NOS Primavera Sound – Dia 2

Texto: Viviana Martins
Fotografia: Luis Sustelo

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Segundo dia de NOS Primavera Sound e já só queremos que o tempo pare para que o dia de amanhã, o último, não chegue. O que também queremos que pare é esta ameaça de chuva, que todos os dias nos faz carregar os melhores impermeáveis na mochila, prontos para saltarem cá para fora. Mas vamos a isto que a noite de ontem teve muita coisa a acontecer ao mesmo tempo e em palcos diferentes (dois novos palcos a funcionar, o Palco Pitchfork e o Palco ATP) que tentámos nao perder.
Chegámos perto das 19h ao recinto e aproveitámos a pequena fila, nas famosas sandes Guedes, para ir logo comer.
No Palco SuperBock, já se ouvem os Midlake a tocar há algum tempo e enquanto caminhamos para o Palco ATP ouvimos Roscoe, o nosso tema favorito da banda. Ainda não tinhamos tido oportunidade de ouvir o novo vocalista, Eric Pulido e foi estranho sentir a diferença tão grande com o antigo vocalista Tim Smith. Chegámos ao Palco ATP para o inicio dos velhinhos Televison, um pouco desfalcados, mas com muito público ansioso em relembrar temas do passado. Somos dos anos 90 e pouco ou nada sabiamos destes senhores, por isso os grandes temas não foram suficientes para nos prenderem ao concerto – é que no Palco NOS já tocam as Warpaint e essas conhecemos nós muito bem. Undertow do antigo The Fool, inicia uma odisseia de canções do novo Warpaint. Depois de um concerto muito bom na Aula Magna, em Março, num ambiente criado à medida das cinco californianas, era difícil surpreendermo-nos. Love is to die, a mais bem conseguida num cenario nublado e ventoso.

Seguem-se os Slowdive. Para quem não tinha expectativas para este concerto, de certeza que se vai lembrar dele durante algum tempo. Não nos peçam nomes de músicas e nem alinhamentos, confessamos que não sabemos nada. A única coisa que vos podemos dizer é que foi a surpresa da noite e arriscariamos a dizer, que do festival. Queremos mais, mesmo que o pano de fundo nao volte a ser o melhor (quase impossível) queremos ver estes ingleses outra vez.
Pixies, os grandes cabeça de cartaz do festival. O palco principal encheu como ainda não tinhamos visto este ano. A banda de Frank Black tocou todas as musicas que o público queria ouvir. Foi um desfilar de grandes canções que fazem parte da história, como a divertida Here Comes Your Man e a magnífica Where Is My Mind, uma das melhores músicas de sempre. Mas como todos os regressos há sempre um lado menos doce, os novos temas do recente album Indie Cindy, para os quais o publico nao estava preparado. É sempre darem-se segundas oportunidades, o passado tem sempre mais força, mas valeu o esforço e a entrega da banda vinte e três anos depois.

E chegou a hora de nos dividirmos, não podemos perder a estreia de Darkside em Portugal no Palco Pitchfork e o regresso dos Mogwai, desta vez ao Parque da Cidade, no Palco Principal.
Não temos fotografias dos Darkside mas não podiamos deixar passar este concerto, que para nós foi um dos melhores do festival até agora. Nicolas Jaar é génio na sua arte e isso já nós sabiamos. Agora acompanhado por Dave Harrigson a brincar nos seus múltiplos instrumentos, temas como Paper Trails, que nos levaram para um estado de hipnose, do qual só regressamos no final do concerto. Valeu, Nico. Volta rápido.
Entretanto do outro lado do recinto, já tocavam os Mogwai. Música que serve para (re)criar as histórias que quisermos. Mais crescidos e com Rave Tapes ainda fresquinho, os Mogwai deram um concerto competente. Do novo álbum ouviram-se Remurdered e Masterclass, e no regresso ao passado, do qual pessoalmente gostamos mais, a belissima White Noise.
Ainda aguentámos um pezinho de dança com o Todd Terje. E foi para o Palco Pitchfork que a multidao se encaminhou.

Hoje, no último dia desta edição do NOS Primavera Sound, há The National, vamos lá afinar as vozes.