Vodafone Paredes de Coura – Dias 3 e 4

The Knife | Foto: Luis Sustelo
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The Knife | Foto: Luis Sustelo
The Knife www.carlsonknives.com | Foto: Luis Sustelo
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texto: Viviana Martins

Fotografia: Luis Sustelo

Dia 3

Começamos no palco que nos tem acolhido nos últimos dois dias, o palco Vodafone FM.

18:00: Começamos o dia com os Widowspeak que vieram tranquilizar o nosso fim de tarde com músicas de embalar. Se ao inicio eram poucos os que desfrutavam daquele som “fofinho”, a meio do concerto já assistíamos a uma plateia composta. O cover de “Wicked Games” de Chris Isaak ajudou a arrancar o público. E foi bonito de se ouvir pela voz de Molly. A banda apresenta-se em palco com muita timidez, mais evidente por parte da vocalista, que pouco fez esvoaçar o seu vestido branco. Timidez à parte, não haveria melhor cenário para conhecermos os Widowspeak, eles que se deslocam de comboio, de concerto em concerto, para vislumbrarem melhor o que cada cidade tem para oferecer. “Paredes de Coura é lindo”, dizem eles. E nós confirmamos.

Chegou a hora de usufruirmos do anfiteatro aberto que é o palco Vodafone. Poderíamos estar aqui com mil e um adjectivos para caracterizá-lo mas nada iria realmente descrever o quão bonito está o palco principal este ano. Só vos dizemos que é um cenário emocionante. Vejam as fotos.

18h:40: Sentadinhos na relva, bem cá em cima, onde a vista é a melhor, de cerveja na mão, vemos entrar em palco os primeiros privilegiados a tocar no palco principal este ano: Everything Everything. A banda de Manchester começa logo “a abrir” com um dos seus melhores temas, “Cough Cough” .Foi um trunfo usado cedo de mais, cá nos pareceu. O concerto foi perdendo o ritmo e nós ritmámos para outro palco.

Não acertámos o passo com Veronica Falls mas valeu a simpatia e boa disposição da banda inglesa. Ouviu-se um pouco de cada um dos seus álbuns (e lá vão dois) e “Come On Over” fechou muito bem o pano.

Depois de Veronica Falls, decidimos não arredar pé do palco Vodafone FM, vem aí TOY e esta é daquelas bandas que não queremos mesmo perder.

20h25: e os cinco sobem a palco. Depois de alguns problemas de som (bolas, que andam mesmo com azar, já no mês passado, no SBSR, o som tramou-lhes a vida), a banda recupera a energia e acaba por dar um concerto que acaba com nota positiva. Um concerto onde houve muito cabelo e pouca pele e onde foram lançados longos momentos de instrumental que respiravam quando se fazia ouvir a voz de Tom Dougall. Momento alto, “Motoring”, claro está.

São nove e pouco da noite e corre tudo para o palco principal para ver mais uma banda inglesa actuar. Desta feita, The Vaccines. Nunca vimos The Vaccines ao vivo, mas sempre tivemos um odiozinho de estimação pela banda. É daquelas coisas que não se sabe explicar. Hoje, frente a frente, o caso não mudou muito de figura. Pareceu-nos que a banda se esforçou demasiado para nós gostarmos deles. Valeu a pena, malta.

Encaminhamo-nos muito rapidamente para o palco Vodafone FM. Little Boots espera-nos. Surpresa muito agradável, esta inglesa bem ‘little’ que em palco parece bem maior. Victoria mexeu-se muito e fez a festa ao som de disco. “Espero que gostem de disco sound” – disse ela. Que querida! Fomos poucos mas gostámos muito.

Hora de fazer uma pausa para comer qualquer coisa. Precisamos de energias para os próximos dois concertos, Hot Chip e The Knife são dois pesos pesados.

22h50: Corremos (não muito) para bem lá para baixo para vermos os lendários Hot Chip de perto. Vamos dançar? É que a dançar parecemos todos mais bonitos diz Alexis Taylor, sempre com a sua figura carismática. E nós cedemos ao pedido. É queremos todos parecer sempre mais belos do que somos e a dança durou até ao fim do concerto, que nos pareceu ter passado muito rápido. “One Life Stand”, “Flutes”, “Ready for the Floor” e “Over and Over” levantaram algum pó e fizeram deste concerto uma festa para nunca mais esquecer.

