O Passado Imperfeito de Maria Pedro Olaio

Maria Pedro Olaio é a artista responsável por uma interacção inédita com a natureza na criação de peças cerâmicas.

Maria Pedro Olaio é a artista responsável por uma interacção inédita com a natureza na criação de peças cerâmicas. Todo o seu trabalho acontece nos Açores, iniciando no uso de argila no seu estado puro para a criação, da Ilha de Santa Maria, sendo a coloração realizada pela contaminação de micro-organismos presentes nas nascentes termais da freguesia das Furnas.

As peças depois de modeladas são cozidas a 1000ºC em forno eléctrico, e de seguida imersas nas águas das fumarolas da zona termal das Furnas, na ilha de São Miguel Açores, durante varias semanas ou até meses.

Os micro-organismos deste habitat produzem pigmentação que altera a cor e textura das peças. Esta cor é impossível de ser obtida com qualquer outro tipo de pigmento não natural, que não o proveniente deste processo. Assim, a reprodução da coloração das peças torna-se impossível devido a sua imprevisibilidade, o que reforça o seu valor artístico e estético. O único agente externo entre a artista e a natureza é o forno utilizado para a cozedura das peças.

Este projecto nasce de uma forma simples sem a pretensão de criar algo belo, quase como um chamamento da terra.

O uso dos campos de fumarolas das Furnas, pela artista contou com apoio de biólogos açorianos e da aprovação da Secretaria Regional dos Recursos Naturais dos Açores, de forma a garantir que não teria impactos no ecossistema local.

“Este projecto nasce de uma forma simples sem a pretensão de criar algo belo, quase como um chamamento da terra. Esta ilha transmitiu-me a sua simplicidade tão natural e bela. A partida para a criação foi deixar-me levar num sentimento de união com a natureza. O meu trabalho é dar forma ao barro e devolvê-lo à terra, onde interage com microrganismos, que o finalizam”, afirma a artista.

Parte da singularidade do Arquipélago dos Açores advém do facto de ter sido formado por actividade vulcânica há milhões de anos. Estes campos, como o das Furnas, são áreas de concentração de nascentes termais associadas a zonas onde o magma se encontra a baixa profundidade e as rochas quentes interagem com a água dos aquíferos. Como resultado desta interacção existe no habitat das nascentes termais intensa actividade microbiana.

Passado Imperfeito é, assim, uma união da arte com o património natural e cultural dos Açores, dando à Freguesia das Furnas uma percepção artística e não apenas ambiental. A exposição tem curadoria de Letícia de Melo e estará exposta em Coimbra, no Mosteiro de Santa Clara a Velha até ao dia 6 de Julho e depois, no Museu de Aveiro, de 11 de Julho a 11 de Agosto.

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