Hello Tarik!

Nasceu em Paris, viveu e conheceu meio mundo. Hoje, com um pé na moda e outro nas novas tecnologias é o proprietário e fundador da SWELL, uma agência digital que tem tanto de novo como de interessante. Foi com entusiasmo que fomos ao encontro de Tarik Malak e ficámos a conhecê-lo um pouco melhor.

JURB: Como foi a tua juventude, crescendo em Paris?
Tarik: Tecnicamente, eu cresci, nos subúrbios do nordeste de Paris. Não muito longe das zonas onde os carros ardem com frequência… Não era uma zona particularmente elegante, digamos! Podia contar-vos cá com cada história! Mas não iriam acreditar em mim..

Costumava jogar basquetebol, treinar artes marciais, vaguear pelas ruas de Paris … Graças à minha família (e eles são mesmo excelentes), a minha juventude foi muito boa. Digamos que comecei muito cedo a dar o devido valor às coisas e a perceber o que é o chamado “trabalho duro”.

Em pequeno, o que querias ser quando fosses grande?
Acho que durante a minha juventude fui um pouco como aquele tipo do “Catch Me If You Can”, sempre a mudar de ideias e a tornar-me cada vez mais auto-confiante. Sempre achei que iria conseguir atingir o que quer que fosse. Um dia queria ser artista, no outro dia um chefe da máfia, até que, durante a adolescência a realidade “mordeu-me” !

Tive muitos empregos enquanto estudava, e grande parte deles eram muito maus. Então, prometi a mim mesmo que iria trabalhar no duro o suficiente até ter empregos que fossem realmente agradáveis. Até agora, tudo bem.

Quando é que percebeste que eras uma pessoa criativa?
Suponho que sempre soube. Apesar de me imaginar como um generalista, ao invés de um especialista. Estou igualmente confortável com os números, com a tecnologia e com a estratégia de negócios – tudo está ligado na minha cabeça. Podes ser criativo e ser um advogado, um comerciante, o proprietário de uma empresa. É uma mentalidade, um mindset. As ideias frescas em todo o lado.

Agora, do que eu gosto mesmo muito, é de criar algo a partir do zero, seja lá o que isso for. Sempre tive uma opinião muito forte e decisiva sobre o que me parece bem ou não.

Tarik Malak

Algumas pessoas chamam-te o “21st century ideas man”! O que achas desse termo? É verdade?
Eu não sei exactamente o que isso significa, na verdade. Apenas não tenho medo da rapidez com que as coisas mudam; pelo contrário, eu aceito-a.

Consideras-te um especialista em…?
Especialista é uma palavra muito forte, mas sou conhecedor de algumas coisas, tais como vinhos franceses e gastronomia em geral… Também de marketing de marcas de luxo, desportos de combate, novas tecnologias e fotografia de moda. Também possuo conhecimentos de coisas estranhas, como geopolítica e história do crime organizado… Gasto mesmo muito tempo na Internet!

Qual a tua maior obsessão?
Prefiro não responder a essa… Ficariam com medo…

Ter um pé firmemente colocado no mundo da moda e outro no mundo da tecnologia é o meu maior trunfo neste momento. Esta citação é tua; consideras-te um “beauty and the geek kind of guy”?
Acho que sim. Pelo menos, profissionalmente falando …

Livros em papel ou e-books?
Livros em papel se for literatura. Caso contrário, nada substitui o meu laptop.

A tradicional publicidade e promoção em papel está a morrer?
A morrer não, mas definitivamente a encolher…

Que opinião tens sobre a revolução dos media e o fim da privacidade?
Essa é uma questão muito vasta, precisava de algumas horas para responder a essa. É apenas o fim da privacidade da maneira como a conhecemos. Até certo ponto, parece que toda a gente se comporta como se fossem uma espécie de figuras públicas. O sucesso inicial do Google + prova que as pessoas ainda estão presas a níveis (círculos, vá) compreensíveis de privacidade.

Qual é o futuro para as marcas e suas estratégias de comunicação?
Essa resposta vou guardar para os clientes e parceiros da SWELL!! (risos)

Mac ou PC?
Mac. Até mesmo quando a Apple se torna irritante com a sua estratégia (anti-pros) de consumidor. Basta ver o Final Cut Pro X… Terrível… Mas eu sou viciado na Apple. Os outros fazem doer-me os olhos, não consigo explicar porquê.

Quem é o teu ícone da Moda?
Marcello Mastroianni no início dos anos 60 e Humphrey Bogart. Os meus ícones de estilo são geralmente personagens de filmes da velha guarda. Não é apenas moda, é uma questão de estilo, o que é muito mais vasto.

O que sabes sobre Portugal? Já lá estiveste?
Já fui a Lisboa, adorei mesmo, grande cidade! Também fui para sul (costa), não me lembro para que cidade; foi em meados de Agosto o que foi uma má ideia, porque estava povoado demais para se poder desfrutar. Nunca vi tantos britânicos bêbados! Também já ouvi boas opiniões sobre o Porto,embora nunca lá tenha ido, e quero muito visitá-lo.

Top 5 dos melhores filmes de todos os tempos?
Difícil… Podia passar semanas a tentar responder…

OK, deixa-me tentar. Assim de repente, Taxi Driver, Barry Lyndon, 8 ½, Casablanca, The Shining Blade Runner, Chinatown, Hana Bi, Goodfellas, Blowup, La Haine, Citizen Kane, Cidade de Deus, Full Metal Jacket, Scarface ou The Big Lebowski também poderiam constar desta lista. E mesmo assim, estou-me a esquecer de tantos outros.

És o proprietário e fundador da SWELL. Fala-nos um pouco sobre isto…
É um novo tipo de agência digital, uma loja criativa. Na SWELL concentramo-nos principalmente em marcas de moda. As nossas competências englobam desde conteúdos em vídeo a aplicações móveis, passando pelas estratégias de social media. Cortamos com os intermediários tanto quanto possível. Muito do que fazemos é feito in-house, incluindo toda a pós-produção de vídeo.

Qual é o conceito central da agência?
Ser a agência digital mais relevante no cenário da moda e das marcas de luxo; ser a alavanca das novíssimas tecnologias e da criatividade extrema para ajudar as marcas a comunicar de forma inovadora e visualmente impressionante.

De que forma é que diferem das outras agências digitais?
Na verdade, a nossa organização é bastante diferente, concentramo-nos a fazer as coisas e não em produzir “Power Points”. Não somos muito bons a vender-nos a nós próprios, porque, na maioria das vezes, estamos muito ocupados a criar.

A SWELL é o futuro das agências?
Não necessariamente. Algumas marcas sentem-se mais confortáveis a trabalhar com agências com uma estrutura mais tradicional. Mas estamos definitivamente no bom caminho…

Este projecto é recente… Há quanto tempo estava na tua cabeça? Foi um “filho” planeado?
Eu diria que comecei a pensar na estrutura base da SWELL há 3 anos. Muita coisa mudou desde então. Tudo está em constante movimento.

A ideia era aproveitar a mistura das minhas experiências anteriores: Fashion meets Communication meets Technology. Eu apenas tive muita sorte com o facto dessa combinação específica se ter tornado tão relevante.

Em que tipo de projectos estão a trabalhar neste momento?
Não posso divulgar muito, mas durante os meses Agosto e Setembro irão sair alguns vídeos de moda e aplicações para iPad.

Tarik, obrigado por esta entrevista!
Obrigado eu!

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