ModaLisboa Vision: Pedro Pedro

A vida e a obra da fotógrafa norte-americana Diane Arbus foram o ponto de partida de “FUR”. Nada que possa enfurecer a PETA, apenas uma referência ao filme sobre a fotógrafa protagonizado por Nicole Kidman. Esta inspiração revelou-se num contraste entre austeridade e leveza ou no que o próprio apresenta como glamour freakish. Formas longas e fluídas, cortes caixa,  casacos de inspiração sport, em materiais que vão das lãs (dupla face, caxemira, espinhadas…) aos cupros, dos jersey aos nylons, mas onde se destacam os acabamentos metalizados. A paleta de cores é nostálgica e cobre o rosa, o verde-bandeira, castanho, várias tonalidades de cinzento, bege, ouro e prata.

Acompanhem o nosso report desta Modalisboa, aqui.

Qual a Visão que antecedeu a sua colecção?
É a terceira vez que uma fotógrafa me serve de inspiração! Começa a ficar repetitivo… (risos). Na realidade, vi uma reposição de um filme que já tinha visto mas, subitamente, começou a fazer sentido. O “Fur” é uma biografia muito romanceada da Diane Arbus. Ela não tem nada a ver com a Nicole Kidman e tem uma vida trágica. Cresceu na aristocracia dos anos 50 e quando já era adulta tinha aquele look que é muito bonito visto de fora, mas é muito restritivo. Onde ela se sentia bem era com as pessoas do circo, com freaks, com coisas bizarras e estranhas. Passou a vida toda neste conflito e começo a pensar no quão difícil é esta vida de bastidores de circo. O montar tudo, construir tudo, de repente, ter de dar o show e quando acaba, volta-se ao zero e muda-se de cidade. Basicamente, quis transmitir este ciclo todo: começar no austero – desta vez, nem sequer pus acessórios – e a parte de glamor e show off.

Qual a Visão para o futuro da sua marca?
Não sei. Gostava de ser uma marca a sério, ter muitas vendas, ter representantes, fazer feiras, empregar gente e ter uma equipa. Mas tem corrido muito bem e as pessoas têm sido muito receptivas. Esta associação com os sapatos Basilius resultou muito bem. Sinto que estou rodeado de pessoas que gostam do que fazem, gostam do seu trabalho, gostam de mim e apesar de ser difícil, acaba por ser muito divertido e estamos a trabalhar com paixão. Sem esta equipa não era nada.

Qual a sua Visão da moda em Portugal?
Desde que soube que o Ricardo [Dourado] e Os Burgueses tinham acabado, sinto que há aqui qualquer coisa que não funciona bem. Neste triângulo designer-indústria-consumidor, há aqui qualquer coisa que precisava de funcionar melhor e permitir que os bons trabalhos persistam. Não devia ser tão difícil. Lá fora é difícil um designer manter um trabalho contínuo de qualidade, aqui o problema é logo no início, no arranque.

Fotografia: Modalisboa/Rui Vasco