Patrick Wolf ao vivo em Londres

No extremo sul da Camden High Street em Londres encontra-se um antigo teatro cuja abertura data de 1900. Um edifício de arquitectura neoclássica com quatro pilares que emolduram as janelas que compõem a fachada e uma cúpula que sobressai na paisagem arquitectónica de Camden Town.
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No extremo sul da Camden High Street em Londres encontra-se um antigo teatro cuja abertura data de 1900. Um edifício de arquitectura neoclássica com quatro pilares que emolduram as janelas que compõem a fachada e uma cúpula que sobressai na paisagem arquitectónica de Camden Town. Esta é, afinal de contas, a única casa de espectáculos na zona que não foi destruída durante a II Guerra Mundial, mas não só por isso podemos dizer tratar-se de um lugar especial. Em 1982 este antigo teatro londrino foi reconvertido num clube nocturno mítico ao qual se chamou Camden Palace. Criado à medida do famoso Studio 54 em Nova Iorque, por aqui passaram algumas das maiores noites da boémia londrina na década de oitenta, com festas concebidas por Steve Strange dos Visage, noites de difusão da cena electrónica criadas pelos Pet Shop Boys e concertos de artistas emergentes da cena britânica e americana (foi aqui que em 1982 uma ainda praticamente anónima Madonna deu o seu primeiro concerto no Reino Unido). Actualmente este recinto chama-se Koko e funciona como casa de espectáculos, recebendo diversos artistas todas as semanas. Hoje é o vez de Patrick Wolf, que vem aqui apresentar os temas do seu novo álbum Lupercalia, a lançar em Maio.

A abertura das portas está prevista para as dezanove mas duas horas antes já algumas dezenas de pessoas encontram-se sentadas em frente ao recinto, formando uma fila que dá a volta até à Crowndale Road. O ambiente é calmo num raro dia de sol londrino. Wolf escreve via Facebook que consegue ver a fila da janela do seu camarim (“you’re all looking great!”, diz-nos) e arranja tempo para enviar um membro da sua equipa com a tarefa de entregar um postal de agradecimento a todos por ali estarem e por virem conhecer o material do novo disco. Pouco tempo depois as portas abrem-se.

A primeira parte fica a cargo de Rowdy Superstar, uma espécie de one man-show cujo single Tick Tock (um híbrido entre sons electro e hip-hop) terá levado Wolf a convidá-lo para a abrir a digressão actual. Com um set de cerca de trinta-minutos, cantou, dançou e deu tudo de si num espectáculo altamente enérgico e visualmente irrepreensível que chegou para estimular o suficiente uma sala que ansiava por outras sonoridades.

Momentos depois surge em palco a banda de Patrick Wolf, recentemente reformulada para conter uma secção de sopro, uma secção de cordas e duas cantoras (uma delas cantora de ópera e sua irmã). As luzes estão baixas e o ambiente é intímo. Ouvimos a abertura de Armistice, o primeiro tema que desvenda do novíssimo Lupercalia e o homem da noite entra em palco, camuflado com um casaco que parece simular a fisionomia de um pássaro. Solta um tímido “good evening London” e segue imediatamente para Time of My Life, o primeiro single do novo disco (música já conhecida de quem se encontra naquele recinto, o que permite ao público cantar cada verso). Em palco, a postura de Wolf é simultaneamente desafiante e contida. Solta-se ao aproximar-se do piano ou quando sente o calor do público (que ao segundo tema está já completamente rendido), mas revela a timidez ao afinar a harpa que o acompanha em alguns temas ou quando falha a deixa para começar uma das músicas que toca pela primeira vez nessa noite.

O alinhamento que trouxe a Londres consegue não só apresentar o novo material como também resumir o melhor que a sua carreira já mostrou. Recordou alguns temas do primeiro disco, cujo emblemático To The Lighthouse coloca a sala a cantar em uníssono, percorrendo depois os temas mais marcantes de Wind In The Wires, The Magic Position e The Bachelor. Todos recebidos com entusiasmo entre dança, acenos, palmas e até mesmo alguns momentos de crowd-surfing. Houve tempo para cantar um tema menos conhecido dedicado ao pai (que se encontrava no público) ou explicar de forma nervosa que conheceu o actual companheiro na sala onde nos encontramos. Abandona o palco ao som de The Magic Position (indiscutivelmente a música que lhe terá dado maior projecção até à data), voltando para um encore com Hard Times e The City, o tema do momento.

Se para muitos o jovem Patrick pertence já ao Olimpo da cena indie actual, ao vê-lo em palco fica-nos a sensação de que se sente mais à vontade como mero músico e performer do que como qualquer espécie de ícone (não raras vezes opta por ignorar muitos dos cartazes que lhe são freneticamente apontados na primeira fila e segue em frente com o concerto). Está ali para mostrar o que consegue fazer e fá-lo com determinação. A segurança vem-lhe do fabuloso domínio de uma parafernália enorme de instrumentos musicais (o violino, a guitarra, o piano, a harpa, etc) fruto de uma educação clássica e de uma curiosidade imensa sobre criação musical. Domina, respira e transpira música, revelando-se assim sinónimo do front-man perfeito. Sai do palco passadas quase duas horas de concerto e deixa o público londrino a gritar por mais. A nós, fica-nos a certeza que seremos novamente supreendidos no concerto agendado para dia 6 de Julho no Festival Optimus Alive. A não perder.

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