Luísa Sobral

Já conhecida dos palcos e sem medo de mostrar o seu talento, a única coisa que resta a Luisa Sobral é conquistar o público. Felizmente, com o jazz a correr-lhe no sangue e a hipnotizar quem a ouve, é uma tarefa que não se revela difícil.

Já conhecida dos palcos e sem medo de mostrar o seu talento, a única coisa que resta a Luisa Sobral é conquistar o público. Felizmente, com o jazz a correr-lhe no sangue e a hipnotizar quem a ouve, é uma tarefa que não se revela difícil.

Entrevista e Texto: Eduardo Féteira

Para os mais fracos de memória pode parecer estranho, mas a verdade é que o nome Luisa Sobral já passou pelos ouvidos de muita gente. Contudo, por razões não tão musicais e mais pelo mediatismo do programa onde primeiro surgiu, os Ídolos. “As pessoas já nem sabem quem eu sou” afirma a cantora. É verdade que já foi há uns anos, e na altura não foi a vencedora do programa mas, actualmente, volta a dar muito que falar e, desta vez, por motivos mais próximos ao seu coração.

A cantar e explorar o mundo do jazz, Luísa Sobral estreia-se este ano num projecto a solo onde canta e compõe cada faixa deste. “Percebi que a minha voz se encaixava perfeitamente [no jazz] explica a artísta. “E finalmente senti que tinha descoberto quem eu era musicalmente”. Influênciada por músicos como Ella Fitzgerald, Billie Holliday ou Chet Baker, que se evidênciam na sua interpretação, Luísa Sobral conduz os seus ouvinte pelas melodias pop-jazz de um trabalho que a identifica.

Com o nome “The cherry on my Cake”, é um álbum recheado de canções que acompanham a jovem cantora há algum tempo. “São músicas que começei a escrever desde que entrei para a universidade, desde que começei a estudar música”, diz a compositora. E o resultado final comprova isso mesmo. Uma panóplia de canções que ilustram a evolução da artísta como cantora e compositora, nos quatro anos em que frequentou a Universidade de Berkley, nos Estados Unidos.

Mas se espera começar a ouvir um álbum pejado de colaborações ou música com um nível de complexidade mas difícil de digerir engana-se. Ao invés é um álbum pessoal, íntimo do imaginário da cantora que, com uma sonoridade acústica, procura para já um único objectivo: apresentar-se ao ouvinte. “O primeiro disco é sempre uma afirmação do que somos”, explica a jovem cantora. “Agora para o próximo já posso experimentar algo mais”.

E nessa apresentação de si própria, Luisa Sobral releva-se acima de tudo uma verdadeira contadora de histórias. Cantando músicas que refletem cenas e personagens criadas de raiz ou baseadas em pessoas que conhece, vai embalando os ouvintes pelas angústias, alegrias e tristezas de cada uma. “Gosto muito de inventar personagens e criar um mundo” revela a artísta, “pensar quem é aquele personagem e qual a sua razão de viver”. Uma forma de “ser actriz ao mesmo tempo”, confessa a cantora sobre o seu outro amor pela representação.

Já a trabalhar em temas para um segundo álbum, uma lição Luísa Sobral retirou deste primeiro projecto: “Tudo tem de estar claro antes de começar a gravar”. A razão prende-se com problemas que surgiram durante o processo de criação do álbum e dos quais a artísta, revela, não tinha ainda conhecimento. “Há coisas que não pensamos que estão envolvidas no cd” continua a compositora, “escolher a capa, as sessões fotográficas, o número de páginas do booklet, coisas que nunca me passaram pela cabeça”.

Felizmente, ultrapassados os tramites da producção do cd, Luísa Sobral encontra-se agora em trabalho de promoção enquanto pensa já em futuras colaborações que gostaria de criar com nomes como Jorge Palma, Maria João ou Bernardo Sassetti. Enquanto estas não se materializam, a artísta deixa o seu público a deliciar-se com este seu primeiro trabalho, pronto a devorar.

 

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