Pedro Nunes

O Pedro chega-nos da Póvoa de Varzim e é um jovem designer com interesse pela fotografia. Ele foi o vencedor do LOGO Contest da Janela Urbana e desta forma, queremos apresentar o autor da nossa nova identidade!

O Pedro chega-nos da Póvoa de Varzim e é um jovem designer com interesse pela fotografia. Ele foi o vencedor do LOGO Contest da Janela Urbana e desta forma, queremos apresentar o autor da nossa nova identidade!

Janela Urbana: O teu percurso académico esteve desde cedo ligado à área das artes visuais. Como percebeste que querias exercer profissionalmente a actividade de designer?
Pedro Nunes: Foi apenas no 11º ano que, por influência e convivência com um amigo e vizinho meu (formado em Design de Comunicação na ESAD), optei pelo curso de Design Gráfico e de Publicidade da ESEIG (Vila do Conde). Acompanhei alguns projectos que esse meu amigo desenvolvia, dava a minha opinião quando ele precisava e até cheguei a fazer parte de alguns. Na altura fascinava-me a capacidade de manipular e transmitir visualmente uma determinada mensagem, bem como a constante procura da forma mais original e eficaz de o fazer.

Porquê o design gráfico e não o de equipamento/industrial, interiores/ambientes, multimédia, etc.?
Essencialmente por considerar que o design gráfico é bem mais abrangente, actuando paralelamente com outras áreas, como por exemplo a fotografia, arquitectura, design de interiores, multimédia, etc. Depois de concluir a minha licenciatura, senti que os meus horizontes estavam bem mais alargados, não só em termos criativos e técnicos como também na vontade de aprofundar conhecimentos noutras áreas, como fotografia, design tipográfico e web design… Penso que tal aconteceu graças ao carácter multidisciplinar do design gráfico.

O design gráfico e a fotografia são as tuas paixões, o que é que te fascina em cada uma das áreas?
Em primeiro lugar, o facto de as poder manipular e aplicar em simultâneo, isto é, num mesmo projecto. No entanto cada uma dessas áreas possui características distintas, para além das óbvias.
No que diz respeito ao design gráfico, fascina-me o facto de este poder ser utilizado para diversos fins: para vender, para comprar, para orientar, para organizar informação, até para ajudar a salvar vidas. Se pensarmos bem o design gráfico está mesmo por toda a parte, é como um vírus… ou será uma cura? Seja como for, o design gráfico está cada vez mais presente nas nossas vidas.
Quanto à fotografia, a simples capacidade de congelar um momento (se tivermos a sorte de capturar o exacto momento em questão, ou a paciência suficiente para esperar por ele) é um excelente incentivo à prática. Alguns profissionais dizem que todos temos um fotógrafo dentro de nós, todos sabemos pegar numa máquina e fotografar. É claro que uns fazem-no melhor do que outros, mas no fundo todos possuímos a capacidade de tornar o Presente em algo eterno. É algo tão extraordinariamente simples como belo.

Seduz-te a ideia de um design fotográfico em alternativa a um design gráfico no teu trabalho?
Penso que cada projecto é único e requer uma abordagem igualmente única e própria e ambas me seduzem, o recurso à fotografia ou a elementos gráficos. Procuro nunca excluir, à partida, qualquer hipótese e, sempre que possível, recorrer a ambas. Tornando o resultado final mais rico e consequentemente mais abrangente. Prefiro, no entanto, recorrer sempre a imagens próprias e quase nunca às de outros autores, pelo simples facto de saber exactamente aquilo que preciso. Por vezes tal não compensa, mas o resultado acaba por ser mais satisfatório.

Qual a área da fotografia com a qual mais te identificas?
Talvez o retrato. Quando decido retratar alguém através da fotografia tento colocar-me na pele de um pintor expressionista. Eles procuravam captar algo mais do que uma simples imagem bonita ou agradável. Nem sempre tem que ser bonita, até porque, tal como me ensinaram já no secundário, a beleza é algo muito subjectivo. Procuro retratar não apenas o exterior, mas também o interior. Procuro algo que identifique o modelo para além da sua aparência física e, ao mesmo tempo, algo que me represente naquela imagem.

Quais são os teus designers de referência, nacionais e internacionais?
Nacionais: Dino dos Santos e o Atelier R2; internacionais: Neville Brody, Vince Frost, Mariscal, os Underware, Yomar Augusto, etc.

