Os mais belos pneus do mundo

Publicado anualmente desde 1964 pela empresa italiana de pneus com o mesmo nome, o Calendário Pirelli reúne os mais prestigiados fotógrafos e ícones da Moda. Por Diana Neves de Carvalho
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por Diana Neves de Carvalho

Num mundo cada vez mais acelerado, a pergunta “que dia é hoje?”  tornou-se um pouco retórica. Desde o “velhinho” relógio, passando pelo smartphone – ou pelo seu “irmão” tablet  – e terminando no computador portátil, há inúmeros objectos que trazemos connosco que nos alertam facilmente para esta informação. Num abrir e fechar de olhos, damos de caras com um calendário.

Falar neste acessório que conhecemos desde sempre, é falar no famoso Calendário Pirelli, publicado anualmente desde 1964 pela empresa italiana de pneus com o mesmo nome, numa reunião de trabalhos dos mais prestigiados fotógrafos e  ícones da cena fashion, retratados em nus e semi-nus nos mais belos cartões postais do mundo.

Em pleno apogeu da era das top models, na década de 80 do século passado (!), nomes famosos como os de Iman (em 1985) ou Naomi Campbell (1987), duas das mais famosas manequins negras de todos os tempos, começaram a aparecer nas tão cobiçadas páginas desta publicação. Posteriormente, corria o ano de 1998, e o fotógrafo Bruce Weber fotografou, pela primeira vez, homens que não eram modelos de profissão, mas que se destacavam por serem importantes figuras do mundo pop. B. B. King, Ewan McGregor e o vocalista da banda irlandesa U2Bono Vox – foram apenas alguns dos elementos do sexo masculino, que emprestaram a sua imagem e carisma às lentes de Weber.

Em 2001, o  fotógrafo peruano Mario Testino, registou várias modelos made in Brazil para o calendário. Os nomes? Gisele Bündchen, Mariana Weickert, Fernanda Tavares e Ana Claudia Michels, entre outras. O cenário? A cidade costeira de Nápoles, no sul de Itália.

Em 2003, novamente Bruce Weber, reúne pela primeira vez homens e mulheres – as brasileiras Alessandra Ambrósio e Isabeli Fontana, e o conterrâneo Marcelo Boldrini, entre muitos outros – para ilustrar as páginas do calendário. Segue-se 2005, com o casting do Calendário Pirelli a trazer belas “chapas” de Adriana Lima, Isabeli Fontana, Liliane Ferrarezi, Valéria Bohn, também brasileiras, e da top inglesa mundialmente conhecida Naomi Campbell, captadas na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.

Coube à übermodel Gisele Bündchen o protagonismo da edição de 2006, acompanhada pela cantora e actriz norte-americana Jennifer Lopez, bem como pela top das tops, a britânica Kate Moss. A surpresa das surpresas chegou em 2007 com a escolha da diva italiana Sophia Loren para a capa do mítico calendário.

Em 2011, o kaiser da moda, Karl Lagerfeld, assinou as fotografias, realizadas num estúdio parisiense, enquanto que no ano passado as imagens levavam o cunho de Mario Sorrenti, que fotografou nomes como Lara Stone, Kate Moss, Guinevere Van Seenus, Edita Vilkevičiūtė, Rinko Kikuchi, Saskia de Brauw, Milla Jovovich, Joan Smalls, Natasha Poly, Isabeli Fontana, Malgosia Bela e Margareth Madè, na ilha francesa da Córsega.

Para o calendário deste ano – que assinala a 40ª edição e é o que contém o maior cariz social de sempre –, a empresa italiana escolheu o fotojornalista Steve McCurry e uma das mais belas cidades do mundo: o Rio de Janeiro, no Brasil. Provando que o “Rio continua lindo”, o artista testemunhou e eternizou o talento de mulheres que exercem trabalhos sociais como Isabeli Fontana (uma veterana nestas andanças, já), Petra Nemcova, Sónia Braga (a internacional actriz brasileira), Hanaa Ben Abdesslem, Liya Kebede, Adriana Lima (a primeira grávida a aparecer num calendário Pirelli), Summer Rayne Oakes, Kyleigh Kuhn, Marisa Monte (conhecida cantora brasileira), Karlie Kloss e Elisa Sednaoui.

Apresentado em Dezembro passado, na cidade que serviu de pano de fundo à produção, o calendário (para muitos o mais reconhecido de todo o planeta) recorreu à fotografia jornalística de McCurry, conhecido por ser o autor, entre outras, da icónica imagem da Rapariga Afegã, que ficou mundialmente conhecida por ser capa da National Geographic, tornando-se no símbolo mundial dos refugiados e da ocupação soviética no Afeganistão.

Segundo o fotógrafo, “a fotografia é um importante e expressivo meio de contar grandes e pequenas histórias da vida quotidiana. Eu tentei capturar o Brasil, a sua paisagem, a sua economia e a sua cultura, juntamente com o elemento humano. Essa é a história que eu quis contar através das minhas lentes”. São 34 fotografias, incluindo 23 retratos de actrizes, cantoras e modelos, nove fotografias que “flagram” a vida do dia-a-dia na cidade carioca e duas imagens de grafittis e murais.

Assim, desengane-se quem pensou que veria belos corpos desnudados em poses ousadas, e capazes de fazer as delícias de qualquer parede de oficina, porque a marca italiana de pneus prescindiu, desta vez, da habitual fórmula de sucesso para fazer um retrato da transformação económica e social do país tropical, naquele que já é chamado de “calendário da alma”.

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