Reading Festival: rock’n’roll por terras de Sua Majestade

Tó Trips, guitarrista da banda Dead Combo
Tó Trips, guitarrista e "metade" dos Dead Combo, relata-nos as suas experiências rock'n'roll no Reading Festival, no início dos anos 90.
[wide]
Tó Trips, guitarrista da banda Dead Combo
Tó Trips, guitarrista da banda Dead Combo
[/wide]

READING FESTIVAL

1990-1992-1993

Estávamos em 1990.  Eu, com os meus 24 anos, metido num comboio cheio de malta: punks , malta do grunge, rockers, rastas, metaleiros, várias tribos, que vinham de Londres, como eu, a caminho da estação de Reading , uma pequena vila pacata a cerca de 55 min a oeste de Londres.

Nunca tinha ido a um festival. Aliás, cá em Portugal era coisa que não existia. Tinha havido aqueles míticos de Vilar de Mouros, e até comentava com a minha namorada na altura, por que é que não faziam coisas daquelas em Portugal. Mas, adiante. À chegada, demos com milhares de pessoal que se deslocava para o recinto: uns levavam troncos e madeiras enormes, que mais tarde viemos a perceber que era para montarem autênticas tendas improvisadas de dimensões de palácios tipo discotecas que bombavam até altas horas da noite, noites essas em que acordávamos com guerras de sacos de lixo que voavam do lado de lá de um pequeno ribeiro para o lado de cá, autênticas batalhas campais. Foram três dias que se repetiram nos dois anos seguintes.

Os concertos que mais me bateram foram os Cramps, que desfizeram aquilo tudo. Era uma banda que conhecia muito pouco, e fiquei abismado com a música, a imagem e com o Lux Interior de cuequinhas e saltos altos, a ocupar com a sua alma aquele imenso palco.

Também assisti ao famoso concerto dos Nirvana, em ‘92, com a entrada da cadeira de rodas. Já os tinha visto à tarde, em ‘91, antes da explosão do Nevermind.

Lembro-me que, na altura, quando acabavam os concertos, podias ir lá atrás a uma carrinha comprar uma cassete com o concerto que tinhas acabado de ouvir. Eram sempre umas gravações manhosas, mas como recordação era uma cena fixe. Comprámos uma cassete dos Cramps, Sonic Youth e de uns tipos que tinha gostado na altura, que entretanto acabaram, mas penso que agora andam outra vez por aí: os Ned’s Atomic Dustbin.

Havia uma outra cena bem fixe: no fim dos concertos do dia, havia sempre sessões de cinema na tenda do palco secundário, com a malta toda no chão a rir à gargalhada com A Vida de Brian e outros filmes que passavam até tarde!

Naquela altura, para um puto como eu, foi uma experiência incrível!

Foram uns verões diferentes, cheios de lama, cheios de vida e rock’n’roll. Foram Verões que ficaram na minha pele!

Tó Trips

 

 

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.