Johan Rodrigues, o homem banda

Johan Rodrigues é um dos artistas emergentes nacionais de quem vale a pena falar, uma vez que o seu trabalho, ainda que não muito conhecido pelo público nacional, tem sido alvo de críticas muito positivas pelos media americanos, incluindo conhecidos blogues de música indie como o Indie Shuffle. Assim, começa de forma discreta mas pungente, a mostrar a qualidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos. O seu single mais conhecido ‘So is Love’ revela uma sonoridade pop/rock que fica no ouvido e parece não querer sair. As suas músicas são sobre emoções e sentimentos fortes que através de melodias suaves e ritmos rock construídas de forma harmoniosa, nos fazem querer ouvir sempre mais. Nascido em Estocolmo, filho de mãe sueca e pai português, Johan Rodrigues viveu grande parte da sua vida em Portugal, na ilha de Madeira onde o gosto pela música cedo se manifestou. O jovem músico integra o recentemente lançado CD duplo dos Novos Talentos Fnac 2013, onde fazem parte nomes como Little Friend, Quelle Dead Gazelle, Tape Junk entre muitos outros e atualmente está no Top da Antena 3 Nacional. Há dois meses lançou um EP chamado “Um” que está disponível para download gratuito no Soundcloud e no Bandcamp. Apresento‐vos, então, o Johan, numa entrevista exclusiva para a Janela Urbana.

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Quando é que o teu interesse pela música e por compor começou?
A música fez sempre parte da minha vida, em miúdo ouvia os discos dos meus pais que iam desde Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd a Deep Purple e tinha a minha colecção de cassetes com música que gravava da rádio. Passava horas em frente ao hi‐fi da sala com o dedo no botão “Rec” à espera daquela canção. Tudo mudou quando tive a minha primeira guitarra, aos 14 anos. Assim, eu podia fazer as minhas próprias canções e gravar cassetes com as minhas músicas. Foi isso que fiz e nunca mais parei desde então. Depois, mais tarde, tinha uma banda que ensaiava em minha casa e aí como tinha todos os instrumentos à disposição fui aprendendo a tocar cada um deles. Não os sei tocar bem, apenas o suficiente para construir as canções.

No mundo musical e artístico muitos adoptam pseudónimos, tu adotaste o teu próprio nome. Porquê essa escolha?
Antes de lançar o ‘Um’ pensei mesmo muito sobre qual o nome com que ia apresentar o trabalho. Fiz uma lista de nomes e por mais que pensasse e anotasse uns nomes “cool” nenhum me dizia muito. Como estas canções são eu então porque não apresentá­‐las com o meu próprio nome? É um projecto para uma vida inteira porque vou ser sempre o Johan Rodrigues.

Se tivesses que descrever a tua música a uma pessoa que nunca a tinha ouvido como a descreverias?
O som que estou a produzir agora é claramente dentro de um universo pop. Para mim o mais importante numa canção é a melodia, portanto tento ter sempre muita melodia e harmonia nas minhas canções. Uma canção só é boa se ficar no ouvido, a culpa disto não é minha, é dos Abba. Dentro desse universo pop que te falei vou buscar elementos ao rock ou à música electrónica. Disseram‐me que o ‘Um’ tinha um pouco de sonoridade dos anos 80. É bem possível. Portanto não há assim uma fórmula específica. Tenho a sorte de ter liberdade criativa e de não ter de me restringir às “leis” de um género específico.

Todos nos inspiramos em algo quando criamos. Quais foram/são as tuas maiores inspirações e influências musicais?
Para além dos amores e desamores, a inspiração para uma canção pode vir depois de ver um filme que me tenha impressionado, de um livro que tenha lido ou mesmo de uma música que tenha ouvido algures. Em termos sonoros, muitas bandas influenciaram o meu trabalho mas se tivesse que eleger a primeira, mesmo que soe cliché, seriam os Nirvana. Para mim o ‘In Utero’ é o álbum perfeito por ser tão cru e tão verdadeiro. Depois, na minha adolescência ouvi muito Silverchair, Radiohead, Jeff Buckley, The Doors, entre muitos outros. Mais recentemente descobri The Veils, acho o Finn Andrews um compositor como há poucos, os Tame Impala e alguns artistas suecos de que gosto muito como o Kristian Anttila, a Dear Euphoria ou a Alice Boman. Todos eles influenciaram, e influenciam, ainda de certa forma a minha música.

