Pierre Garroudi

Pierre Garroudi é definitivamente um designer que exala criatividade. Há algumas semanas atrás, tive a sorte de entrevistar este estilista de alta-costura na sua galeria em Londres. Mal entrei, fui atingida por uma onda relaxante e colorida que enche cada recanto daquele espaço...

Estamos naquela fase maravilhosa do ano em que designers de todo o mundo chegam à capital britânica para mostrar as suas últimas colecções e definir algumas das principais tendências. Sim, refiro-me à London Fashion Week e eu sou uma das pessoas que realmente aguardam ansiosamente para ver algumas colecções emocionantes que transbordam criatividade… ou pelo menos é isso que eu espero.

Pierre Garroudi é definitivamente um desses designers que exala criatividade e, há algumas semanas atrás, tive a sorte de entrevistar este estilista de alta-costura na sua galeria em Londres. Mal entrei, fui atingida por uma onda relaxando e colorida que enche cada recanto daquele espaço. Haviam muitas pinturas nas paredes, amostras de tecido manipuladas que se encontravam dispostas em torno de várias mesas, manequins vestidos com lindas roupas artesanais, varões pendurados do tecto repletos das coleções anteriores e ainda, candeeiros e desenhos de luz situados ao longo de toda a galeria.

A galeria emanava criatividade e calor de uma forma que somente olhando percebemos o que ele escolheu para o cercar, luz, cor, texturas e as suas criações – soube instantaneamente que o Pierre não é somente um excelente designer, como também uma pessoa apaixonada pela sua arte.

Vamos começar pelo início. Onde cresceu?
No Teerão, Irão.

Quando é que se apercebeu que queria ser designer de moda?
Eu nunca pensei sequer que algum dia queria ser designer de moda. Era uma criança normal, costumava jogar futebol, rasgava os meus jeans e fazia tudo aquilo que um rapaz normal na minha idade fazia. Foi na minha adolescência que comecei a ter algum cuidado com o que vestia e depois, mudei-me para Paris… de Paris para a Florida e finalmente, para Manhattan, em Nova Iorque. Foi lá que cheguei à conclusão que queria ser designer de moda.

Isso deve ter sido bastante excitante e ao mesmo tempo assustador… que idade tinha quando se mudou para Paris? Era um adolescente?
Sim, foi na minha adolescência e sim, foi muito excitante. Assustador? Bem, devo dizer que havia o medo do desconhecido, mas isso depende da forma como o encaras. Fiquei em Paris por cerca de cinco anos, na Florida fiquei mais algum tempo até que me mudei para Nova Iorque, onde me estabeleci durante catorze anos – Esse foi um periodo muito emocionante.

Considera-se um artista?
Absolutamente. Expresso-me através das minhas criações, e também pinto.

Ai sim?
Sim, a maioria das pinturas que podes observar nesta galeria são minhas. Também, a maioria do design de iluminação que vês à tua volta, é meu. Tudo é uma expressão para mim, é tudo a mesma coisa. Quer eu esteja a comunicar a minha arte através de um vestido, ou através de uma pintura, ou de um candeeiro, eu estou a comunicar-me.

Quando estava a crescer, tinha algum designer favorito?
Sim, Issey Miyake, Thierry Mugler. Adorava designers japoneses quando estava a crescer.

O que gostava nestes designers?
Eles eram criativos, eles não estavam a fazer coisas que os outros designers estavam a fazer e sobretudo, eles estavam a definir tendências. Quero dizer, toda a gente é atraída pelos artistas, designers, há algo de louco sobre eles e porquê? Porque a criatividade é o estado mais próximo que podes ter a Deus. É o poder de criar.
Mas realmente, ninguém cria nada, encontramos coisas, descobrimos coisas, copiamos e posteriormente reciclamo-las em algo novo e excitante. Acho esses designers e as suas criações emocionantes.

Quem e o que o inspira?
Para mim não há o quem e o quê, para mim há o tudo. Tudo inspira-me. Eu tento o meu melhor para ser como uma esponja de forma a absorver tudo à minha volta. Não consigo realmente explicar-me, acho que simplesmente tento absorver tudo à minha volta e a forma como encaro essas coisas, eu crio-as.

O que a Moda significa para si?
A Moda significa pessoas, a moda é uma ferramenta usada para comunicar, a moda significa uma expressão pessoal. Usas a moda para dizer quem és, o que procuras e o que é importante para ti. Acho que a moda tem diferentes significados para diferentes pessoas, mas para mim, é uma ferramenta de comunicação, é a expressão do nós próprios.

