Exposição de Fotografia Purificación García

A partir do próximo Sábado dia 5 de Fevereiro e até ao dia 26, poderá visitar-se na Galeria Municipal, Palácio de Cristal, Porto (Rua D. Manuel II) a exposição das obras seleccionadas para o Concurso Bienal de Fotografia Purificación García 2010.

A partir do próximo Sábado dia 5 de Fevereiro e até ao dia 26, poderá visitar-se na Galeria Municipal, Palácio de Cristal, Porto (Rua D. Manuel II) a exposição das obras seleccionadas para o Concurso Bienal de Fotografia Purificación García 2010.

Javier Nuñez Gasco, Álvaro Negro e Aleix Plademunt foram os vencedores da VIII Edição deste Concurso Bienal de Fotografia Purificación García, cuja exposição integra 25 obras.

Foi em Março de 2010 que foram atribuídos os prémios da VIII Edição do Concurso Bienal  de Fotografia Purificación García.  O júri desta edição, composto por María de Corral, Fernando Castro Flórez, Chema Madoz, Miguel von Hafe Pérez, Vicente Todolí e ainda um representante da marca Purificación Garcia, seleccionou 25 obras de entre as 476 apresentadas por artistas residentes em Espanha e Portugal.

Após grande indecisão, o júri entregou os três prémios:

– O primeiro prémio, no valor de 15.000 euros, a Javier Núñez Gasco pela sua obra Público Incondicional.
– O segundo prémio, de 12.000 euros, a Álvaro Negro pela sua obra S/T, 2010.
– O terceiro prémio, de 10.000 euros, a Aleix Plademunt pela sua obra Small Dreams.

Com o objectivo de premiar outras obras que igualmente passaram à decisão final, o júri concedeu duas menções especiais, sem dotação económica, a Florentino Díez pela sua obra El estanque de las tormentas I, e a Ignacio Llamas pela sua obra S/T, da série Cercar al silencio.

A exposição foi inaugurada no dia 28 de Abril no Círculo de Belas Artes de Madrid e após a sua passagem pelo Paraninfo da Universidade de Zaragoza, a Fundação Bilbao Arte e o Museu de Pontevedra, terminou o ano em Ourense, fazendo parte da programação do Outono Fotográfico.

Após visitar o Porto em Fevereiro de 2011, a mostra irá terminar em Outubro do mesmo ano no Museu da Cidade em Lisboa.

LISTA COMPLETA DE ARTISTAS SELECCIONADOS:

Almalé-Bondía, Badri, Karmelo Bermejo, Tania Blanco, Eduardo B. Muñoz, Florentino Díaz, Miren Doiz, David Escanilla, Josep Mª Escuin Ruiz, Julio Galeote, Pablo Genovés, Ignacio Llamas, Isidro López-Aparicio, Carlos Maciá, Clara Montoya, Ramón Moreno, Álvaro Negro, Javier Núñez Gasco, Aleix Plademunt, Francisco Reina, Ivo Rovira, Alberto Salván Zulueta, Gustavo Sanabria, Rafa Sendín, Damián Ucieda Cortés.

A obra Público Incondicional, de Javier Núñez Gasco, enquadra-se na sua relação com as artes performativas, mais concretamente com o teatro e a ópera. Nuñez Gasco viveu em Portugal durante alguns anos e realizou colaborações com instituições como o Teatro Praga de Lisboa, o Teatro Miguel Bombarda ou o Teatro S. Luiz, onde realizou a acção que aparece nesta fotografia, produzida durante a realização do espectáculo Turbo-Folk.

Para realizar Público Incondicional, Javier Núñez Gasco convidou a sua mãe a viajar a Portugal, a ver este espectáculo. Colocou em consonância um fotógrafo com o técnico de iluminação do Teatro São Luiz para que, no início da peça Turbo-Folk, com as luzes da plateia apagadas e as pessoas descontraídas à espera do início da peça, o fotógrafo se colocasse a meio do palco e levantasse a mão para disparar. Nesse preciso momento, a sua mãe, já alertada para o que ia acontecer, pôr-se-ia de pé.

Este momento fica registado na fotografia Público Incondicional como parte da performance e da peça. Trata-se de uma imagem solene e silenciosa que resulta de uma acção sobreposta a outra contrapondo o estatismo e o premeditado com o casual e imprescindível.

O tríptico S/T, Álvaro Negro insere-se no projecto Abro a janela e respiro o aire fresco do fim do mundo. Este trabalho surge em 2007, durante a estadia do artista em Berlim. A sua metodologia de trabalho tem como ideia de “passeio” o leitmotiv de alguém que recorre ociosamente à cidade, sem rumo.

Durante estes “passeios à deriva” surgem “acontecimentos” em diversos espaços que guiam o projecto para caminhos mais definidos, mais concretamente, aos locais de rodagem do filme Wings Of Desire, de Wim Wenders. A partir da revisão do filme, as imagens evoluem para uma instalação onde a figura do anjo é uma posição metafórica do artista: o anjo que observa não só o humano como também o seu reflexo no inanimado, nas coisas, no elemento em si. Assim, o artista inicia uma obra – em imagens – ao estilo de um caderno de viagens.

Foi este o ponto de partida para o trabalho: imagens de espaços interiores, tascas, retratos e auto-retratos, paisagens naturais e urbanas, detalhes arquitectónicos, etc., e conceitos onde se misturam a própria ideia de viagem, de locais – deslocalização do imaginativo e do actual, do belo e do sublime. Tudo isto reflectido numa história de uma busca, de uma essência da própria visão no acontecimento; a melhor expressão do micro-acontecimento que somente é explicito através da imagem

Small Dreams, de Aleix Plademunt é um projecto baseado e realizado nos Estados Unidos durante o ano 2009. Trata-se de uma análise fotográfica do sonho americano, dos pequenos sonhos que nos transcendem, sonhos esquecidos, sonhos em espera. A capacidade onírica é infinitamente ampla e muitas vezes levada ao extremo, tocando o absurdo e a ironia. Todos estes sonhos, desejos e ilusões falam-nos das aspirações humanas, motivações e valores da sociedade americana actual.

Mediante uma insistente catalogação de imagens pretende-se gerar um ponto de análise sobre algumas necessidades, ambições e desejos da sociedade, sobre como estas influem na paisagem, modificando-a e transformando-a. Plademunt realiza um exercício de junção de fotografias realizadas em diferentes países geograficamente díspares durante os últimos anos, para constatar que Small Dreams não é uma atitude unicamente evocada nos Estados Unidos, como também uma atitude globalizada e diferencial. Fruto ou não de uma invasão cultural norte americana, encontramos hábitos e atitudes semelhantes em diferentes culturas. A sociedade dos Estados Unidos é uma das que mais influenciou o mundo durante os últimos séculos, por isso estes sonhos estão ligados aos nossos, embora indirectamente.

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