Sara Lamúrias

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A Sara nasceu em 1976, em Lisboa. Aos 18 anos começou a licenciatura em Design de Moda na Faculdade de Arquitectura em Lisboa. Desde 2005 podemos assistir, duas vezes por ano, às suas colecção na Lisbon Fashion Week. Também desde 2005, podemos encontrá-la no certame internacional Bread & Butter.

A Sara nasceu em 1976, em Lisboa. Aos 18 anos começou a licenciatura em Design de Moda na Faculdade de Arquitectura em Lisboa. Após o seu curso, em 2002, estagiou na Bless, em Berlim. Em 2003 volta a Portugal e cria a Aforest-design, a sua marca de peças de autor. Em 2006 é convidada a dar aulas de Teoria da Moda e Design de Vestuário na Universidade da Beira Interior. Desde 2005 podemos assistir, duas vezes por ano, às suas colecção na Lisbon Fashion Week. Também desde 2005, podemos encontrá-la no certame internacional Bread & Butter. Em 2007 estreia-se na apresentação internacional de moda Who’s Next.

Janela Urbana: É fácil ser designer de moda em Portugal? E ser designer de moda portuguesa lá fora?

Sara Lamúrias: É sempre difícil em qualquer área artística vingar com um trabalho a título pessoal. Portugal é um mercado difícil mas há outros mercados no estrangeiro que também o são.

Como surgiu a Aforest Design? Explica-nos melhor o conceito Aforest.

Aforest-design surgiu de uma vontade muito grande de concretizar ideias, e de por mãos à obra para isso. Isto passou-se em 2003 com uma colecção de vinte e cinco t-shirts, um ponto de venda e muito mailing…
Como marca pretende chegar ao público com produtos que, não esquecendo a sua função base têm uma componente de trabalho artístico e conceptual forte, e isso passa por trabalho criativo meu e pontualmente, de artistas convidados.

O que achas das iniciativas nacionais para promover jovens criadores na área do design de moda?

Dentro do que conheço acho que temos algum apoio, a nível de promoção, como a Fashion Week ou apoios em iniciativas de promoção em feiras internacionais, talvez nos falte um prémio ANDAM porque os concursos que temos ainda estão num nível muito académico.

O mercado da moda nacional acolhe bem os novos criadores? Há um “Mercado de Moda” nacional?

Eu acho que o problema do mercado nacional para os criadores nacionais são os escassos pontos de venda… e faltando distribuição, o consumidor não tem acesso fácil ao produto, logo não tem como comprar.

Que conselhos darias a jovens que desejam ser designers de moda? E a jovens designers em início de carreira?

Sinceramente, que sigam o seu sonho mas sempre com os horizontes bem abertos…

Uma palavra para definir o teu trabalho…

“Pessoal”

A capital da moda Portuguesa é…?

Não sei bem mas acho que para o mercado, o Porto está mais bem apetrechado.

Trabalhar em design de moda em Lisboa: Mito ou Realidade?

Hoje em dia qualquer local é viável para se trabalhar em qualquer área, uns podem ser mais vantajosos que outros mas, com viagens baratas e os meios de comunicação que temos, não é complicado.

De onde veio a inspiração para as Odori Tabi Socks?

O trabalho nas Odori Tabi é puramente artístico, partiu de um livro que estava a ler sobre o Japão e daí a observação das cerejeiras em flor que deu origem ao tema, e depois, a opção do médium de trabalho parte do gosto pela fotografia …o resto, a forma como usei a fotografia já me ultrapassa…são coisas que vou gravando no meu sub-consciente, mas gosto de jogar com dimensões e ilusões da estética, passa por aí… O serem meias japonesas faz parte de um discurso que eu sigo de apropriação de peças tradicionais de vários meios e ambientes que tenho como perfeitas.

Preferes: O trabalho em indústria ou a criação de autor? Conta-nos as vantagens e desvantagens de cada uma.

Eu idealizo uma indústria mais ajustada à criação de autor…a indústria globalizante descaracteriza-nos e é possível haver indústria ajustada ao trabalho de autor. O mercado pede-o, pena haver pouca indústria a percebê-lo.

Foste assistente de styling em vários eventos e produções. Gostas mais de definir estilos ou de criar oportunidades através de novas peças?

Criar novas peças, definitivamente.

Preferes: Criar individualmente ou em parceria?

É mais fácil para mim criar individualmente, mas confesso que já encontrei parceiros com quem as coisas correm muito bem e acaba por ser bom ter alguém com quer partilhar ideias.

Definirias a moda como 100% glamour ou 10% de inspiração e 90% de transpiração?

Muita transpiração sim, mas muito prazer também….a versão 100% glamour é demasiado glamorosa.

Qual a melhor parte do processo de criação de uma peça?

É quando tens uma boa ideia e a começas a desenvolver em projecto… quando passas à concretização vêm as dores de cabeça.

Achas que há arte no design? E arquitectura na moda?

Aha! Claro que sim, é possível e faz todo o sentido, todo o trabalho criativo ganha com a interdisciplinaridade.

Estagiaste em Berlim durante a tua licenciatura… essa experiência marcou-te pessoalmente e ao teu trabalho a longo prazo, ou foi apenas uma de muitas experiências?

Marcou bastante, não só por Berlim ser a cidade fantástica que é mas porque a nível pessoal e profissional cresci imensamente e isso deu-se porque tinha um espaço brutal só para mim num meio que é extremamente inspirador, passava muito tempo só a ver coisas lindas e a pensar… acreditem que faz muito bem! E claro, meu local de estágio, a Bless, tinha tudo a ver comigo.

Dás aulas no mestrado em Design de Moda na Universidade da Beira Interior. Aprende-se muito com outras mentes criativas?

Ensinar é estimulante por várias razões, não só porque lidas com outras mentes criativas e sentes o prazer de guiá-las, de transmitir-lhes o que sabes como bebes de um meio académico que é sempre mais livre para experimentar. Acho que além de se ensinar aprende-se muito.

A experiência de leccionar reverte-se de alguma forma para o teu trabalho enquanto criadora?

Acho que todas as experiências que vivo se podem reverter no meu trabalho, faz parte do nosso processo criativo… e acho que mais pelo que enunciei na resposta anterior, que o meio académico tem um aspecto estimulante que é a liberdade de experimentar, e não é melhor que isso nos inspirar.

www.aforest-design.com

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