SHO(R)T: Olga Roriz
[wide] Olga Roriz[/wide]Fotografia: Danilo Pavone

Coreógrafa e intérprete reconhecida internacionalmente, Olga Roriz é a mais notável representante da dança portuguesa no mundo. Olga Roriz em 7 perguntas.

Qual é a tua primeira memória?
A minha primeira memória baralha-se com as histórias que os meus pais me contaram. Por isso, numa altura da minha vida senti necessidade de fazer um espécie de retrospectiva das memórias, e no resultado desse exercício é que percebi que me lembro da casa em Viana do Castelo, onde vivi até aos três anos. Lembro-me da parte de baixo da casa: da sala, das escada, e de uns pés a subirem a escada, pés muito grandes, porque eu era pequenina.

O que é que querias ser quando tinhas 12 anos?
Queria ser o que sou hoje. Já o queria ser aos três anos. Naquela idade, eu pensava que eram os bailarinos a fazerem as suas próprias danças, e quando a minha mãe me disse que eram os coreógrafos, eu nem sabia pronunciar a palavra, mas disse “eu quero ser isso”. Só tinha três anos, portanto, aos doze, quando já estava na escola do Teatro São Carlos, eu queria e sabia que era isso que queria fazer.

Uma palavra que odeias, e uma que amas…
As palavras por si são muito importantes. Não acho que ame ou odeie nenhuma. Eu gosto ou não gosto como elas são utilizadas. Por exemplo, eu escrevo muito num caderno que me acompanha sempre. É muito engraçado rever os cadernos para trás, e perceber as recorrências de algumas palavras. Gosto da repetição, tem a ver com o ritmo. Gosto quando uma palavra já não é aquilo que toda gente pensa que é, mas passa a ser outra, como na poesia.

Uma coisa que nunca vestirias…
Jeans.

O que tens na tua mesa de cabeceira neste momento?
O livro de Mircea Eliade “O Reencontro com o Sagrado”, que tem a ver com o meu novo solo, A Sagração da Primavera, “A Civilização do Espectáculo” de Mario Vargas Llosa, mais dois livros da Maria Velho da Costa, que já acabei mas que deixo estar aí, “As Benevolentes” de Jonathan Littell, umas gotas para os olhos, um candeeiro, os tampões para os ouvidos, e um lápis, para sublinhar os livros.

A coisa que mais te enche de orgulho…
Acho que o orgulho se sente quando algo ou alguém que faz parte de cada um de nós nos perturba emocionalmente, nos faz um nó na garganta, nos fascina e desejamos partilhar com os outros. Não consigo esconder o orgulho que tenho na minha filha Sara, como mulher mas sobretudo como artista com todo o seu talento criativo. Com 25 anos está já a preparar a sua primeira encenação. Quando a olho, sinto um bocadinho de mim ali também, e sinto-me muito orgulhosa porque está fora de mim.

Se a tua vida fosse uma cena de filme, qual seria?
Seria uma cena com uma floresta, no fim da tarde, com os raios do sol a passarem entre as ramagens e uma mulher a correr com um longo vestido, em slow motion.

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