E no que respeita a fotógrafos, quais são os profissionais que mais te inspiram cá e lá fora?
Confesso não possuir grandes referências nesta área. No entanto, não posso deixar de destacar o nome de uma professora de faculdade que contribuiu para o meu interesse pela fotografia – Ana Pereira. Também posso dizer que o seu trabalho é uma grande referência minha. A nível internacional gosto muito do trabalho do fotógrafo/músico Bryan Adams.

Essas tuas referências no design e na fotografia influenciaram de alguma forma o teu percurso em termos de escolhas ou o teu trabalho em termos de marca pessoal?
É inevitável sermos influenciados por algo de que gostamos realmente. Não consigo identificar um momento especifico em que tal tivesse acontecido, porque penso que é algo inconsciente e de certa forma automático. Mas é muito provável que o meu percurso profissional, apesar de uma constante luta pela originalidade, reflicta a informação e as referências que for absorvendo ao longo da minha vida.

E em relação ao design editorial e à ilustração? Como se posicionam essas duas áreas na tua actividade de designer?
Embora não possua grande experiência em design editorial, não é uma vertente que exclua do meu currículo. Aliás, o meu interesse pelo design tipográfico e a sua manipulação “obrigam-me” a prestar especial atenção nas variadas aplicações físicas da tipografia. Já quanto à ilustração, confesso que não é uma área de grande interesse meu, pelo menos enquanto autor.

Achas que existe suficiente reconhecimento do papel do designer gráfico no meio da comunicação e na sociedade portuguesa?
Antes de existir reconhecimento do papel de um designer, deve primeiramente existir uma compreensão do mesmo. E é isso que está em falta, penso que o público não compreende bem a importância do design gráfico. Grande parte das pessoas não compreende que é graças a um designer ou a uma equipa de designers que consegue distinguir uma embalagem de leite de uma embalagem de detergente, ou que consegue identificar que destino tomar quando lê as placas de sinalização numa auto-estrada, ou que é graças ao design gráfico que consegue ler o seu jornal diário sem que no final seja obrigada a descansar os olhos durante duas horas. Quando todos compreenderem realmente o papel de um designer gráfico, aí sim, poderemos falar em reconhecimento.

O que gostavas que acontecesse no mercado do design em Portugal, ou o que gostavas de ver concretizado em Portugal que já tenha sido feito ou não no exterior em termos de design gráfico?
Que fossem criadas regras. Regras semelhantes às que impedem legalmente que um engenheiro civil assine um projecto de arquitectura, ou que impedem um curandeiro de exercer medicina. Essencialmente, regras que protejam e validem a nossa profissão.

A PARTICIPAÇÃO NO LOGO CONTEST JANELA URBANA

Conta-nos o que te motivou a participar no concurso para criação de logótipo da Janela Urbana…
Motivou-me principalmente a liberdade que esta proposta proporcionava. O sonho de qualquer designer é ter aquele cliente que nos dá total liberdade para criar. E neste projecto vi uma oportunidade para experimentar um pouco, “brincar” com as formas.

Qual foi o conceito subjacente à tua proposta de logótipo que acabou por ser a vencedora?
A fluidez das formas conferiram ao logótipo um dinamismo e uma frescura que reflecte o universo actual, jovem e arrojado deste projecto cultural. Para além disso, penso que o facto de se poder desdobrar ou de poder ser aplicado em variados suportes sob várias abordagens, sem que se perca informação, também favoreceu este logótipo.

Mais do que a questão da identificação, um logótipo serve a função de comunicação. Qual é para ti a “receita de sucesso” para a criação de um logótipo eficaz?
É necessário conhecermos o melhor possível o cliente, o espaço em que ele se insere e a forma como ele actua. Só então seremos capazes de criar uma identidade visual que transmita de forma eficaz os valores e objectivos desse mesmo cliente. Este é também um passo para a criação de algo original, que deverá ser uma das principais características de um logótipo.

A tipografia e o web design estão nas tuas metas de desenvolvimento próximas. Podemos esperar ver trabalhos teus em breve em cada um desses domínios?
No que diz respeito ao design de tipografia, ainda não me sinto capaz de realizar um projecto tipográfico digno desse nome, apenas vou criando caracteres isolados e com um fim muito objectivo, como o é o caso do logótipo da Janela Urbana. Penso que a obtenção dessa capacidade passará por formação adequada e bastante experiência. Quanto ao web design, ainda que simples e directo, estará online o meu portfólio digital actualizado, muito brevemente. Uma pequena e inicial experiência na vasta Rede.

www.pedronunes.com.pt
www.pedronunesdg.wordpress.com

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