CoolTrain Crew

A Crew formou-se no final de 1995 com o intuito de atribuir visibilidade a músicas urbanas emergentes como o drum & bass e as linguagens modernas do jazz, constituindo uma alternativa às expressões então predominantes do house e do tecno...

Quem tem medo do Drum & Bass???

A Crew formou-se no final de 1995 com o intuito de atribuir visibilidade a músicas urbanas emergentes como o drum & bass e as linguagens modernas do jazz, constituindo uma alternativa às expressões então predominantes do house e do tecno. Inicialmente composta por alguns dos mais conhecidos djs nacionais da actualidade como Tiago Miranda, Dinis e Rui Murka entre outros, foi pelas mãos de Johnny que o projecto CoolTrain Crew cresceu, dando assim uma nova visibilidade ao drum & bass português.

Em Outubro lançaram o novo álbum que reúne o melhor do “drum”, aliado a grandes temas de algumas bandas nacionais e que promete revitalizar o adormecido monstro Drum n’ Bass. Afinal, quem não se lembra de “Chiclet” dos Taxi?

Janela Urbana: CoolTrain Crew foram (em 1995) os pioneiros do drum & bass em Portugal. Qual era a dimensão nessa altura da musica urbana em cidades como Lisboa e Porto?

Riot: Nessa altura eu (DJ Riot) era apenas fã e dançava ao som da Cooltrain. A dimensão da cena era muito maior do que agora, provavelmente por ser uma novidade e o publico estar um pouco cansado das batidas mais usuais de dance music.

O Bairro Alto fervilhava de criatividade e era um local privilegiado para dar a conhecer as mais recentes tendências da musica de dança. Foi aliás lá que o Johnny (um dos elementos que se manteve na Crew desde essa altura) começou enquanto DJ. Como vês o Bairro Alto hoje em dia?

O Bairro é um sitio mágico de altos e baixos. Acho que neste momento se encontra um pouco sem rumo, mas acabará por se encontrar. Acho a noite de Lisboa francamente má neste momento, mas tenho fé que tudo mude com a mudança de ano!

Numa década marcada pelas expressões do tecnho e house no seu auge, certamente que muitas pessoas vos disseram que “essa cena do drum & bass” não ia durar em Portugal. Qual seria a tua resposta a essa crítica hoje em dia?

A resposta seria simples: O DnB já não tem de provar nada. é um estilo com mais de 14/15 anos, mais do que implementado no mundo todo; e em Portugal, encontrou o seu lugar, pequenino, mas ao tamanho de uma realidade portuguesa de musica alternativa.
Somos poucos, por isso ainda somos menos a gostar de musica alternativa!

Como surgiu já no novo milénio a ideia de juntar Johnny, Kalaf, Riot, Lil’John e Alx? Que desafio vos motivou?

Foi tudo um processo natural. O Johnny e o Kalaf conheceram-se no metro e começaram a falar. Eu (Riot) e o Lil John tocamos em bandas juntos desde sempre, começámos a produzir Drum’n’Bass e decidimos entregar uma maqueta na Marginal, onde o Johnny tinha um Programa chamado Frequências Marginais. Mais tarde o Alx entregou-me um set gravado dele via Nuno Rosa (Ex-Cooltrain) e eu gostei. Mostrei aos outros e ele foi ficando.

Há um público fiel ao drum & bass hoje em dia em Portugal? Não achas que faltam cada vez mais locais à noite em Lisboa que passem “d & b”, especialmente agora que encerrou o Club Lua no Jardim do Tabaco?

Acho. Acho que faltam sítios para passar som em Lisboa, independentemente do estilo. Arranjem-me um sitio com o mínimo de condições em Lisboa (sistema de som que funcione, luzes, bar e um dancefloor) e eu mostro-vos onde anda o público fiel do DnB!

Como conciliam o percurso individual de cada um com o projecto CoolTrain Crew nomeadamente, em particular o Dj Riot que está ligado a outra banda?

Não é fácil. Eu e o Lil’John temos muito trabalho com os Buraka Som Sistema por toda a Europa e mesmo até em estúdio, agora que estamos a fazer o novo trabalho dos B.S.S. O Johnny está com as Cooltrain Jazz Sessions no Lux ás quartas que têm sido um sucesso e consecutivamente, muito trabalhosas, e o Alx é neste momento, membro integrante dos Macacos do Chinês. Tendo em conta tudo isto, a única solução que a Cooltrain teve foi assumir-se como um colectivo de DJs, musico e produtores, deixando de produzir eventos para já, deixando isso para quem se afirma como promotor de eventos de Drum’n’Bass.