A Suécia e Portugal são países muito distintos a diversos níveis mas que fazem parte de ti. De que forma cada um destes dois sítios influenciou a tua música?
A Madeira é um sítio fantástico para escrever, para compor e gravar. É impossível não se deixar levar pela beleza natural da ilha, mesmo que ela já faça parte de uma boa parte da tua vida. Há sempre locais quase secretos que descobrimos e realmente nos inspiram. Eu nasci na Suécia, em Estocolmo, portanto a ligação com a cidade é muito forte. É um ambiente oposto ao da ilha, outro compasso, e com uma beleza não menos inspiradora.

Sei que já tiveste projectos com outras pessoas, com nomes diversos em épocas diferentes mas agora és no fundo um “one man band”. Aconteceu de propósito ou foi algo natural?
Paralelamente aos projectos que tive, sempre escrevi e gravei material que guardei para mim. O ‘one man band’ na verdade já existe há muito tempo mas foi sempre num registo de demo, sem grandes preocupações a nível de produção. Agora é diferente pois estou a apresentar um suposto produto final. Demora mais tempo que o gravar uma demo mas mesmo assim menos tempo que o processo normal de uma banda, ou pelo menos das bandas de que fiz parte, em que por vezes eram precisas semanas para uma canção ficar pronta, refiro‐me só à parte da composição. Neste momento, a dinâmica e rapidez de trabalho a solo interessa‐me mais. Tudo começa com uma ideia base que passa logo para o processo de gravação e aí toma forma e vai evoluindo. É um processo divertido porque ao começar, por mais que se imagine o resultado final, a canção normalmente ganha um molde completamente diferente ao imaginado inicialmente. De futuro gostava de co‐produzir mais, isto é de trabalhar com alguém com quem pudesse também aprender sobre a parte mais técnica ou matemática de produção que é a que domino menos. Gostava de voltar a trabalhar com o Björn Öqvist com quem gravei em estúdio em Estocolmo as demos ‘The Cornersoul Sessions’ que estão na minha página na Bandcamp. O Björn é dos produtores mais talentosos e criativos com quem trabalhei. Ele está neste momento a preparar um álbum a solo e tem um projecto de música electrónica chamado Ljusår.

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Conta‐nos um pouco acerca do teu primeiro EP “Um”.
O “Um” é uma espécie de registo de viagem que começou no Funchal passou por Lisboa e foi concluído em Estocolmo. O EP foi quase na sua totalidade concebido em estúdios caseiros e improvisados. Em Lisboa, durante duas semanas, transformei a sala da casa da minha irmã numa sala de gravação e em Estocolmo gravei numa velha casa, a norte da cidade, no meio da floresta. O ‘Um’ liga esses três pontos geográficos tão distantes e aquelas cinco canções juntas formam uma espécie de mapa dessa minha viagem.

Quais são as tuas perspectivas para o futuro com o projecto? Pretendes lançar um álbum ou mais um EP? Existem concertos em mente por agora?
Estou neste momento a preparar novas canções e espero ter um novo EP pronto já em Setembro. Por agora não quero pôr um álbum cá fora. Sinto que este período é ainda experimental e porque preciso de aperfeiçoar o meu som. Penso que vou trabalhar em mais um ou dois EPs e depois pensar num álbum. Neste momento a minha principal preocupação é ter um bom conjunto de canções, trabalhá‐las ao máximo, portanto não tenho concertos agendados, só depois deste EP poderei então preparar a apresentação ao vivo das canções do ‘Um’ e do novo material.

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