Florence + The Machine «Ceremonials»

Muita coisa pode acontecer quando uma rapariga sonhadora se vê à solta pelo mundo – e, nos últimos anos, tudo aconteceu a Florence. O disco de estreia com o qual tanto sonhou, no seu quarto, no sul de Londres, tornou-se realidade e conquistou o planeta, vendendo mais de três milhões de exemplares, arrecadando o cobiçado prémio Brit para Álbum do Ano e tornando-se uma incontornável peça na consciência popular.

Muita coisa pode acontecer quando uma rapariga sonhadora se vê à solta pelo mundo – e, nos últimos anos, tudo aconteceu a Florence. O disco de estreia com o qual tanto sonhou, no seu quarto, no sul de Londres, tornou-se realidade e conquistou o planeta, vendendo mais de três milhões de exemplares, arrecadando o cobiçado prémio Brit para Álbum do Ano e tornando-se uma incontornável peça na consciência popular. Agora, ela já esteve em todo o lado: a rapariga viu o mundo e o mundo viu a rapariga. E, depois de meses recolhida no conforto do seu lar, compondo e gravando na Londres que tanto ama, Florence regressa com o seu triunfante segundo álbum. «Ceremonials» é um registo surpreendentemente notável, assinado por uma artista embalada no topo da sua inspiração, um testemunho extraordinário daquilo a que Florence se refere como «o meu incorrigível maximalismo». A palpitante epifania positiva de «Spectrum», a majestosa caminhada galopante de «All This And Heaven Too» e «Shake It Out», o triunfante grito de luta de «No Light No Light» e «Heartlines». Passe-se algum tempo com «Ceremonials» e o que é imediatamente percepcionada é a aparente confiança da sua execução.

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«Foi a primeira vez que fiz um disco com uma espécie de som global e coeso», diz Florence. «Nesse aspecto, é realmente um álbum de estúdio: um grupo de canções que pintam uma imagem unificada do espaço onde a minha vida está neste momento».

Gravado com toda a sua banda, ao longo de cinco semanas deste Verão, no lendário Studio 3, de Abbey Road, «Ceremonials» é mais um produto da sua longa colaboração com o produtor Paul Epworth. Juntos, criaram uma vasta visão art-pop que, ao mesmo tempo que pode ser cativantemente terna, pode igualmente conduzir a terrenos onde todos os sentidos são devastados por uma onda de emoções. É uma tapeçaria rica que desafia as convenções da pop clássica, atirando-as para um buraco negro e recuperando-as rumo a uma caminhada repleta de camadas. E, sustentando tudo isto, surge a voz épica e encantadora de Florence. É uma obra-prima madura que confirma que a sua autora veio para ficar.

«Para mim, é um disco feito por alguém que se está a tornar mulher, que se está a tornar adulta. E é sobre todos os problemas que surgem de mãos dadas com essa realidade», explica Florence. «”Lungs” era sobretudo a expressão de alguém em constante luta com a existência adolescente e a existência adulta. Acho que este é o resultado do trabalho de alguém que está a tentar crescer… Mas, provavelmente, não está a conseguir».

Com 25 anos, esta desistente da escola de arte tem feito boa parte do crescimento no meio do voraz turbilhão do seu sucesso mundial. Em 2010, conquistou a América de forma espectacular, com o seu monstruoso sucesso, «Dog Days», a traçar um percurso incendiário, ocupando de rajada as tabelas de vendas e as ondas radiofónicas. Escreveu e gravou uma apaixonante canção para a banda sonora de «Eclipse», da saga «Crepúsculo», e interpretou «Dog Days» perante uma audiência arrebatada e verdadeiramente global, na festa de entrega dos galardões MTV VMA. Depois de quase mil milhões de pessoas assistirem à sua actuação, no dia seguinte, Florence era a pessoa mais «googlada» do planeta.

No último ano, foi deslumbrante nos palcos de programas como «Saturday Night Live», «Good Morning America» ou «The Colbert Report», assim como nos 53º Prémios Grammy – onde actuou num colectivo feminino em homenagem à lendária Aretha Franklin, além de ter sido nomeada para Artista Revelação –, na 83ª Entrega dos Oscars, no anual Met Ball (organizado por Anna Wintour e sempre repleto das maiores estrelas) e na Cerimónia do Nobel da Paz, em Oslo. A revista Time colocou-a na 51ª posição da sua lista das 100 figuras mais influentes do mundo em 2011. De ascendente esperança da moda, tornou-se oficialmente um verdadeiro ícone de estilo. Passou tempo com os seus heróis musicais, recebeu as suas bênçãos e escutou os seus elogios. Até Beyoncé assumiu que Florence and The Machine tinham sido uma enorme influência na concepção do seu último álbum.

«Realmente, desta vez, foi tudo muito diferente: estava a fazer um álbum pelo qual muita gente aguardava», confessa Florence. «Mas tentei fazer aquilo que faria de qualquer forma. Este disco é uma tentativa verdadeira de fazer exactamente o tipo de música que quero ouvir: dramática, realmente imponente e algo sinistra. Mais do que tudo, espero que crie um efeito avassalador: quero que o álbum faça as pessoas sentirem alguma coisa». Sem dúvida nenhuma, as pessoas vão sentir! Longe de se tornar um daqueles segundos discos que reproduzem fórmulas e se vendem à pop, como acontece com muitos artistas outrora promissores, «Ceremonials» é um registo, no seu todo, ainda mais experimental e desafiante. «Queria tornar o som mais agressivo», diz Florence. «Baterias mais fortes, baixos mais fortes: o maior e mais poderoso de que fosse capaz. Fizemos mais experiências com sons electrónicos mas acho que, no final, acabámos por ficar com um álbum mais orgânico. É uma espécie de caos organizado».

Muita coisa mudou na vida de Florence Welsh desde os dias passados na faculdade de arte, em festas ilegais e em concertos dados em pubs sujos. Com «Ceremonials», ela regressa ao que sabe fazer melhor: uma música inclassificável, desafiante e genuinamente irresistível. Alguns artistas reagem a uma estreia de sucesso com revolta, tentando renegar as qualidades que fizeram com que as pessoas reparassem neles. «Mesmo que tentasse, não era capaz de fazê-lo!», afirma Florence. «”Lungs” parece-se tanto com um conjunto de discos diferentes condensados num só que, mesmo que quisesse, não saberia como revoltar-me contra ele». Ao invés, Florence concretizou de forma emocionante as promessas observadas em «Lungs». «É um álbum com um som enorme? Acho que, por aí, não há volta a dar. Sinto-me atraída por essa ideia de ser surpreendida. Se eu posso reagir dessa forma, enquanto estas canções estão a tocar, pode ser que outras pessoas sintam o mesmo. O objectivo é esse, não é?».

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