Komba – um ritual de bater o pé

Quando a palavra de ordem é festa e o grito de alegria bate o pé com um forte ritmo angolano, apenas três palavras deverão passar na mente dos leitores: Buraka Som Sistema.
Fotografia: Simon Frederick

Quando a palavra de ordem é festa e o grito de alegria bate o pé com um forte ritmo angolano, apenas três palavras deverão passar na mente dos leitores: Buraka Som Sistema. Lançado o seu segundo album no passado dia 24, “Komba” é a nova receita da banda de culto luso-angolana que se prepara para nos deixar devotos com o seu “ritual de celebração”.

A ideia é simples. Festejar enquanto se pode e sem medo de correr riscos. Para isso, João Barbosa, Rui Pité, Kalaf Ângelo e Andro Carvalho, membros da banda e mais conhecidos por J-Wow, Riot, Kalaf e Conductor, respectivamente, pegaram na tradição fúnebre angolana para dar nome ao album, e tornaram-na própria dos Buraka Som Sistema, como já lhes é habitual. “[Komba] é um ritual que acontece sete dias depois do funeral de alguém, onde os familiares e amigos se reúnem em ambiente de festa, com bebida, alcool, comida e música, para celebrar a memória do finado”, explica Kalaf. “E nós discordamos. Achamos que a maior festa das nossas vidas deve acontecer enquanto estamos vivos, para podermos celebrar e gritar bem alto o que pensamos”. Com isto em mente, e bem ao jeito dos Buraka Som Sistema, tudo isto se traduz em música carregada de novas experiências sonoras, batidas com presença em diferentes estilos músicais mas sempre com pronúncia de Kuduro.

Num registo mais próximo do dubstep e do reggaeton, aliados ao kuduro progressivo e ao electrónico, este novo trabalho da banda distingue-se de “Black Diamond” pela sua sonoridade e consistência do album como um todo. Quem o diz é J-Wow, para quem “Komba” é a “evolução natural daquilo que será o nosso som”. “É mantendo esse espírito de nos atirar-mos de cabeça para aquilo que achamos que é válido e que pode ser interessante que continuamos a fazer música”, diz o produtor, “Buraka está cada vez mais a ganhar uma identidade própria e este [Komba] é o resultado desse refinamento”. Ideia que Andro Carvalho, a.k.a. Conductor, partilha, ao contrariar a ideia que “Buraka seja aquela caixinha pequena chamada Kuduro progressivo”. “Fazemos aquilo que achamos que tem de ser feito, sem muitas observações”, afirma.

Com participações de músicos como Sara Tavares, Roses Gabore, Blaya ou a dupla Mixhell, com quem actuaram no Rock in Rio deste ano no Brasil, o universo de “Komba”, fica completo com a participação do graffiter Stephan Doitschinoff na criação das ilustrações do albúm.

Ao lançarem este novo trabalho, os Buraka Som Sistema preparam agora os concertos nos Coliseus de Lisboa e do Porto, dia 10 e 19 respectivamente, e ainda no dia 22 de Novembro em Londres no Club Heaven. E continuam a arrastar multidões de fãs, o que para Kalaf demonstra uma alteração do gosto das massas. “Hoje tens um miúdo que tem Shakira, Buraka e rock super obscuro, reggaeton, tudo no ipod em shuffle”, afirma o músico. “E acho isso interessante”.

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