Diz-me o que vestes: Fernando Nobre aka “Silk”

Chamam-lhe "Silk" por causa das suas camisas coloridas de seda. Fomos conhecer o guarda-roupa do Fernando Nobre, cujo lema, no que toca ao seu estilo pessoal é "o homem é que faz o fato, não é o fato que faz o homem".

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Fernando Nobre nasceu em Moçambique, em 1971. É actor, cantor, vocalista dos Cais Sodré Funk Connection e dos Funk do Boi. No que toca ao seu estilo pessoal, acredita que “é o homem que faz o fato, não é o fato que faz o homem”. Não se considera um fashion victim. Para ele, a roupa é uma brincadeira e deve ser tratada como tal. A Janela Urbana falou com ele e teve oportunidade de confirmar: é o homem que veste os fatos do “Silk” que os torna tão divertidos e cheios de pinta.

Como descreves o teu estilo?

Para mim, vestir é uma festa. É celebrar o nosso corpo, em primeiro lugar. Depois acredito que é o homem que faz o fato, não é o fato que faz o homem. Gosto muito da ideia do blazer. Sou o rei dos blazers. Herdei do meu avô, quando tinha 16 anos, bastantes blazers e sobretudos, e eu gostava de parecer mais velho, na altura. Então comecei a usar blazers. Sou capaz de me levantar da cama e usar logo um blazer, para ir à padaria.

De que forma a música que ouves influencia a tua forma de vestir?

Sou cantor e a cena do “funk” é um dress code muito giro. Gosto de brincar com a roupa dos anos 60/70 sem pegar nas calças-à-boca- de-sino, que nunca voltarão a estar na moda porque são horríveis, e sem entrar naquelas camisas ridículas com colarinhos pontiagudos. Então, é uma espécie de anos 60 e 70, mas com estilo. Uso uns casacos mais cintados e umas calças mais apertadas para dar um ar mais sensual em palco. Adoro as camisas de padrão de velhinhas que se compram por 2 euros na Feira da Ladra e ficam com um estilo do caraças quando se tem um casaco muito bom. Nos Cais Sodré Funk Connection temos uma farda muito simples: camisa branca e gravata preta, tipo Blues Brothers, o que facilita. Depois, esta coisa dos padrões e das cores tem a ver com o facto de eu ser actor e gostar de vestir várias personagens.

 

Quando é que começaste a vestir-te assim?

 Acho que comecei a criar este estilo já quando estava no Conservatório, no Bairro Alto, a estudar Teatro e Cinema. Quando saí de casa dos meus pai, tive mais liberdade para experimentar coisas. Fui viver para uma república de estudantes que ficava na Rua do Paraíso, onde vivia com duas bailarinas e dois actores. Era perto da Feira da Ladra, havia pouco dinheiro e então começámos a criar este estilo. Depois vivi em Londres, perto de Camden Town, onde podes vestir as roupas mais extravagantes que ninguém te chateia. Aqui, o trânsito pára par ate verem passar.

 

Quem são os teus ícones?

As pessoas dos anos 60 e 70, porque gosto dos padrões e gosto da cena casual, mas…ícones? Por acaso, acho que não tenho. Vou vendo as revistas de moda e vou escolhendo peças aqui e ali. Acho que as peças de roupa de mulher são feitas com um rasgo de genialidade, por causa das formas do corpo. Até os padrões são muito mais interessantes. Por isso talvez me inspire na mulheres e até chego a comprar muitas peças de mulher, como calças e casacos cintados.

 

Qual é a tua peça de roupa preferida?

As camisas. Começo logo o dia bem disposto quando uso uma camisa destas com padrões. Chamam-me “Silk” (Seda) por causa das camisas. Até no Inverno, gosto de usar uma camisa de seda e um sobretudo por por cima e estou fresco por dentro mas, ao mesmo tempo, quente.

 

E o teu acessório preferido ?

Em relação aos sapatos, os meus preferidos são estes Dior, que comprei em Londres. Uso-os nos concertos. Sou também apaixonado por alpercatas, que uso no Verão. Sou um bocado obcecado por sapatos, mas trato-os muito mal. Os sapatos são para dançar. Têm  de dar para fazer os movimentos do James Brown, o slide, a espargata. Eu entro numa sapataria, calço os sapatos e começo a dançar. É assim que escolho os sapatos.  Quanto aos ténis, uso muito o pé de um e o pé de outro. Não uso colares nem pulseiras.

 

Onde compras a tua roupa?

Os básicos dos meus coordenados são comprados na Zara e na H&M. As coisas mais extravagantes compro em lojas vintage, na Feira da Ladra e vou a algumas lojas de marca. Sempre que vou a Londres encontro coisas que aqui não seria capaz de encontrar, por isso procuro juntar algum dinheiro e compro nessa altura.

 

Que tipo de roupa serias incapaz de usar?

Calças que picam e roupa de lã colada ao corpo. Também não gosto de golas altas: como tenho o pescoço curto, pareço uma tartaruga!

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