Nirvana, uma longa portuguesa, com certeza

O que é que têm em comum o Nirvana e a Picheleira? A resposta é um filme e está nas salas de cinema da Zon Lusomundo.

Nirvana, a primeira longa metragem de Tiago P. de Carvalho, estreou a semana passada, e já dá de que falar.

Inspirado nas obras da sacra tríade do pulpTarantino, Rodriguez e Ritchie-, o filme tem todos os ingredientes necessários: gangstairs malucos, mulheres “popozudas”, sangue e torturas, situações absurdas,  sexo q.b., tudo à portuguesa, com o bairro da Picheleira como pano do fundo.

O protagonista da história é Vega, um criminoso desajeitado, interpretado por um incrível Ian Velloza, que, depois de anos de desonesto trabalho, é despedido pelo chefe do seu gangue, Barbas, aka Daniel Martinho. Faminto de vingança, o Vega decide então passar à acção contra o seu antigo chefe, com a ajuda do Zé Tolas, uma espécie de Chuck Norris sem braços nem pernas, interpretado por Paulo Azevedo. A história acaba num crescendo de situações absurdas, tiroteios, roubos, traições, com chungaria à mistura, como manda a tradição do género.

Irreverente e politicamente incorrecto, é um filme que, com certeza, não nos deixa indiferentes. Até pela maneira como foi produzido. É uma obra que se obrigou a nascer sem ajuda de paramédicos”, afirma o realizador. E de facto, sem financiamento estatal de nenhum tipo, Nirvana nasceu da paixão e da vontade de fazer cinema, em primeiro lugar. Tendo em conta as dificuldades características de se fazer um filme nestas condições, o resultado não só cheira a milagre, como parece um acto de guerrilha, e não é por acaso que a produtora  criada por Tiago P. Carvalho se chama mesmo GuerrilhaFilms. Um vento de novidade quer soprar sobre as salas de cinema do país. Nirvana é, gostem ou não do género, um exemplo corajoso disso, que está a espera de ser seguido por outros.

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