The Golden Age: a música-cinema de Woodkid

Yoan Lemoine não é um estreante. É ele o realizador responsável por alguns dos mais incríveis telediscos dos últimos cinco anos para nomes tão sonantes como Drake, Lana Del Rey, Mystery Jets ou Katy Perry.

Yoan Lemoine não é um estreante. É ele o realizador responsável por alguns dos mais incríveis telediscos dos últimos cinco anos para nomes tão sonantes como Drake, Lana Del Rey, Mystery Jets ou Katy Perry. Do curriculum fazem parte colaborações com Sofia Coppola e Luc Besson tendo alcançado até alguns prémios em Cannes por trabalhos na área da publicidade.

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Na sua obra música e imagem são indissociáveis ou não fosse ele também o músico por detrás do alter-ego Woodkid que em 2013 editou The Golden Age, o primeiro álbum de originais.

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A capa do álbum “The Golden Age”

Ao longo das suas catorze faixas o disco aproxima-se mais a um projecto conceptual do que a uma convencional colecção de canções. A premissa é simples: a idade dourada é para Woodkid a infância e ao longo dos temas fala-se da viagem que todos fazemos na  transição até à idade adulta e das lutas que lhe são inerentes. É um disco de imagens, cinema em formato canção, marcado por percussões militares, orquestrações barrocas de recorte épico e batidas de dança descontruídas, numa forma de pensar a música enquanto mecanismo para contar histórias e colocar o ouvinte no plano central da acção. Ou da emoção se o quisermos. A voz de Lemoine é frágil mas convincente, capaz de exprimir de forma sincera os diferentes cambiantes que atravessam as canções. Sabemos por inúmeras entrevistas que a narrativa é autobiográfica e que, em parte, reflecte a luta interior de auto-aceitação da sua sexualidade durante a adolescência. Se é verdade que podemos ler “Run Boy Run” como uma reflexão sobre o processo de coming-out (“Tomorrow is another day / And you won’t have to hide away / You’ll be a man, boy” diz-nos) a verdade é que o sentimento de alguém que se sente fora do contexto é um sentimento universal e é isso que torna este The Golden Age numa experiência tão abrangente.

Destaque para “Iron”, “Conquest of Spaces” e o incontornável “I Love You” ao qual na versão single se acrescenta de forma inteligente a voz da rapper americana Angel Haze. A título de curiosidade, para quem quiser conhecer mais sobre o universo visual que inspira o músico/realizador francês, aconselha-se a visita ao site Wood & Marble, o Tumblr onde Lemoine arquiva uma espécie de diário gráfico sobre o que lhe vai na cabeça.

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