Paralelamente a este projecto, a CoolTrain Crew dedicou-se à produção de concertos, como por exemplo os 4 Hero, Lemon D & Dillinja, Digital entre outros. Foi uma forma de garantir a auto-suficiência ou estavam já um bocado cansados?

Esse eventos surgiram como necessidade de trazer artistas que ninguém tinha trazido antes. Artistas com quem queríamos trabalhar, mas que nenhuma promotora de DnB estava a trazer a Portugal no momento. Mais uma vez, a Cooltrain teve de fazer promoção de eventos por necessidade e não porque queria muito produzir eventos.Nós achamos que produzir eventos é de uma responsabilidade muito grande e como tal, pessoas que tocam instrumentos em bandas, passam som e produzem som, não conseguem ter tempo para organizar muito mais coisas!

Em 2003, DJ Riot lança uma remistura do velho êxito dos Táxi, “Chiclete (Chiklet RMX)”. O tema passa nas rádios e marca o princípio de uma digressão ibérica. Qual foi a importância desse novo impulso para a afirmação da banda?

Foi toda. O Chiklet foi a lufada de ar fresco que a CTC e o Drum’n’Bass nacional precisavam, para mostrar ao público português que o que é nacional é bom! Além disso originou a ideia de se começar a “desenhar” um álbum de remisturas de musicas portuguesas que se concretizou agora.

O ultimo álbum (rmx´s 2000-2006 lançado em Outubro) apresenta remisturas e produções de artistas portugueses como os Taxi, Da Weasel e Blasted Mechanism. Há em Portugal bons temas que possam ser adaptados à batida drum & bass?

Acho que a compilação responde por si só a essa pergunta…

Quais foram os objectivos deste novo álbum?

Criar uma ligação ainda maior com o público português e mostrar que o DnB não é um bicho de sete cabeças. Pode-se ouvir em casa, no dancefloor ou no carro. É apenas música! Se as pessoas ouvirem temas que conhecem remisturados, têm um percepção maior daquilo que o estilo é.

Achas que o facto de pegarem em bandas que lideram os tops (Da Weasel e Sam The Kid por exemplo) é uma forma do “drum” chegar a públicos mais diversificados?

Sem dúvida. Ajuda o ouvinte a identificar-se com a música e por conseguinte, faz com que montes de “fantasmas” musicais desapareçam.

Qual foi, por exemplo, a reacção de Sam The Kid à nova versão de “Poetas de Karaoke”?

Foi a melhor. O Sam pediu-me a remistura para sair em vinil e na reedição do álbum dele. Eu fiz a remistura, testei-a na pista de dança e funcionou, mostrei-lhe e ele gostou bastante!

Que música portuguesa gostariam de remisturar e ainda não tiveram coragem?

Nenhuma. Nós não temos medo de desafios desses. Remisturamos desde a Amália até ao Mão Morta, se nos deixarem!

Faz parte dos vossos planos um projecto de originais para breve?

Sem duvida. Este primeiro disco serviu de introdução ás produções nacionais de DnB nacionais deste novo milénio. O próximo passo é um CD exactamente ao contrário deste: Poucas remisturas e muitos originais, com artistas conhecidos da “praça” também!

Alinhamento do álbum “RMX/S 2000/2006 – Southest B’N’B Flavas”:

  • BIG BAD WOLF (0:22)
  • Shine On Blind Zero (5:38)
  • Blasted Empire Blasted Mechanism (5:58)
  • Entendimento Wadada (7:07)
  • Destratamento Da Weasel (6:24)
  • Chiklet Táxi (6:14)
  • Vive a Vida Que Amas Melo D (6:03)
  • Lisa Insana Cool Train Crew ft. Sam The Kid + Kalaf (6:02)
  • Lake Spill (6:54)
  • Um Homem Atravessa Lisboa na Sua Querida Bicicleta Dead Combo (6:13)
  • Serenata (Spring Samba) 1 Week Project (6:09)

www.myspace.com/cooltraincrew

tendências da musica de dança. Foi aliás lá que o Johnny (um dos elementos que se manteve na Crew desde essa altura) começou enquanto DJ. Como vês o Bairro Alto hoje em dia?
R: O Bairro é um sitio mágico de altos e baixos. Acho que neste momento se encontra um pouco sem rumo, mas acabará por se encontrar. Acho a noite de Lisboa francamente má neste momento, mas tenho fé que tudo mude com a mudança de ano!

