Design Português pela 3ª vez na Bienal da Eslovénia

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O Design português está pela terceira vez consecutiva na prestigiada BIO – Bienal de Design Industrial da Eslovénia, em Lubliana. O projecto Fishing for Ideas, de Rui Quinta e Tiago Gonçalves Nunes, está entre os trabalhos a concurso na corrida aos prémios deste ano.

Fishing for Ideas, o único projecto de design português seleccionado pelo júri internacional do Concurso BIO.23, na categoria “Globalização”, vai agora estar presente na 23ª edição desta prestigiada bienal, um dos principais e mais influentes eventos internacionais desta área, onde são expostos os melhores produtos e protótipos nos campos da inovação, do design industrial, comunicação visual e conceitos de design.

Rui Quinta, 31 anos, Designer e Estratega de Marca, faz a estreia na Eslovénia, onde o projecto Fishing for Ideas reforça a projecção internacional do design made in Portugal. “O facto de termos sido seleccionados só comprova e reforça a importância que o design e os processos de design podem ter sobre o desenho e implementação de um negócio ou a realização de uma marca”, destaca.

Para Tiago Gonçalves Nunes, 28 anos, Designer especializado em Design Estratégico e Inovação, esta é terceira presença na bienal, depois de ter sido o primeiro português, desde 1964, a ser seleccionado, com o trabalho “90 Minutes Cup”, em 2008. Em 2010, voltou a marcar presença com o projecto “Libra_V3”. “Ser uma vez mais seleccionado para a Bio e pela terceira vez consecutiva é uma enorme satisfação. Esta nova distinção, tem um significado especial, uma vez que demonstra o potencial do Design numa perspectiva diferente, mais em torno de processos organizacionais e de gestão e como forma de redesenhar um negócio”, salienta.

À pesca de ideia para refrescar negócio familiar

Rui e Tiago, regressados de Berlim, após um ano a estudar o processo de inovação Design Thinking, andaram á pesca de ideias e de conceitos para renovar a vida de uma das mais antigas empresas de pesca mais antiga do país no MARL (fundada em 1986), a Sodomar. Empresa familiar.  Por estar inserida num sector com muita tradição, mas pouca dinâmica e inovação, e que em Portugal está em declínio ano após ano, desde os últimos 10 a 15 anos, era preciso refrescar o negócio da família do Rui.

O projecto Fishing for ideas, que decorreu intensivamente durante dois meses, utilizou uma abordagem pouco comum para este tipo de problemas, uma abordagem pelo Design e aberta a todos os que quisessem sugerir ideias e participar abertamente, para ajudar esta empresa a prosperar no negócio do peixe, durante as próximas décadas. Tiveram a contribuição de mais de 10 especialistas em inovação, desenvolvimento de negócios, design thinking, branding e marketing, e de centenas de pessoas on-line e no Facebook para brainstorms em tempo real, criando assim um dos projectos de inovação mais genuínos e transparentes já testemunhados em Portugal.

 “Este projecto permitiu dar uma visão optimista de futuro a uma PME portuguesa, que como muitas das PME portuguesas trabalhava da mesma forma há décadas sem conseguir inovar nos processos. A Sodomar já tem 12 novos clientes, os funcionários estão mais seguros  nas suas actividades diárias após workshops motivacionais e reuniões diárias e actualizações  A empresa está a negociar o futuro sem medo de testar novas soluções junto do consumidor final”, explicam Rui e Tiago.

BIO 23 com 90 projectos de 27 países

O projecto Fishing for Ideas foi seleccionado por um Comité independente internacional para participar na bienal, depois do júri do concurso  BIO.23 ter recebido 437 candidaturas de designers de 38 países.

No total, participam na exposição 90 Projectos, de  27  países  (Áustria,   Bélgica, Brasil, Canadá, Croácia, República Checa, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Índia, Israel, Itália, Letónia, Holanda, Noruega, Portugal, Eslováquia, Eslovénia, Sérvia, Espanha, Sri Lanka, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos da América).

Na edição  deste  ano  foram  seleccionados trabalhos que mostram um impulso de como os designers e as obras que eles criam são influenciados pelas tecnologias modernas, digitalização e novas tecnologias. Outras obras selecionadas mostram designers contemporâneos que abraçam a desenvoltura da natureza e seus processos, enquanto outros exibem uma capacidade incrível de usar a tecnologia.

Depois de uma rigorosa inspecção a todos os trabalhos admitidos na exposição, um júri internacional independente, composto por especialistas conceituados, vai rever todos os trabalhos seleccionados e atribuir prémios aos melhores.

Ao longo dos 46 anos da bienal da Eslovénia, foram já muitos os designers de renome internacional premiados e cujos trabalhos integram agora a colecção de design industrial da BIO, como Ron Arad, Kazuo Kawasaki, Judith Rataitz e Marco Zanuso, entre outros.

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