Mesa de Mistura: Django Django

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O filme nem um mês tem de sala na Europa mas já é um clássico na filmografia de Quentin Tarantino. E se há realizador que privilegia a banda sonora enquanto parte determinante do argumento e não apenas enquanto bibelô sonoro é ele.

Em Django, a história não se altera. O espólio do realizador – o som que se ouve nos filmes não vem de editoras mas sim da colecção de vinil de Tarantino – é recuperado como em Pulp Fiction ou Jackie Brown mas desta vez a música negra está representada pelo “aqui e agora” de John Legend e sobretudo Rick Ross. Enquanto nos filmes anteriores se ouviam sobretudo ídolos antigos da soul e do funk –Jungle Boogie dos Kool & The Gang recrudesceu a importância de um grupo nem sempre lembrado pela história da música popular -, desta vez é uma canção rap, a de Rick Ross, que define a importância da banda sonora.

As incidências musicais de Louis Bacalov – um habitual na construção musical dos filmes de Tarantino – e o mash-up de 2Pac com James Brown são ambos importantes na construção do cenário de Django mas, pela primeira vez, há quatro canções escritas propositadamente para um filme de Tarantino. Uma quinta não teve lugar na história, a de Frank Ocean que, nem por isso, acabou remetida a um papel secundário. O homem do ano para a MTV e favorito a sair dos Grammy’s com mais estátuas para decorar a sala de troféus viu a sua música fora do filme por, alegadamente, não ter uma cena à altura. Noutra era, Wiseman acabaria numa gaveta e anos mais tarde editada numa colectânea de carreira. As maravilhas da Internet permitiram ante-estrear a canção ainda antes do próprio filme e é de ir às lágrimas.

Até nisso Tarantino é especial. São cada vez mais raras as bandas sonoras em que a música cria as próprias imagens. As do realizador têm vida própria. Sem ser músico, também ele merece um Grammy de contributo para a memória colectiva.

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