Existe algo sobre o seu trabalho que o distingue dos outros designers? Há algo unico sobre aquilo que faz?
Bem, em primeiro lugar, cada colecção tem uma cor diferente, todas as peças numa colecção tem a mesma cor e todos os tecidos utilizados são também manipulados. Não consegues comprar por ai os meus tecidos (risos).

Sim, é muito evidente que você manipula o tecido, vi algo exemplos magníficos ao longo da sua galeria. Quão importante é a manipulação do tecido para si?
Para mim, a manipulação do tecido é o próximo passo na moda. É tudo sobre a superfície das peças e trazer vida ao tecido, o que inevitavelmente trás vida à peça em si. Adoro manipulação, se vais manipular os teus tecidos, tens de amar fazê-lo porque ele é parte integral no teu trabalho e faz grande parte do meu. Manipulo os meus tecidos porque sinto que isto me distingue de qualquer outro designer, como disse antes, não podes comprar os meus tecidos por ai, cada peça leva cerca de um mês a ser desenvolvida, é exclusiva – e eu adoro isso.

A produção desempenha um papel importante nas suas apresentações? Esta é tão importante quanto a roupa que apresenta?
Absolutamente, a produção desempenha um papel gigante e ela tem de honrar a roupa. Se a produção foi errada, isso pode arruinar a mensagem que estamos a tentar transmitir através dessa peça de roupa. As manequins tem de se tornar o vestido, de outra forma não funcionaria. Elas alimentam-se uma da outra.

Para quem é que desenha? Tem algum tipo de mulher em mente antes de iniciar o processo? Ou tudo é um processo impulsivo?
É definitivamente algo impulsivo para mim. Nunca tenho alguém em mente, nunca sigo a forma ou o modelo de alguém. É como se pudesses desenhar para o corpo ou a forma de alguém, mas para mim é tudo uma questão de definir tendências e não se seguir algo, ou alguém. Simplesmente planeio, executo e as pessoas adorarem elas dizem “Pierre eu adoro!”
Crio livremente, sem restrições, sem nada em mente excepto a minha arte.

O que faz no seu tempo livre? O que é que o Pierre Garroudi faz para se divertir?
(risos)
Eu não tenho tempo livre e especialmente quando tenho uma colecção para produzir, eu paro tudo! Não pinto, não escrevo, não saio – nada. Dedico-me completamente ao meu trabalho e faço-o alegremente, cada colecção é como um sonho e eu coloco tudo o que tenho nos meus sonhos.

Diga-me algo aleatório sobre si. Algo como “Adoro manteiga de amendoím”, algo não relacionado com moda.
(risos)
Gosto muito de gatos!

E o que é que você gosta nos gatos, Pierre?
Se tens um cão, tu é que mandas, se tens um gato, eles é que mandam! Os gatos são muito porreiros, muito elegantes, a forma como se movem, tão misteriosa! Talvez por isso é que tenhamos a catwalk, acho eu. Simplesmente adoro tudo neles, os olhos, as manchas, eles influenciam-me muito.
Eu amo todos os animais, porém, todos os mamíferos são adoravelmente fofos e todos os animais são lindos.

É interessante que mencione os animais, porque sinto que as suas roupas tem algo de animalesco, da forma como tem a sua estrutura e textura, quase parecem vivas, concorda?
Sim, exactamente! As minhas roupas estão vivas!

Qual é a sua mensagem? O que quer passar através das suas roupas?
Beleza. Focus na beleza da vida.
Quero que as minhas roupas façam as pessoas sorrir e sentir-se felizes. Quero que as minhas roupas comuniquem que eu estive inspirado pela beleza e espero que elas toquem alguém e que na próxima vez que esse alguém olhe para algo, para o que quer que seja, tente ver a beleza das coisas.

Mais uma questão Pierre e depois, pode voltar à sua máquina de costura… Está ansioso pela London Fashion Week?
Claro que sim! É por isso que tenho trabalhado tão arduamente, é muito excitante para mim e estou verdadeiramente entusiasmado em mostrar e partilhar as minhas criações. Mal consigo esperar!

Bem, pelo que consigo dizer, realmente gostei de entrevistar este homem. Depois da entrevista, ele fez-me uma vista à sua galeria, deixou-me fotografar a sua colecção anterior e até deixou-me fotografar pormenores da sua próxima colecção (é tuda em turquesa e feita de seda, lindo!).

www.pierregarroudi.com

A Janela Urbana agradece à Bahkti pela realização desta entrevista e desta forma dar-nos a conhecer este excelente designer. Vejam o blog dela em www.freaksgeeksandstrangegirls.com

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