Cuca Roseta, a verdade do fado

Ao confirmar a sua presença em festivais como o Cool Jazz Fest ou a primeira edição do Festival de Fados de Madrid, a fadista Cuca Roseta afirma-se assim como uma das representantes da nova geração do fado.
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Ao confirmar a sua presença em festivais como o Cool Jazz Fest ou a primeira edição do Festival de Fados de Madrid, a fadista Cuca Roseta afirma-se assim como uma das representantes da nova geração do fado. Mas olhando para a evolução da sua carreira, para além do seu recente e único album lançado à apenas dois meses, é facil compreender  que este estatuto, apesar de não procurado já lhe estaria destinado.

Ao começar nas lides musicais num registo mais Pop-Rock com a banda Os Toranja, desde cedo que Isabel Roseta, nome real e fora dos meios artísticos, teve uma ligação próxima com o fado. Não através de uma tradição familiar, a qual não acha que seja necessária ou sem a qual “nao me considero menos fadista”, mas pelo hábito de frequentar casas de fado, fontes incessantes de inspiração para a, igualmente, compositora. E foi nestas que iniciou a sua carreira quando a oportunidade de saltar para o outro lado do palco surgiu. “Foi um flash!” afirma a fadista, “disse logo ao Thiago Bettencourt que ia sair dos Toranja e cantar fado”. Na perseguição do seu sonho, acumula agora no reportório casas de fado que vão desde o tasco “Academia das Bifanas” à casa de Fados de Mário Pacheco, tendo ainda participado em programas de televisão . “Eu digo que quase tirei um curso superior de fado”, brinca Cuca Roseta.

Mas a sua maior notoriedade chegou com o lançamento do seu primeiro album homónimo, cuja producção ficou ao encargo do produtor galardoado mundialmente, Gustavo Santaolalla. Um trabalho que compila fados tradicionais de Amália Rodrigues, com poemas de Vinícius de Morais e Florbela Espanca, mas que conta ainda com diversos fados originais escritos por Cuca Roseta, estreante como letrista de músicas no género. “Para mim o fado é verdade” explica a fadista, “e achei que era importante trazer uma verdade que fosse completamente minha”. Desta forma, e com uma relação de compreensão entre o productor e a artísta, o resultado convergiu num album “puro, muito minimalista e crú”, que procura trazer ao ouvinte a sensação de estar numa casa de fados.

Em lançamento mundial do seu novo trabalho, para Cuca Roseta esta é uma possibilidade inacreditável que se prende com a transmissão de emoções a um público mais abrangente. “É extraordinário, porque em vez da minha emoção chegar às pessoas que estão a minha volta na casa de fados, chega ao mundo inteiro” diz a artísta. E com este superar de barreiras confirma que “o fado dá-me pica!”. “Acho que nasci mesmo para isto”, exclama a fadista, “tenho uma paixão brutal e para a vida só mesmo este género música”. De certo que os fãs concordam e enquanto aguardam mais novidades, agradecem.

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