Jazz em Agosto: Essential Cinema John Zorn@60
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por Petra Vaz
O bom da repetição é saber que em Agosto chega o Jazz em Agosto da Gulbenkian, com palco aberto para nos deixarmos deslumbrar pelaa beleza do jazz.
Já na 30ª edição, o JeA abriu em grande com a banda de John Zorn; um artista avant-garde, multi-instrumentalista que dá vida e voz ao jazz como o sente e entende.
 Sábado, dia 3, o Anfiteatro da Gulbenkian encheu-se de conhecedores e first timers, como eu, à procura da arte de Zorn. Em nada ficámos desiludidos.
Essential Cinema John Zorn@60
é um conjunto de 4 projecções de filmes independentes, escolhidos a dedo pelo próprio Zorn, para os quais cria uma banda sonora única.
Com Maya Deren, simbolizando o ritual, Zorn presenteou-nos com sons vibrantes e marcados pela percussão e electrónica. Um jazz incomum para ouvidos menos treinados mas inquestionavelmente apaixonante.
Para Joseph Cornell, a simbologia era a colagem e musicalmente fomos transportados até um universo de mistura de sons e tonalidades mais ácidas e metálicas, com a electrónica fortemente marcada e pequenos apontamentos de baixo eléctrico pelos dedos de Trevor Dunn.
Henry Smith foi o terceiro filme e com ele viajámos através de imagens psicadélicas até um universo de inspiração asiática. Zorn acompanhou fielmente a mensagem de Smith, criando uma banda sonora rica, com uma percussão metalizada lembrando chuva, pós mágicos e encantamento para logo assentar os pés na terra ao ritmo compassado dos tons quentes e fortes vindos da percussão de Cyro Baptista e do baixo de Dunn. Sons ricos e que nos permitiram a viagem mental pretendida por Smith e efectivada por Zorn.
Terminamos com Wallace Berman em representação dos anos 1960. Efectivamente iniciamos com o que é universalmente entendido como “o som do jazz” onde o saxofone de Zorn é rei e Joey Baron na bateria passeia as vassouras, embalando-nos numa sonoridade perfeita.
Mas ser um artista avant-garde é bem mais que tocar clássicos de jazz. Com os dedos mágicos de Ikue Mori na electrónica, a sonoridade harmoniosa passa a um descontrole em que os instrumentos ganham vida própria e o jazz um significado distinto. Na mistura de sons ouvimos chilrear de pássaros e vozes de pessoas. Enquanto espectadores somos realmente transportados ao que creio ter sido o momento Zorn-“iano” mais autêntico. A experiência foi de deixar-nos de ouvidos extasiados.
O concerto termina, mas Zorn não nos deixa sem um encore e para tal escolhe Cotillion and The Midnight Party uma projecção divertida com imagens de circo e de crianças; transição inteligente depois da intensidade da exibição anterior. Com uma sonoridade leve, fresca, quase florestal, somos trazidos de volta à realidade onde não existe perpetuamente um palco com John Zorn a tocar para nós. Zorn, à beira dos 60 anos, recomenda-se. E bem!
Esteja atento ao programa do Jazz em Agosto que dura até domingo, dia 11.
Visite www.gulbenkian.pt para saber mais.

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