“Flecha” de Bruno Cidra na Galeria Baginski
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A exposição “Flecha” de Bruno Cidra é composta por uma série trabalhos inéditos de escultura e desenho que propõem uma nova leitura do espaço da galeria. A instalação projectada para as duas salas da Baginski, Galeria/Projectos resulta de um vasto exercício de estudo e exploração do espaço, os seus limites e valências arquitectónicas. As peças autónomas, transladadas do ateliê do artista mas pensadas para as coordenadas físicas da galeria, redesenham o espaço através de uma série de cortes verticais e horizontais que reorientam o espectador de forma a torná-lo parte integrante da obra, num diálogo onde a instalação opera um campo de força e de equilíbrio, promovendo novas qualificações do lugar.

A relação entre desenho e escultura mostra-se como um dos elementos decisivos para apreensão do conjunto, evidenciando afinidades que atenuam as fronteiras entre os dois territórios disciplinares. O papel, suporte tradicional para o desenho, funciona como matéria-prima para corpo e discurso escultóricos. A sua combinação com o ferro conduz a uma tensão de polaridades, entre resistência e fragilidade, peso e leveza, perenidade e efemeridade, contribuindo para uma leitura das peças que nunca é total. As faces em ferro dão gradualmente lugar ao papel, e vice-versa, num contínuo ocultar e desvelar recíprocos. A galeria é, por processo análogo, concebida enquanto a folha branca que se presta a ser intervencionada, definindo através de diferentes espessuras, ritmos e intensidades estabelecidas pelo ferro e papel, um vocabulário formal que é do desenho. A relação promovida entre desenho e escultura é, pois, de reciprocidade e permuta de sentidos, num processo de transposição do bidimensional para o campo da tridimensionalidade, do plano ilusório para o real, confundindo superfície e dispositivo num tecido comum.

A instalação é completa com a apresentação de um conjunto de desenhos que funcionam como as matrizes conceptuais para materialização escultórica. O papel, agora suporte de um desenho que se instaura através de geografias de carácter gráfico, surge como ferramenta de desenvolvimento dos aspectos tridimensionais e temáticos do projecto. Ganhando altura e escala, os desenhos são de seguida transpostos para o espaço de uma forma directa, deixando de desenhar a superfície de papel para desenharem, efectiva e activamente, espaço. As esculturas ganham assim os seus primeiros contornos no suporte desenho, num processo que se mostra ainda semelhante ao da arquitectura: o papel como momento primordial para a gestação do espaço, seja da escultura ou da arquitectura, palco de resoluções espaciais, reajustamentos formais e até mesmo conceptuais.

Esta exposição pode ser visitada de 21 de Março a 12 de Maio na Baginski, Galeria/Projectos, em Lisboa.

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