In V!TOR we trust

Vítor e Luisa | Foto: Ana Nieto
Falámos com os sacerdotes de um universo onde a boa onda e a criatividade são “o pão nosso de cada dia”.

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Vítor e Luisa | Foto: Ana Nieto
Vítor e Luisa | Foto: Ana Nieto

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V!TOR  já nos surpreendeu com a sua própria morte, em Life And Death, e com a sua ressurreição, em Reborn. A História prova que são dois elementos suficientemente bons para fundar uma religião. Vítor Bastos e a sua parceira, Luísa Cativo, acharam o mesmo e criaram “Vitology”, uma religião em forma de colecção Outono/Inverno. Falámos com os sacerdotes de um universo onde a boa onda e a criatividade são “o pão nosso de cada dia”. 

 

JURB: O Vítor começou sozinho. Como é que vocês se conheceram e como aconteceu a entrada da Luísa para a marca?

Luisa Cativo: Conhecemo-nos no CITEX, em 2006, e ficámos amigos, praticamente nos primeiros dois minutos em que o Vítor lá chegou.

Vítor Bastos: Acho que tivemos uma sinergia super fixe logo de início.

Luisa Cativo:
Amor à primeira vista! 
Mas depois de eu ter saído do CITEX precocemente, perdemos um bocado o contacto
…

Vítor Bastos: Tínhamos vários projectos juntos. Éramos muito amigos de brainstorming: “um mata, o outro esfola”.



 Voltámos a trabalhar na “Life and Death”, acho eu, 



com a produção de um advertorial que foi comunicado no Halloween, quando ja estávamos juntos.

Luisa Cativo: Sim, mas antes disso eu fui roubar umas peças para uma sessão fotográfica



 e acho que foi aí que a “chama” reacendeu.

Vítor Bastos: Pois, isso! 



Mas a coisa aconteceu mais a sério na “Reborn”.

JURB: Então foi aí que começaram a trabalhar como dupla criativa…

Vítor Bastos: Começou com a Luisa a fotografar-me para a imagem da marca







.

JURB: E depois…









Luisa Cativo: Na altura ja tinha a página e o blogue da Captive Louise







 e o Vítor achou que podia ser fixe fundir esse universo com o da marca dele







.

Vítor Bastos: 
A Reborn foi uma parceria que aconteceu muito naturalmente.







 Quando nos apercebemos já estavamos a trabalhar e a fazer brainstorms juntos, outra vez. 
Entretanto, perguntei à Luisa se devíamos oficializar a coisa











.

JURB: A colecção Reborn foi antecedida por Life and Death. O que morreu e o que renasceu na marca?

Vítor Bastos: Eu morri. 



Ainda estava numa fase muito auto-biográfica da marca. 







 Morreu essa fase e iniciou-se uma fase nova.



 Na verdade, o que morreu foi o ciclo emocional e auto-biográfico que veio trazer muitas características à marca e a 

ajudou a formar.

JURB: Que características tem esta nova fase?









Luisa Cativo: Eu diria que é mais orientada para o mercado…

Vítor Bastos: E nasceu uma marca…

Luisa Cativo: …que não é tão focada no conceito e no aspecto biográfico do Vítor

Vítor Bastos: A Luisa e eu criámos um universo



 para a marca V!TOR.



 Sentámo-nos e definimos tudo o que nos interessava ter nessa nova V!TOR



. A Reborn foi uma primeira apresentação.







 Como marca, tentámos melhorar muito a comunicação. E a Luisa tem um papel muito importante nisso.

JURB: Como é esse universo que vocês criaram?

Vítor Bastos: Basicamente acho que, como tínhamos muita liberdade, começámos a fazer uma sopa de tudo o que gostamos.







 (Que achas do conceito, Luisa? É mais ou menos isto?)

Luisa Cativo: É um universo pessoal e transversal, ao mesmo tempo. Focamo-nos nas coisas de que gostamos, mas também temos referências pop muito vincadas



. E a internet, sempre a internet. O Vítor é um bocado nómada, eu estou mais ligada às bandas e a esse ambiente mais underground e divertido do Porto, e usamos também um bocado disso na comunicção da marca

Vítor Bastos: Começou assim e agora estamos todos os dias a trabalhar as referências novas para esse mundo. Vem de um universo bastante forte de cada um mas sempre de olhos abertos para mais informação interessante para a marca.







..

Luisa Cativo:…novos artistas e potenciais colaboradores de várias áreas.

JURB: Esta última colecção, Vitology, apresenta uma nova religião, que vocês criaram. Que religião é esta? 

Luisa Cativo: Achamos que qualquer universo deve ter uma base espiritual







.

Vítor Bastos: Sim.



E de alguma forma esta colecção é como se fosse um amuleto para nós. No caso da V!TOR, teria de ser algo sem dogmas nem verdades absolutas, subjectivo e pessoal, que aceita tudo e todos



 e que só quer mandar boas energias para o Universo







. 
Esta religião é um passo importante a seguir ao “renascimento”. 



Se vamos desenhar algo, que seja 100% positivo. 



E se desenhamos para a marca, desenhamos para uma religião também com os mesmos princípios.

Luisa Cativo: Nós gostamos de ser boa onda e animar o pessoal, achamos que toda a gente está a precisar de uma dose de bom humor para aguentar tanta contrariedade



.

JURB: Quem são estes deuses?

