Class Actress na 3ª Black Balloon @ Lux

Dia 23 de Março, no Lux em Lisboa, um concerto dos Class Actress na abertura da terceira noite Black Balloon, como sempre com o anfitrião Pedro Ramos (Radar) que nesta noite partilha a cabine com o conhecido músico catalão El Guincho.

Class Actress: “Elizabeth Harper mudou-se de Los Angeles para Nova Iorque com a mesma velocidade com que se apaixonou pelos sintetizadores de Mark Richardson. Rapidamente disse adeus à guitarra acústica em que compunha as suas canções frágeis, assim que percebeu que estas eram feitas de dança e de desejo, coisas concretas. Scott Rosenthall completa a formação deste trio, agora sediadoem Brooklyn. Chamam-se Class Actress.

Depois do EP “Journal Of Ardency”, de 2010 (editado pela Terrible Records de Chris Taylor dos Grizzly Bear), mostraram ao mundo exterior o primeiro longa-duração Rapprocher em Outubro do ano passado pela Carpark, a mesma casa de Toro Y Moi ou Dan Deacon e a primeira editora a acreditar nos Beach House.

Rapprocher é um cintilante diamante pop envolto em lençóis sujos.

“Keep You”, “Weekend” ou “Love Me Like You Used To” são canções fáceis para tempos desesperantes, onde a carne precisa de fugir à razão sempre que nos lembramos de quem está no poder. A sábia e infinita vontade de Class Actress em espalhar sexo tórrido pelos auscultadores é uma das melhores coisas do Universo nesta altura.

E só me apetece desligar as notícias.” Pedro Ramos

El Guincho: “Se enquanto El Guincho, tanto em disco como em palco, as ideias de Pablo Díaz-Reixa são diversas e multicromáticas, imagino que atrás dos pratos o músico de Barcelona seja ainda mais todo-o terreno nos seus gostos. Ele próprio é um estudioso dos vários processos de gravação e assume os produtores Tony Visconti, Trevor Horn ou Quincy Jones como influências maiores do último álbum Pop Negro, apresentando mesmo breves teses sobre sons de bateria e outros pormenores no seu site oficial, citando hits de Bowie a Les Rita Mitsouko, Evelyn ‘Champagne’ King ou Mariah Carey. Entre a luz e o lixo, do calypso ao apocalipse, estou certo de que não será tímido na hora de utilizar a arma certa para nos falar às ancas.” Pedro Ramos

A noite continua na discoteca com Julio Bashmore e Rui Vargas: “Quando Julio Bashmore intitulou a faixa que o fez explodir na dance scene britânica, de “Battle For Middle You”, muito mais do qualquer conotação bélica que lhe quisessemos atribuir, estava uma sua declaração de intenções : a música de Julio Bashmore aponta direito ao meio de nós, ao coração. Bashmore quer ir bem fundo ao centro das nossas emoções, e armas não lhe faltam na sua missão de nos conquistar.

E conquistar-nos é o que tem feito, e com uma rapidez pouco vulgar. Com apenas 3 anos debaixo do foco dos amantes do género, Bashmore começou por destacar-se como um farol na soturna Bristol, de onde é originário. Num autêntico caldeirão de tradições da música electrónica inglesa mais viradas para um lado soturno da vivência musical, Julio é assumidamente dedicado ao house e professa-o afincadamente, não se escondendo de dar destaque nas suas produções aos vocais, aos baixos vivos, aos acordes luminosos, do que de mais clássico há no género, tendo até começado por editar na Dirtybird de Claude Von Stroke. Estas são as primeiras das tais armas, a que o seu talento confere pontaria, mas o arsenal não se fica por aqui. Não imune ao cenário pós-dubstep que tem varrido as ilhas para lá da Mancha, Bashmore tem estado na frente do cruzamento house/2-step/garage ao lado de nomes como Midland, Joy Orbison, Pearson Sound ou até Scuba, chegando a remisturar os “nossos” Buraka Som Sistema.

O resultado é que, por onde passa, não tem havido linha da frente que lhe resista. O próximo território a ocupar, é a pista do Lux. Se tudo isto vos soou afinal demasiado bélico, não há que temer : Bashmore é mais dado aos sapatos de verniz do que às botas cardadas. Preparem-se para a batalha pelo nosso coração.” Nuno Mendonça

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