fARTa de POP

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Esta semana foi marcada pelo lançamento do mais recente álbum de Lady Gaga, ARTPOP, ao qual os mais adeptos do trocadilhismo já apelidaram de “FARTPOP” ou “ARTFLOP“. A chegada deste que é o quarto álbum – ou terceiro, já que The Fame Monster era uma extensão de The Fame – merece uma pequena retrospectiva da carreira da senhora tardíloqua.

A Lady Gaga entrou nas nossas vidas no Verão de 2008. Antes disso, compunha canções para outros artistas como Britney Spears, Fergie ou as Pussycat Dolls, e devia usar fato de treino para ir ao supermercado. The Fame foi uma lufada de ar fresco numa pop muito pouco criativa com artistas louras e bronzeadas, que pouco mais fazem do que se imitarem umas às outras. A Lady Gaga não tinha medo de parecer feia ou ridícula e de aparecer para uma entrevista vestida com um casaco de sapos “Cocas”, criação do designer Jean Charles de Castelbajac. Começava a dar os primeiros sinais de ter a ambição, tal como a lendária Luisa Casati, de ser uma “obra de arte viva”. E foi aqui que começou a descambar. Hoje em dia, a extravagância da Lady Gaga tornou-se tão banal que ela só nos vai surpreender quando aparecer com o tal fato de treino que costumava levar ao supermercado antes de ser famosa.

Musicalmente falando, depois de The Fame Monster, a Lady Gaga tem o poder demoníaco de me fazer detestar as canções dela à primeira, até se me entranhar no ouvido e fazer-me pedir “Applause, Applause, Applause” enquanto aspiro a casa. E isso não é necessariamente sinal que estamos perante uma obra de arte, mas torna as tarefas domésticas bem mais divertidas.

Born This Way era um álbum mais rockeiro que tinha algumas reminiscências de umas colegas minhas que se mantiveram fiéis aos Whitesnake e aos blusões “motard” a imitar cabedal dos Porfírios até à idade adulta, mas mesmo assim, fui até ao “The Edge of Glory” a limpar os vidros da sala. “Judas” nunca me convenceu e nunca fui capaz de cantar “Scheiße”, apesar de ser uma das minhas preferidas do álbum.

Mas esta crítica (vá, vamos chamar-lhe assim) é sobre ARTPOP. Mais uma vez, voltam os temas das drogas, sexo e fama, com uma breve piscadela de olho às questões de género e a balada do costume (*bocejo*). E a Moda, claro. Sempre a Moda, porque se não fosse a Moda, a Lady Gaga era uma artista pop normal, com um nariz esquisito. Vai daí, a Lady Gaga escreve uma música (que podia ter sido incluída no álbum “The Fame”) sobre Donatella Versace, com um refrão que soa um bocadinho a Yelle (as músicas da Lady Gaga soam sempre a outras músicas, curioso). Mas o pior de tudo é “Fashion!” (a segunda música chamada “Fashion” da carreira de Gaga), co-produzida por David Guetta. Ai, o David Guetta…

Depois há esta mania de rodear o álbum com uns conceitos e de umas inspirações demasiado pretensiosas. O “Nascimento de Vénus” de Botticelli? Andy Warhol? Uma capa do Jeff Koons? Miúda, não achas que é um bocado como anunciar caviar e saír sardinha assada?

Porém, há uma coisa que devemos todos ter em conta na música pop: a função “entretenimento”. A Lady Gaga também precisa de pensar nisto. Nem toda a Música tem de ser erudita, assim como nem todo o Cinema tem de ser erudito. Às vezes sabe bem ver o Leslie Nielsen a ser parvo, o Steven Seagal a dar uma coça a alguém ou a Drew Barrymore numa comédia romântica. E não há problema nisso, não é preciso ter vergonha.

Faixas a ouvir: “Aura”, “Do What U Want“, “Artpop“, “Swine” e “Applause“.

Classificação: Podia classificar este álbum com estrelas, mas vou fazê-lo de uma maneira mais apropriada, com três bifes da vazia.

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