O dia em que consegui falar com os Mount Kimbie

Foto: Vera Marmelo
Convidámos o Alex d'Alva Teixeira a contar-nos uma experiência musical marcante.
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Foto: Vera Marmelo
Foto: Vera Marmelo
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por Alex d’Alva Teixeira

Assim que foi anunciada a primeira edição do festival Night + Day na capital portuguesa, pensei que não teria possibilidade de ir, e quando os Mount Kimbie comunicaram a sua presença, fiquei obviamente desanimado, por saber que seria a segunda vez que perderia a oportunidade os ver ao vivo. O preço do bilhete não era propriamente acessível, tendo em conta a minha realidade económica no momento, e como faço parte do grupo que constitui a percentagem de jovens desempregados não-subsidiados, duvidava que conseguiria comprar um. Quem já pelo meu blogue passou – ou pelo meu facebook pessoal, muito facilmente percebeu que sou extremamente “chato” no que diz respeito ao duo londrino e ao James Blake (que curiosamente chegou a colaborar ativamente com o grupo). Mas tive uma sorte enorme, pois uma amiga especial ofereceu-me um bilhete para o festival nos Jardins da Torre de Belém.

Quando a atuação que eu mais esperava começou, fiquei com a sensação de que eu era a pessoa mais entusiasmada com a música dos londrinos, pois estava diante de um dos meus grupos favoritos. O concerto foi memorável, mas destaco canções como “Before I Move Off”, “Made To Stray” e uma excelente versão mais extensa de “Field”. Estas três continham em abundância as frequências graves de que tanto gosto, as batidas dançáveis cheias de reverb, e todos os loops samples que já ocupavam a minha memória e que trautei com um sorriso enorme no rosto.

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Mais tarde, depois de ter dançado ao som do espanhol John Talabot, encontrei Dom, Kai e Tony (o novo elemento dos Mount Kimbie),  pelo recinto. Fui cumprimentá-los e imediatamente me abraçaram, disseram que me ouviram enquanto estavam no palco e me agradeceram por ter vindo ver o concerto deles. Consegui conversar com eles sobre o alinhamento desse concerto e de como senti a falta de canções como “Maybes” ou “Carbonated”, falámos do disco e EPs anteriores a Cold Spring Fault Less Youth, dos processadores de efeitos que usam para tocar, e também sobre gastronomia portuguesa, entre outras coisas do quotidiano. Prometeram regressar em breve ao nosso país, despediram-se de mim com outro abraço e eu senti que tinha ganho o meu dia.

Mas, obviamente, não terminou aqui, consegui ver também o Xinobi, os Paus, os Chromatics e os XX perto do palco. Gostei especialmente do trio responsável pela curadoria do evento: para além de todo espectáculo de luzes, este foi um daqueles concertos em que cantamos todas as canções do alinhamento, canções essas que em algum ponto da nossa vida serviram de banda sonora para os nossos dias. Um concerto com muitas surpresas no que diz respeito às remisturas e arranjos diferentes, mas o melhor foi estar sempre com a sensação de que Jamie, Romy e Oliver nos olham nos olhos e tocam as canções como se fosse só para nós.

A noite teve fim junto dos meus amigos, enquanto ouvíamos o DJ Set do lendário James Murphy. Certamente não me esquecerei do primeiro Night + Day.

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