
Uma constelação janelar munida de fotografias, tintas, pincéis e jóias e aterram e invadem o espaço Yron em jeito de explosão criativa. São janelas, muitas janelas que ao invés de nos permitirem a observação de uma paisagem a encerram em si através da arte.
É o conceptualizar do universo digital do site Janela Urbana pela mão de vários artistas das mais variadas áreas como as artes plásticas, joalharia, moda e fotografia numa mistura entre conceituados e emergentes. O site desmembra-se, multiplica-se e os tentáculos digitais materializam-se em vários corpos criativos que personalizam todo o espaço envolvente povoando o tecto o chão e vários módulos.
Bruno Ayala é o criador deste site que nos leva mais além e nos transporta para este mundo cibernético-cultural cujo lema é promover o novo e criar o velho. E porque não dar uma forma tridimensional a toda esta filosofia? De uma forma poética Bruno resume todo o conceito. «Quero criar o abstracto de uma janela em si, que tanto pode ser um ponto de saída como um ponto de entrada. Entra luz, sai paisagem ou vice-versa». JANELA URBANA LIVE at’YRON é no fundo a reprodução da urbe em que vivemos e cada janela é ilustradora do seu habitante ou seja do criativo que nela enclausura a sua forma de expressão. E cuidado para não tropeçar na janelas pois elas invadem literalmente o espaço à semelhança do que se passa quando circulamos pela cidade. Todos os dias nos deparamos com obstáculos e somos coagidos a desviarmos-nos do nosso caminho eleito. A circulação pelo espaço é idêntica e somos nós que traçamos o nosso percurso através destes ambíguos e criativos ecrãs culturais.
Até é possível comprar arte “de olhos vendados” a preços bastante acessíveis, muito diferentes dos que vemos nas galerias, como tal não vai ser necessário “contar os trocos” porque o Mural Magnético realiza o nosso sonho de levar uma obra de arte para casa. Os desenhos são feitos por vários artistas e o objecto final é uma obra de arte magneto em forma de postal. E a quem pertencem? A verdade só será desvendada no acto da compra porque as peças não estão identificadas. Há que comprá-las não pelo status mas sim pelo prazer de levar aquele desenho para casa. O Yron transforma-se numa janela expositiva de muita da criatividade que percorre as veias e artérias principais da cultura urbana.
ELSA GARCIA, jornalista, 2009
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