para acontecer? Qual a tua opinião?
O “boom” para mim não foi esta infestação, em que todas as marcas usam a estética do graffiti/street art para vender t-shirts e afins. Será quando esta febre acabar e os artistas de graffiti/street art sejam vistos como tal, e não como uns rapazes que fazem pinturas giras, que ate nos podem pintar o quarto com golfinhos e tal. Cada artista tem o seu percurso e tem de ser respeitado pelo mesmo.

Ainda há algumas dificuldades em Portugal para desenvolver este tipo de arte…
Sim, como em todo o mundo acho, é uma vertente relativamente recente, é normal até ser aceite, como tudo o que foi novo foi.

Qual é o teu público-alvo com a tua arte? … tendo em conta que é uma arte bastante abrangente…
Com stickers, posters, stenceis ou telas, despertar o mero transeunte para alternativas à mensagem subliminar e vazia da publicidade e do seu apelo ao consumismo, a qual representa a característica essencial desta nossa cultura Urbana Uniformizada.

Projectos Futuros?
Estou a trabalhar em alguns.

Conselhos para novos Street Artists!
Aos iniciantes, que acreditem naquilo que fazem, não desistam, persistência é essencial. www.stencilrevolution.com, é um site com tuturiais e bons trabalhos, um bom sítio para se aprender. Dos mais antigos só tenho a ouvir.
Abraço para a minha Leg crew, Vsp collective, 2s3d Skran, Sleep, Klash, The Yok, Quill, Target, Dheo, Vulto, Roket, Kif, Gvsr1, Nuno Valério, Matilde Meireiles e Caus +/- e, todos aqueles writers e street artists que por aí andam.

www.alexandrefarto.com

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