O Universo está em Amplitude: Angela Detanico e Rafael Lain
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Amplitude, 2013.
Amplitude, 2013.
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Lento, no luar lento lá fora da noite lenta, o vento agita coisas que fazem sombra a mexer. Não é talvez senão a roupa que deixaram estendida no andar mais alto, mas a sombra, em si, não conhece camisola e flutua impalpável num acordo mudo com tudo.

( Bernardo Soares, Livro do Desassossego/Two Voices)

Angela Detanico e Rafael Lain, dupla de artistas brasileiros, procuram usar no seu trabalho linguagens que falam desse acordo mudo. Afinal de contas, é o que, desde sempre, o Homem faz, “apropriar-se do mundo através da experiência intelectual”, diz Angela, através de códigos, sintaxes, matemáticas, que dão sentido à realidade que nos escapa. Uma realidade desvendada, generosamente exposta em Angela Detanico, Rafael Lain. Amplitude, patente no Museu Colecção Berardo até 28 de Abril. Tendo como pontos de partida códigos ludicamente codificados e descodificados, os dois artistas constroem o discurso, indicam “novas formas de leitura” e apropriam-se do próprio universo, começando a viagem à descoberta do mundo no rasto das vanguardas modernistas brasileiras.

 

Assim, o universo vive na obra Univers, onde a fonte Univers se transforma na própria palavra, num processo de expansão natural que vai até a explosão da infinita amplitude que tudo contem.

Por perto, nas outras salas do Museu Berardo, Sol e a Lua dialogam em frases sobrepostas na obra Two Voices, enquanto o tempo rescreve romances em Timewaves, e o espaço torna-se alfabeto na obra Almost Empty.

No trabalho dos dois artistas, o sistema de escrita é revisto, assim como o de leitura. Pilhas de livros idênticos “escrevem” a frase Tendo Em Vista; palavras soltas deixam-se levar pelo fluxo de Rio Corrente; Amplitude, que dá o nome à exposição, rescreve-se num sistema de círculos concêntricos recortados em aço inoxidável, como órbitas de significado.

 

A imagem do mundo que nos rodeia reflecte-se no espelho do nosso intelecto, brincando connosco, passando até as fronteiras da própria exposição.

Em 1: 1 000 000 000, o Sistema Solar, reconstruído a esta escala, invade literalmente Lisboa, a partir de um Sol metálico de 1400 milímetros posicionado numa sala do Museu Colecção Berardo. Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno, espalhados na cidade, estão agora infinitamente perto de nós, só a espera de ser reconhecidos.

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