London Fashion Week O/I 2013 em Retrospectiva

De 15 a 19 deste mês, teve lugar uma das mais importantes semanas de moda mundiais, a London Fashion Week, onde foram apresentadas as colecções para o Outono-Inverno de 2013/2014.
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por Vanessa da Silva Miranda

De 15 a 19 deste mês, teve lugar uma das mais importantes semanas de moda, a London Fashion Week, onde foram apresentadas as colecções para o Outono-Inverno de 2013/2014. Entre nomes como Peter Pilotto, Mary Katrantzou, Christopher Kane, Burberry Prorsum, Jonathan Saunders e, a jóia da coroa britânica, Vivienne Westwood, estavam ditados alguns dos imperdiveis desfiles. Sem falar no mediatismo que envolvia um show não previsto no calendário oficial: o debute da cantora Rihanna para a marca River Island, e a grande estreia de Tom Ford na passerelle da capital inglesa.

 

Sexta-feira, 15 de Fevereiro – the kick-off

As honras de abertura da LFW foram feitas por Zoë Jordan, cuja marca foi lançada recentemente, na Primavera de 2012. Com um background marcado pela arquitectura, a colecção da designer primou pelo uso pontual de cor numa coordenação simplista com os pretos e brancos, peças estruturadas misturadas com tecidos fluidos e metalizados, comprimentos longos em vestidos femininos, padrões de inspiração arquitectónica e uma proeminente geometria das silhuetas.

Seguiu-se Bora Aksu, ex-aluno da Central Saint Martins, que apresentou uma colecção inspirada pelo trabalho da fotógrafa Diane Arbus. Num predomínio de tons suaves, entre os brancos, cinzentos, castanhos e numa mescla de tecidos, dos fluídos chifons, com apontamentos de renda, ao uso de peles combinadas com brocados, a colecção evocava uma série de influências quase tribais entrelaçadas com uma inspiração bastante feminina. Na passerelle ficou a imagem de um look hard-girl, entre a ingenuidade e a maturidade.

Durante a tarde, tiveram destaque nomes mais conhecidos como Felder Felder, com uma colecção muito sofisticada onde se destacou o uso do bordeaux, as malhas fortes e o uso de tecidos ricos como os estampados e os veludos; sass&bide, a relembrar ainda a influência dos anos vinte em vestidos pretos ou brancos com geometrias metalizadas e um toque de amarelo num contraste com os padrões de riscas pretas e brancas; e o tradicional desfile do Mestrado em Moda da prestigiada Central Saint Martins.

 

Sábado, 16 de Fevereiro – let the circus begin

O fim-de-semana marca definitivamente o início dos grandes desfiles: Antipodium, Clements Ribeiro, John Rocha, Julien Macdonald, Moschino Cheap & Chic e House of Holland, eram alguns dos nomes para este dia.

Mas o grande destaque vai para a presença do duo português Marques’Almeida. Já reconhecidos como um dos grandes nomes no design de ganga e, recentemente, vencedores do prémio NEWGEN patrocinado pelo British Fashion Council e pela Topshop, o seu trabalho é presença habitual em revistas como a Vogue UK, ELLE UK, TANK, i-D, entre outras. Nesta colecção, a ganga como peça-chave, foi explorada em toda a sua amplitude dando origem a cortes pouco estruturados e mais descontraídos. Alguns vestidos em tafetá e cores fortes, compuseram o look de uma colecção irreverente e muito jovem.

Neste dia, salientaram-se também as conhecidas Antipodium e Clements Ribeiro, pelo uso destemido de cor. Geoffrey Finch, que já nos habitou a sua irreverência numa junção funcional de cores, padrões e tecidos, apresentou pela Antipodium uma colecção bastante feminina com saias e vestidos de linha A, em veludos verde-àgua e amarelos-néon, bomber-jackets de inspiração coccoon, tecidos metalizados conjugados com golas de pêlo e peças em tecidos plastificados, criando um look requintado do sporty-chic. A dupla Clements Ribeiro abusou da conjugação de padrões florais de inspiração oriental coordenados com formas mais geométricas como os losangos e as riscas, sem esquecer o tradicional xadrez e as rendas debruadas com golas étnicas e alguns elementos do reino animal. Clements Ribeiro abusou da conjugação de padrões florais de inspiração oriental coordenados com formas mais geométricas como os losangos e as riscas, sem esquecer o tradicional xadrez e as rendas debruadas com golas étnicas e alguns elementos do reino animal.

 

Domingo, 17 de Fevereiro – the brits are coming

Para domingo, o LFW reservava um dia tipicamente inglês, com as apresentações de alguns dos melhores nomes de terras de Sua Majestade como Jonathan Saunders, Vivienne Westwood, Paul Smith, Holly Fulton, Mulberry e Temperley London.