Luisa Cativo: Os deuses foram feitos em colaboração com uma ilustradora libanesa que o Vítor conheceu em Barcelona, 



a Karen Klink







.

Vítor Bastos: Escolhemos os deuses e a Karen desenhou.

Luisa Cativo: Fomos comunicando com ela por mail, descrevemos lhe o conceito, os bichinhos-chave da colecção e, fundindo a nossa linguagem à dela, criou os nossos deuses







.

Vítor Bastos: O pug, o gato e o unicórnio vieram da colecção anterior.

Luisa Cativo: Os deuses são Wise Pug, o Warrior Cat, os Dancing Unicorns, e a Jemima Shiva







 [a blogger britânica Jemima Daisy].

JURB: E os camarões?

Vítor Bastos: 

O camarão alado foi algo que aconteceu no processo







. Durante a pesquisa de materiais, deparámo-nos com um produtor de injectados de plástico que tinha um camarão. Explorámos esta imagem ao máximo.



Queríamos ver o quão longe algo tão pouco relacionável como camarão poderia ir.

JURB: A cultura digital está muito presente na marca, em vários aspectos. Recentemente criaram uma forma original de apresentar a colecção com uma parceria com a 3 Click. Esta aposta que fazem no digital é uma boa maneira de contornar a falta de uma loja física?







 

Luisa Cativo: Penso que é uma forma mais sustentável de podermos chegar mais perto dos nossos clientes







. não temos as despesas de uma loja física, e conseguimos chegar a mais pessoas em vários países







.

Vítor Bastos: A loja física é um investimento que não faz sentido numa marca como a nossa. 



A loja online requer menos manutenção e comunica a marca num panorama muito mais abrangente.



Temos uma loja online porque faz sentido com o nosso universo, também.



E o feedback tem sido fixe.

Luisa Cativo: Ainda falta afinar alguns detalhes que só podemos apreender a partir do momento em que o público tem acesso à loja, e isso é mais um aspecto positivo da loja online 



porque temos um feedback directo







.

Vítor Bastos: Estamos a criar uma relação com alguns clientes que tem crescido e a nível de vendas estamos a andar de forma crescente







.

JURB: Como explicariam a marca a alguém que não a conhece?









Luisa Cativo: Hum…

Vítor Bastos: Ui



…Acho que a melhor forma de nos explicar é através das imagens



. Mas se tem que ser por palavras vamos ter de nos completar, eu e a Luisa. 



Basicamente somos uma marca de streetwear.

Luisa Cativo: eu diria que somos uma marca de streetwear mais artsy







.

Vítor Bastos: Exacto!

Luisa Cativo:…porque traduzimos para produtos – neste caso, peças – a nossa criatividade







.

JURB: A V!TOR já morreu, já renasceu, já criou uma religião. De que maneiras vão surpreender o vosso público no futuro?









Vítor Bastos: Esse é um dos nossos trabalhos, continuar a surpreender







.

Luisa Cativo: Surpresas é o que não vão faltar!

Vítor Bastos: Mas é segredo







…

Luisa Cativo: Mas mesmo dentro da Vitology, ainda temos muitos truques na manga. E
 para a proxima colecção de Verão, quem sabe se em breve não teremos uns sneak peeks!

JURB: Peregrinações Vitology? 









Luisa Cativo: Também, 



quem sabe… quiçá, uma procissão com pugs de cera…

Vítor Bastos: Ahahahah! 



Sim!

JURB: Vocês divertem-se horrores a trabalhar ou é só impressão nossa?

Vítor Bastos: Acho que a liberdade de comunicação que temos dá pano para mangas.

Luisa Cativo: Há coisas mais divertidas e há coisas mais chatas como em tudo.

Vítor Bastos: Sim! Divertimo-nos muito! Mas também há imensa dor de cabeça







.

Luisa Cativo: Afinal, estamos a gerir uma estrutura ao mesmo tempo. 



Comunicação e desenvolvimento de colecção. 







Mas a parte de comunicação é sempre super divertida







 e ambos gostamos muito de poder colaborar com os criativos que conhecemos.

Vítor Bastos: Exacto.



 Acho que isso também é muito importante na V!TOR.

Luisa Cativo: Acho que o Design de Moda é uma área que como poucas outras consegue fundir muitos meios: 



música, vídeo, ilustração, performance, e o que não falta por cá é talento nessas áreas. Gostavamos de um dia ter exposição global suficiente para podermos partilhar com o mundo inteiro esta riqueza subestimada que aqui temos e devolver alguma confiança ao pessoal local, um boost para se manterem motivados.

JURB: Amen!

 

 

Créditos:

Lookbook SS13 Reborn |Ficha Técnica | Fotografia:Pedro Matos | Assistente de Fotografia: Carlos Rodrigues | MUA e Cabelos: Carolina Archer @ Pretty Rough Arts | Styling: Frederica Abreu dos Santos e Lígia Gonçalves | Modelos: Margarita Pugovka @ Best Models Agency Arthur J. Trandafir @ L’Agence Lisboa

Editorial FW13 Life and Death | Ficha Técnica |Fotografia:Luisa Cativo | MUA e Hair styling:Bruno Bessa Cruz |Styling: Nélson Vieira | Modelos: Lien Vieira e Karl Schneegans @ Best Models

Fotos ModaLisboa |Luis Afonso Photography para Janela Urbana

 

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