Mikel Marton

Mikel Marton é um fotógrafo revolucionário cujo trabalho constantemente mistura as linhas entre a arte e a pornografia e ele luta para que o corpo masculino seja artisticamente equivalente às linhas femininas. O seu trabalho cativa as suas audiências com a ferocidade da fotografia de moda desafiando...

Mikel Marton é um fotógrafo revolucionário cujo trabalho constantemente mistura as linhas entre a arte e a pornografia e ele luta para que o corpo masculino seja artisticamente equivalente às linhas femininas. O seu trabalho cativa as suas audiências com a ferocidade da fotografia de moda desafiando assim com os temas que gosta de trabalhar. Seja o seu foco na guerra, televisão, narcisismo, devaneio sexual ou distúrbio alimentar, os resultados são sempre esteticamente brilhantes! O seu trabalho anterior limitava-se a captar o corpo masculina e apresentá-lo como uma forma de beleza – uma tarefa desafiadora tendo em conta que o corpo masculino ainda é um tabu na cultura Norte Americana: o pénis é caracterizado como um objecto feio e proibido.

Vivendo agora em Montreal, no Canadá, o Mikel cresceu numa pequena cidade canadiana em que ele acredita tê-lo motivado a confrontar a opressão artística e sexual com o seu trabalho.

Janela Urbana: Qual é o processo para misturar “moda mutada” e fotografia artística porno/erótica?

Mikel Marton: O meu estilo pega no visual brilhante teatral da fotografia de Moda e aplica-o num cenário erótico.
É algo como uma forma mutada de fotografia de moda onde as roupas, os focos, estão dissolvidos sem exorcizar o seu estilo ou energia. Normalmente, a fotografia de moda e a fotografia erótica, estão em caminhos separados; eu acho que algum do meu trabalho definitivamente conseguiu juntar os dois numa só realidade.

Quando é que uma fotografia se torna uma boa fotografia?

Bem, pessoalmente eu estou feliz com o meu trabalho quando a fotografia simula uma resposta física ou emocional em adição ao ser visualmente apelador. Ou seja, se uma fotografia faz-te sentir um pouco estranho, ou se uma fotografia te excita ou então se simplesmente a arte te excitar; Então perguntas-te: “Deveria eu estar excitado com isto? Ou somente deveria apreciar o sentido da beleza?” – A minha resposta é: ambos. As pessoas ficam muito confusas com a sexualidade e a criatividade e é isso que eu acho tão excitante em fazer a tal… “boa fotografia”.

… e o processo por vezes corre mal?

É bom vir para uma sessão cheio da energia por detrás do cenário que queres fotografar, mas também com uma mente aberta que te permite ser maleável. Às vezes eu vou em direcção a algo, pensando que vai ficar de uma maneira e acaba completamente diferente daquilo que idealizaste. Mas mesmo assim eu consigo comunicar esse resultado com a ideia inicialmente pensada, tornando-se assim uma boa surpresa. Acho que quanto mais conceptual e teatral eu imagino, mais erros eu faço/encontro. Isto faz-me ter que confiar nos meus instintos para trabalhar. Não tive mentores ou treino em fotografia então, é bom tomar alguns riscos tornando-se assim os meus erros, os meus professores. Acho que é realmente saudável ter esse medo causado pela hipótese do teu trabalho sair uma boa merda. Não penso que estou acima dos erros. Tento não tomar um bom trabalho como garantido.


(“Funeral” – Art Erotica, Austin)

Tens algum fotógrafo como inspiração?

É difícil para mim identificar-me pessoalmente com um fotografo. Tenho andado a fotografar e a criar arte pelo menos há cinco anos e só este ano vi o meu primeiro livro de fotografia. Sinceramente nunca fui muito conhecedor de outros fotógrafos. Quanto mais trabalho eu desenvolvo, mais aprecio o empenho que os fotografos colocam nas suas fotografias, mas eu nunca os olhei como uma fonte de inspiração. Talvez inconscientemente? … e também… eu não me dou muito bem com a maioria dos fotógrafos que eu conheço. (risos)

Que tipo de modelos fotografas? Acreditas que cada pessoas tem, digamos… glamour pessoal?

Ele ou ela teriam que compreender o alvo do meu trabalho. A química fotografo/modelo é muito importante. Alguém demasiado púdico ou alguém que só quer parecer “HOT”… comigo, não funcionará. É necessário um bom diálogo mental entre nós durante uma sessão. Um modelo valioso é alguém que está em comunicação com a sua sexualidade, alguém que está confortável com eles próprios. Não consigo trabalhar com pessoas demasiado inseguras que constantemente precisam de se olhar ao espelho. Tem de haver definitivamente confiança total na minha visão. Como na sessão que fiz chamada “artifice”: o modelo inicialmente sentia-se estranho mas confiava completamente na minha visão. As fotografias saíram lindamente.

Podes descrever-te numa palavra?

Bruxa-do-Tempo (Weather-Witch)

Stressas antes de fotografar?

Ás vezes fico a suar…

O que esperas da fotografia para o teu futuro?

Uma vida inteira de preenchimento. Às vezes explorar a minha sexualidade com ela e a oportunidade de partilhar isso com o mundo (afinal de contas, eu sou um exibicionista), mais que isso, todo o resto será um bónus.

Como é que as pessoas geralmente reagem à tua arte?

Recebo muitas reacções diferentes. Surpreendentemente a maioria são positivas, sendo que os comentários homofóbicos e ofendidos são guardados para os espectadores. Quando à audiência que ainda não conheço, esses são geralmente encorajadores e parece que entendem o meu trabalho erótico, desafiador e delicioso. Às vezes dizem-me que a minha arte é muito gay, no entanto, eu penso que a arte em geral já é bastante gay.
Em relação às pessoas que eu conheço, elas adoram! Posso dizer que, no entanto, essas pessoas não sabem como me abordar melhor sobre o meu trabalho. Existem muitos retratos nus e bastantes fotografias simuladoras no meu website e essas pessoas parece que secretamente vêem o site, mas mostram um tímido excitamento quando falamos sobre isso.

Podemos ver o teu trabalho em alguma galeria agora, ou para breve? Quais os teus planos?

Uma panóplia de coisas actualmente. Recentemente tenho sido abordado por variadas galerias em Nova Iorque e em Montreal e exposições estão actualmente a ser negociadas para breve. Mais que isso não posso dizer mas qualquer actualização eu colocarei no meu website. Outras coisas a ter em conta é uma colecção de trabalhos meus a serem publicadas no novo livro do David Leddick (em 2008) e alguns editores mostraram interesse em publicar um livro com o meu trabalho… o que me deixa muito, muito entusiasmado!

Obrigado!!

www.toxicboy.net
mikelmarton.blogspot.com

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