JU: Numa década marcada pelas expressões do tecnho e house no seu auge, certamente que muitas pessoas vos disseram que “essa cena do drum & bass” não ia durar em Portugal. Qual seria a tua resposta a essa critica hoje em dia?
R: A resposta seria simples: O DnB já não tem de provar nada. é um estilo com mais de 14/15 anos, mais do que implementado no mundo todo; e em Portugal, encontrou o seu lugar, pequenino, mas ao tamanho de uma realidade portuguesa de musica alternativa.
Somos poucos, por isso ainda somos menos a gostar de musica alternativa!

JU: Como surgiu já no novo milénio a ideia de juntar Johnny, Kalaf, Riot, Lil’John e Alx? Que desafio vos motivou?
R: Foi tudo um processo natural. O Johnny e o Kalaf conheceram-se no metro e começaram a falar. Eu (Riot) e o Lil John tocamos em bandas juntos desde sempre, começámos a produzir Drum’n’Bass e decidimos entregar uma maqueta na Marginal, onde o Johnny tinha um Programa chamado Frequências Marginais. Mais tarde o Alx entregou-me um set gravado dele via Nuno Rosa (Ex-Cooltrain) e eu gostei. Mostrei aos outros e ele foi ficando.

JU: Há um público fiel ao drum & bass hoje em dia em Portugal? Não achas que faltam cada vez mais locais à noite em Lisboa que passem “d & b”, especialmente agora que encerrou o Club Lua no Jardim do Tabaco?
R: Acho. Acho que faltam sítios para passar som em Lisboa, independentemente do estilo. Arranjem-me um sitio com o mínimo de condições em Lisboa (sistema de som que funcione, luzes, bar e um dancefloor) e eu mostro-vos onde anda o público fiel do DnB!

JU: Como conciliam o percurso individual de cada um com o projecto CoolTrain Crew nomeadamente, em particular o Dj Riot que está ligado a outra banda?
R: Não é fácil. Eu e o Lil’John temos muito trabalho com os Buraka Som Sistema por toda a Europa e mesmo até em estúdio, agora que estamos a fazer o novo trabalho dos B.S.S.
O Johnny está com as Cooltrain Jazz Sessions no Lux ás quartas que têm sido um sucesso e consecutivamente, muito trabalhosas, e o Alx é neste momento, membro integrante dos Macacos do Chinês.
Tendo em conta tudo isto, a única solução que a Cooltrain teve foi assumir-se como um colectivo de DJs, musico e produtores, deixando de produzir eventos para já, deixando isso para quem se afirma como promotor de eventos de Drum’n’Bass.

JU: Paralelamente a este projecto, a CoolTrain Crew dedicou-se à produção de concertos, como por exemplo os 4 Hero, Lemon D & Dillinja, Digital entre outros. Foi uma forma de garantir a auto-suficiência ou estavam já um bocado cansados?
R: Esse eventos surgiram como necessidade de trazer artistas que ninguém tinha trazido antes. Artistas com quem queríamos trabalhar, mas que nenhuma promotora de DnB estava a trazer a Portugal no momento. Mais uma vez, a Cooltrain teve de fazer promoção de eventos por necessidade e não porque queria muito produzir eventos.Nós achamos que produzir eventos é de uma responsabilidade muito grande e como tal, pessoas que tocam instrumentos em bandas, passam som e produzem som, não conseguem ter tempo para organizar muito mais coisas!

JU: Em 2003, DJ Riot lança uma remistura do velho êxito dos Táxi, “Chiclete (Chiklet RMX)”. O tema passa nas rádios e marca o princípio de uma digressão ibérica. Qual foi a importância desse novo impulso para a afirmação da banda?
R: Foi toda. O Chiklet foi a lufada de ar fresco que a CTC e o Drum’n’Bass nacional precisavam, para mostrar ao público português que o que é nacional é bom! Além disso originou

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