Maria João

A Maria João tem o dom de surpreender a cada projecto que lança. Este, “Amoras e Framboesas” não é excepção e nós fomos ao encontro dela para saber um pouco mais deste novo álbum que sai a 26 de Abril e porque não conhecê-la um pouco melhor?
Fotografia: Simon Frederick

A Maria João tem o dom de surpreender a cada projecto que lança. Este, “Amoras e Framboesas” não é excepção e nós fomos ao encontro dela para saber um pouco mais do seu novo álbum que sai hoje, dia 26 de Abril, e aproveitámos também para a conhecer um pouco melhor.

Amoras e Framboesas, porquê a escolha destes frutos vermelhos para o nome do álbum? Oh sei lá… é um bom nome. Um nome suculento, está ligado a uma coisa que eu gosto: comer. E comer fruta e guloseimas. Tenho a mesma gula com a música. Achei que casava bem. Estes nomes verdadeiramente nunca são muito rebuscados, nunca têm uma razão lógica. Ocorrem e está bem. Encaixam bem sem nenhuma vergonha na cara.

 

 

Maria João & Orquestra Jazz de Matosinhos, "Amoras e Framboesas".

 

Quais foram os maiores desafios na criação deste álbum? Principalmente a logística. Poder andar de um lado para o outro com eles. Ter onde ensaiar, onde trabalhar, como caber no estúdio e como pagar este disco e esta gente toda. Porque a música foi verdadeiramente fácil de fazer. Estes músicos são muito competentes, muito talentosos e são todos muito boa gente, o que tornou o acto de fazer música muito fácil.

E de que forma surgiu esta parceria com a Orquestra de Jazz de Matosinhos? Eles convidaram-me para um concerto em Dezembro de 2009 na Casa da Música, no Porto e o concerto correu tão bem que pensámos que não faria sentido parar. Continuar a tocar essa música, funcionava bem comigo e com eles também. Importante referir que tivemos mais três convidados: o João Farinha, o André Nascimento e o André Fernandes.

Visto que o concerto aconteceu em 2009, porque é que o álbum só surge agora? Gravámos em Junho (2010) e está a sair agora. Estava para sair em Dezembro mas devido a imprevistos técnicos que são normais de acontecer nestas alturas, só agora foi possível editar o álbum.

De onde vem a motivação, a inspiração para continuar a criar, a evoluir? Não sei, não faço ideia. É a música mesmo… A música mexe comigo de uma maneira como mais nada mexe. Comove-me, emociona-me, faz-me aventurar, realiza-me, faz-me ser loira e alta, gorda, magra, morena, preta, amarela – faz-me ser tudo. E isso é irrecusável, é uma coisa com o qual não posso viver sem!

A Maria João transforma-se quando está em palco. O que sente lá? Em que medida é importante a improvisação no seu trabalho? Aquilo que lá está (em palco) é a Maria João. Eu não tenho a pessoa cá fora e a pessoa que está em palco, é tudo uma pessoa e eu sou assim. Digamos que em extremo, ser disposta em palco faz-me ter os contornos mais definidos. E com a música tudo surge naturalmente. É aquilo que eu sou.

Fotografia: Simon Frederick

Agora vamos falar do panorama geral que Portugal está a viver. É inevitável na fase difícil que estamos a atravessar não falarmos no assunto “crise”…

A música é o remédio da alma triste” já dizia Walter Haddon. Neste momento de tristeza no panorama social e económico que vivemos, esta frase faz sentido? Faz todo o sentido. Nós precisamos muito da música e de um belo dia de sol e céu azul! Isto não mata mas mói, vai moendo ao longo do tempo, é muito tempo já com isto. Todas as pessoas a resistirem, a tentarem safar-se e isto desmoraliza imenso e claro que precisamos de coisas felizes para levantar o ânimo para poder achar “nao não! vamos sair desta” e eu acho que a música ocupa esse sítio, é uma das coisas que ocupa esse lugar. A salvadora do ânimo nacional.

Tendo o português aquele clichê do fado, do saudosismo, da tristeza, acha que por estes lados ainda se consegue ver uma coisa boa como a música, a arte? A tal salvadora do ânimo nacional? Depende das pessoas e do grau da crise para cada pessoa. Para alguns fecha-se, mas para outros, a música abre horizontes, pre-dispõe bem, deixa-nos felizes e faz-nos ter esperança e ao ter esta atitude mais «upa upa». Acabamos por talvez encontrar soluções para as coisas.

Com que olhos vê a internet e as redes sociais? Como é que funciona esse mundo com a Maria João? Eu tenho computador, e-mail e essas coisas todas. Apesar de ter resistido muito para ter tudo isso, foi uma boa surpresa. Gosto muito de telefonar, de falar com as pessoas, de ouvir a voz , o meu reino é mesmo o reino sonoro. Mas estou completamente rendida à internet, são tão mais fáceis as coisas!

E para a promoção do seu trabalho? Quem trata de tudo é o meu filho – ele põe-me a par de tudo e diz-me para ir ver as mensagens que tenho, porque eu não tenho realmente muito tempo, entre as aulas e os concertos é um bocado complicado, não tenho muito tempo para estar mas tenho Facebook e Myspace. Apesar de não ter o hábito de colocar tudo o que faço, é claro que são óptimos meios de promoção.

E a nível visual? Dá muita importância ao grafismo do álbum? Sente que isso pode fazer diferença? Acompanha o processo? Claro que sim, tenho sempre o cuidado de tornar as capas dos meus discos o mais suculentas possíveis, porque também se compra um disco pelo seu aspecto e nesta altura que se compra menos, isso tem um peso enorme! Tenho sempre muito cuidado em ter um fotógrafo que eu gosto, que eu escolha, o cabelo sou sempre eu que escolho, mas tenho sempre pessoas que ajudam. Tenho muito cuidado, acho muito importante mesmo. Tem que se destacar no meio dos outros todos.

Como descreve a experiência de dar aulas. Aprende-se a ensinar? Então não? Sou melhor cantora agora do que era antes. Há quatro anos que dou aulas, essa experiência tem sido fantástica porque eu aprendo com eles, o que fazem mal aprendo como não fazer, como evitar isso e o facto de eu ensinar coisas, como cantar e como improvisar, acabo por ver como eles resolvem aquilo que eles mostram, como fazem e como interpretam isso. Tem sido incrível para mim, estou muito melhor do que estava antes. Sou melhor cantora por causa das aulas, é verdade, inteiramente verdade.

Então e se fosse uma música, que musica seria? Ou um ritmo? Era o ritmo dos passos das pessoas no chão….

Além da música que é evidente que é uma grande paixão. Que mais paixões tem? O meu filhote! Aikidô, fazer desporto…

O aikidô por alguma razão em especial? Comecei a fazer em miúda, mas antes passei pelo karaté e o judo e desaguei no aikidô. A forma que me encaixava bem, que me fazia chegar mais longe em termos de harmonia, de movimento. A música e o aikidô têm a mesma base. Inspirar e expirar, controlar a respiração, boa postura para poder projectar bem a voz e conhecer o teu corpo.
Aparentemente é muito simples, mas é complicado.

Agora para terminar. Se tivesse uma bola de cristal para ver o futuro, o que pensava ou o que queria que ela lhe dissesse? Joãozinha, a tua saúde é de ferro! As tuas pessoas estão de pedra e cal, a tua música e criatividade está aí em grande! E vem aí o verão!

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