Cut/Copy

Os Cut Copy não se definem. Mas inevitavelmente carregam consigo a sonoridade de uma típica banda inglesa. Nem gostam de ser definidos. Para além de serem uma banda, como refere o baterista Mitchell, são observadores e mediadores das influências externas, mesclando essa experiência ao seu conceito.
[wide][/wide] Quando pouco ou nada se sabe acerca de uma banda e do seu mais recente trabalho, quando tudo o que se ouve e se percepciona não se insere verdadeiramente no contexto musical a que estamos habituados a “sonoralizar”, o recomendável será, literalmente, sugar o que de mais variado existir sobre a música e descodificá-la.

Entrevista e Texto: Claudia Borges

A Música sofre mutações. Transforma-se e transforma-nos. Acompanhamos o seu ritmo de forma desenfreada e louca, como o próprio Tempo. Seguimo-la. Perseguimos e somos perseguidos. As marcas são naturalmente profundas e temporais. E de outra forma não será possível nem de se esperar.

Muito do que é produzido hoje culturalmente é regenerado, transformado ou adicionado. A intencionalidade essa é comum e constante. Vamos consumindo e filtrando. Nunca deixando de a assimilar.

Não se definem. Mas inevitavelmente carregam consigo a sonoridade de uma típica banda inglesa. Nem gostam de ser definidos. Para além de serem uma banda, como refere o baterista Mitchell, são observadores e mediadores das influências externas, mesclando essa experiência ao seu conceito de Música.

CUT COPY conta a história de três jovens australianos que se juntaram em 2001 para criar Música. Uma mistura de rock, música eletrónica, rock alternativo. O seu segundo álbum, In Ghost Colours, lançando em 2008, foi merecedor de grandes elogios. Impulsionados pelo talento, desdenho e inquietude artística e musical do DJ e designer gráfico Dan Whitford, estes jovens de Melbourne assinaram contrato com a Modular Records, que outrora acolhera nos seus estúdios bandas tão badaladas como os Wolfmother e os New Young Pony Club.

Para muitos, o estilo de música dos Cut Copy é muito semelhante ao dos New Order, sendo apontados como os sucessores de uma das bandas mais importantes do género, porém, a personalidade desta banda é muito superior ao que se espera destes grupos.

Em conversa com a banda, que recentemente recusou tocar no concerto de mademoiselle Lady Gaga, desdenho-me dizer que  estes jovens têm motivos para se  restringir a tocar em concertos e que a presença de bandas de répertoire mais incidente no seu universo musical, como os Daft Punk, Franz Ferdinand ou os Tv On the Radio.

Como tem sido trabalhar enquanto banda nesta última década?
Eu ( Tim Haye) e o Mitchell, já nos conhecíamos há alguns anos. Crescemos juntos na mesma cidade e frequentamos a mesma escola. Por acaso foi lá que também conhecemos o Dan. Naturalmente criou-se um elo entre nós. Passado uns anos, eu e o Mitchell  acabamos por viver na mesma casa em Melbourne. Na altura o Dan sabia que eu tocava guitarra e que também compunha, ele deu-me alguns exemplares das suas criações e eu gravei alguns exemplos. Mas todos tínhamos vidas próprias: eu estudava e trabalhava, o Mitchell também estava a terminar os estudos e o Dan já compunha. A partir daí começamos a gravar mais juntos e a viajar. Depois de gravarmos umas músicas em Nova Iorque, começámos a crescer cada vez mais. É estranho pensar que já se passou assim tanto tempo, parece que foi ontem, continua tudo muito fresco e recente. Estamos constantemente a redescobrir o que é ser uma banda.

Que mensagem tentam transmitir quando criam Música?
Nós antes de mais consumimos muita música de que gostamos e depois criamos o nosso próprio género. Mas não é a nossa intenção em apenas criar música “cool” do momento, ou a que vende mais álbuns. A intenção é sermos honestos. Não repetindo nem fazendo o mesmo que tem sido feito e cabe às pessoas decidirem se gostam ou não do que fazemos.

"Zonoscope" é o nome do terceiro álbum da banda australiana. Este álbum foi lançado no início de 2011.

Porque o nome Zonoscope?
A nossa ideia, originalmente, era de criar um novo mundo neste álbum. A capa do álbum é isso mesmo. Mostrar a ideia de um mundo diferente da realidade, através desse zonoscópio. Nós quisemos apresentar ao mundo a nossa perspectiva com este álbum. Cada pessoa interpretará cada letra à sua maneira. Quando no futuro se procurar referências ao álbum, ele próprio terá uma história para contar, referente a este tempo em concreto.

Sei que vão em tour para os Estados Unidos. Como se estão a preparar e o que tencionam levar convosco?
Nós usamos as tours como uma forma de absorção e propagação. Felizmente temos a possibilidade de conhecer sítios magníficos e incríveis quando viajamos. Essa experiência, sem dúvida, levamo-la para todo o lado. Juntamos essa informação e carregamos tudo isso connosco e quando é chegada a altura de criarmos um álbum temos muitas ideias, isso é sem dúvida algo muito importante nas nossas tours. Absorvemos as culturas, é uma forma muito única de ver o mundo e algo inevitável.

É isso que vos  inspira?
Criar um álbum é algo de realmente muito íntimo e este é especialmente muito próprio. Não tivemos um produtor, foi feito no nosso próprio estúdio, estivemos trancados nele! A tour é algo muito diferente, saltamos para uma dimensão diferente. Tocamos em sítios diferentes para o mais variado público. Mas um complementa o outro. Vemos tanta coisa pelo caminho que nos sentimos sobrecarregados de informação que temos a necessidade de partilhar através da música.

Porque Cut Copy?
Já nos fizeram essa pergunta algumas vezes e acho hoje nem nós sabemos ao certo o que significa. Com palavras se criam música e um pouco como as teclas de um computador também se mistura e montam letras. Os Pixies e a música «Monkey Gone to Heaven» tem nomes que também perderam relevância com o passar do tempo. No princípio, a ideia estava apenas relacionada com o acto de cortar e juntar nada muito relevante mas necessário que origina e cria algo.

Não podíamos terminar sem a pergunta da praxe: como foi para vocês actuar em Lisboa?
Este não foi o nosso primeiro concerto em Lisboa e até pode soar a cliché dizer isto, mas o público português surpreende-me todas as vezes que cá estamos. A cidade de Lisboa tem sem dúvida um encanto único e apaixonante.  É impossível não nos deixarmos encantar com a sua magia.

Três anos depois de «In Ghost Colours», o álbum «Zonoscope» foi apresentado no Coliseu de Lisboa. Um pouco distinto dos últimos, este não é tão dançável mas transcende-nos a uma dimensão interpretada em cada letra. O Coliseu não encheu mas o espetáculo agradou os presentes que se moviam ao som do telescópio Australiano.

Regresso? Esse ainda sem hora marcada, mas fica o concelho. Conheçam um mundo novo, pela música destes australianos. «Take me over» é sem dúvida uma boa entrada.

Mais informações em www.cutcopy.net

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Passatempo

Temos 3 Zonoscopes para oferecer! Para ganhares uma dos álbuns, até 30 de Junho de 2011, tens de:

1. Fazer “like” à nossa página do Facebook!
2. Deixar um comentário aqui em baixo, com o vosso nomeendereço de e-mail e dizer o que significa para ti “cut copy”!

O vencedor deste passatempo será escolhido aleatoriamente através do random.org.

Boa sorte!!

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