 

Mulberry apresentou-nos um estilo claramente senhoril com looks totais em pele, padrões florais em tons de mostarda, cinzento e preto, doctor-bags clássicas, muitas peças em tweed e fatos onde sais e calças se complementavam. Já Vivienne Westwood, para a sua Red Label, preferiu a mistura de tendências e épocas, dos metalizados a lembrar os disco-days, a vestidos ou saias de silhueta anos cinquenta, sempre com muita cor, padrões e a habitual irreverência no styling das peças.

Em destaque, Temperley London, a label da designer Alice Temperley, presenteou-nos com uma silhueta muito feminina em linhas direitas e fluidas, saias de estilo A, transparências e uma paleta de cores simples entre o branco puro e o preto total, pontuado por alguns tons suaves de verde e bege. Os metalizados, em look total ou em coordenados, foram também uma aposta forte, especialmente na conjugação do dourado com outras cores. No final, uma série de vestidos longos com aplicações tornaram esta uma das apresentações com mais glamour para o próximo Inverno.

Segunda, 18 de Fevereiro – the stars

O penúltimo dia da LFW apresentava o mais atractivo cartaz de toda a semana: com início no desfile de Peter Pilotto, passando por Burberry Prorsum, Christopher Kane, Erdem, Giles Deacon, e terminando com a tão antecepida apresentação da colecção feminina de Tom Ford.

 

Christopher Bailey, à frente da Burberry Prorsum, jogou novamente pelo seguro mas sem falhas. Uma colecção, como já é habitual, centralizada no britânico trench-coat, em estampados animais ou materiais metalizados, de corte estilizado ou oversized, tons predominantemente sóbrios como o camel, bege, preto e vermelho escuro, vestidos e saias de corte abaixo do joelho num toque de elegância e alguma diversão conseguida com o uso do estampado de corações e nas aplicações de paillettes em jogo com as riscas largas e as malhas fortes.

Outro grande destaque vai para Giles Deacon, um habitué desde 2004, numa apresentação que evocava uma princesa underground. Numa primeira parte, vestidos sumptuosos, de corte longo e em materiais ricos, a imitar folha de ouro ou brocados em coordenação com o clássico branco e preto, contrastavam com os gorros gigantes em tricot que as modelos usavam. Seguiram-se uma série de looks mais suaves, com vestidos compridos e casacos em seda em estampados pastéis, por vezes coordenados com camisolas ou saias trabalhadas com aplicações, e, por último, uma revelação mais gótica, com vestidos extravagantes em estampados florais escuros e mangas abalonadas, conjuntamente com looks em preto total em pele e renda. Uma colecção onde a peça principal foi o feminino vestido comprido, mas com um dark-twist.

Nesta mesma noite, dois nomes bastante mediáticos, mas por razões bem diferentes, apresentavam as suas colecções que dividiram as críticas. Tom Ford, que ate então se tinha limitado a apresentações privadas, em Londres, fez desfilar na passerele toda uma mistura de influências que resultaram num show berrante e demasiado efusivo. Dos vestidos tribais em preto e branco aos padrões florais orientais em saias e casacos, passando pelos fatos de saia e casaco em patchworks rosas e vermelhos, as rendas e os metalizados, os blusões em pêlo colorido ou os hoodies anos 90, até aos vestidos com estampados de influência Pop Art e alguma geometria nos padrões, nenhuma tendência escapou a Mr. Ford num desfile que desapontou pela falta de elegância, tão habitual nas suas colecções masculinas.

Já a tão falada colecção da cantora Rihanna para a River Island, cuja direcção fica quase na totalidade a cargo do designer Adam Selman, desapontou aqueles que esperavam que esta pudesse ser mais uma bem–sucedida colaboração entre música e moda: peças simplistas de corpo inteiro, cores sensaboronas e alguns estampados ácidos com uma forte inspiração dos anos noventa e demasiada pele à mostra, transformaram este num desfile com gosto a desilusão.

Os aplauso ficaram apenas por conta dos fãs da música da cantora.
Terça, 19 de Fevereiro – the end

O último dia da LFW foi dos mais preenchidos, contando com nomes ainda pouco conhecidos do grande público, lado a lado com designers ingleses já habitués do evento.

Um dos grandes destaques vai para Simone Rocha, filha do criador John Rocha, que se tem imposto como uma das jovens designers emergentes. A sua colecção girly-chic com vestidos assimétricos em tons pastéis de rosa e amarelo claro, sais com transparências conjugadas com blusões em pêlo e alguns estampados animais em materiais plastificados, fizeram desta uma das mais bem conseguidas colecções para a próxima estação: feminina e com atitude.

Outra colecção a reter é a de Maria Grachvogel, presença habitual na LFW desde 1995, que veste nomes como os de Florence Welch, Kelly Rowland e Emma Thompson. A designer apresentou uma colecção sóbria e muito elegante, com peças em block-colours que variaram entre os amarelos mostarda, os beges escuros, alguns azuis e preto. Os vestidos de corte direito contornavam perfeitamente o corpo das modelos e mesmo algumas peças mais desestruturadas revelavam um perfeito conhecimento da arte de corte do tecido. Os estampados abstractos conferiram um maior glamour seja em calças de seda ou fatos de saia e casaco.

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