A noite já vai a meio e o frio não faltou à festa mas ninguém se quer ir embora ser ver The Knife. Confessamos que conhecemos mais o trabalho de Fedver Ray, mas estávamos muito curiosos para ver a banda ao vivo. Ninguém sabia o que esperar deste concerto e apostamos que, quem imaginou alguma coisa, saiu-lhe tudo ao lado. Para começar, tivemos direito a um warm up que nos valeu uma aula de aeoróbica. Braço-direito-para-cima-braço-esquerdo-para-baixo-e-vai-ao-chão-e-mexe-a-bunda e coisas do género. Que canseira – venha de lá a música! Na verdade, a música acabou por não vir. Assistimos a um espectáculo de danças contemporâneas duvidosas, muitas cores, muita gente em palco, muita coisa a acontecer; menos o que realmente queríamos ver e ouvir. O concerto convenceu alguns, principalmente aqueles que já levavam muito alcoól no sangue que os ajudava a fazer uns movimentos com o corpo igualmente estranhos aos dos bailarinos. Nós, sobrios e com as expectativas muito altas, ficámos apenas tristes.

Duas da manhã, ainda resta alguma energia para voltar a reencontrar John Talabot. Somos fãs de Talabot e dá nos sempre gosto vê-lo fabricar música a música ao vivo. Acompanhado por outro músico, o Dj espanhol foi desfilando temas como “Last Land”, “When the Past Was Present” e a bonita “Missing You”, do seu album FIN, que fecharam a nossa noite da melhor maneira.

Dia 4

Isto de andar de um lado para o outro, de palco em palco, é muito giro, mas ao fim de quatro dias sentem-se algumas mazelas físicas (estamos velhos, confere). Hoje espera-se um dia mais calmo. E para começar tranquilamente, temos o nosso amigo David Santos no palco Vodafone FM. Acompanhamos o trabalho de Noiserv desde o seu começo e, para nós é difícil falar dele, a sua música é-nos muito íntima e pronto, somos completamente apaixonados por tudo o que este jovem engenheiro faz. O habitual estaminé está montado, muitos brinquedos e instrumentos no palco esperam o mágico David. Fizemos uma viagem até “One Hundred Miles from Thoughtless” e regressámos a “A Day in the Day of the Days” com um bilhete grátis para o futuro, “Today is the same as yesterday, but yesterday is not today” chega às lojas no final do ano e, a julgar pelo que ouvimos será mais uma confirmação do talento infindável do David. Sentimos falta da Diana, que desenha as histórias que o David canta, para criar aquele cenário imaginário do qual estamos habituados. Apesar disso, e de ser muito cedo, foram muitos os que não quiseram faltar ao concerto. E fizeram muito bem. Ficámos é com pena de não ouvir Noiserv no palco principal de Coura. Seria a paisagem perfeita. Fica para a próxima.

Já os The Glockenwise tiveram a oportunidade de tocar no mitico palco Vodafone. Abriram o dia com muito rock’n’roll, já conhecíamos os dotes deste jovens de Barcelos e não ficámos desiludidos com o que vimos.

No outro palco já tocam os ingleses Citizens e todos esperam o “True Romance” que se tem ouvido durante todo o festival. Cheio de pinta, o vocalista vai percorrendo todo o palco cantarolando umas músicas que não parecem convencer muito o pessoal. Vamos lá espreitar os PEACE.

Os PEACE, mais uns britânicos a subir a palco nesta edição, deram um concerto razoável mas não demonstraram ter alguma qualidade que os distinga de todas aquelas ‘bandinhas’ (se é que nos entendem) – são mais uma daquelas bandas de Paredes de Coura – ouve-se dizer. Ouviram-se covers de “Another Brick in the Wall” dos Pink Floyd e “Disclosure” de White Noise e Alunageorge, este último foi uma agradável surpresa no final de tarde.

A seguir temos The Horrors.

Toda a gente espera a banda que há quatro anos deu um concerto memorável neste mesmo festival. The Horrors têm crescido e esta noite confirmaram isso mesmo. “Still Life” pôs todo o mundo maluco, assim como Faris Badwan com o seu charme, mesmo à estrela de rock’n’ roll, que faz as delicias de muita menina. The Horrors ganharam a noite. Foi o melhor deste quarto dia de festival.

Echo and the Bunnymen vieram adormecer o pessoal que já acusa algum cansaço de tantos dias de festival. Estamos a ser mauzinhos, nós sabemos, mas é que ao quarto dia, tornamo-nos mais exigentes, porque a paciência começa a ser menor. Em compensação, os Simian Mobile Disco (amiguinhos dos Justice, que sobem no dia seguinte ao palco Vodafone) vieram acordar e dar compasso a uma noite que parecia um pouco desvanecida.