Vodafone Paredes de Coura – Dia 5
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Calexico | Foto: Luis Sustelo
Calexico | Foto: Luis Sustelo
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Texto: Viviana Martins

Fotografia: Luis Sustelo 

Quinto e último dia do 21º Paredes de Coura.

Já sentimos saudades e ainda não partimos. Comece, então, o último dia de festival.

Já tínhamos ouvido umas coisas de Papercutz e até estávamos com alguma curiosidade em conhecer melhor a banda. Não ficámos convencidos. Entretanto, já se ouvem os Black Bombaim. Mais uns meninos de Barcelos que sabem muito bem mexer em guitarras. O rock experimental da banda levou muita gente a sair do rio e dar um pezinho ao recinto, de propósito, para os ver. Foi grande começo de tarde. Não conhecíamos os Ducktails, não sabíamos nada sobre eles e estávamos com dúvidas se valeria a pena sair do relvado do palco Vodafone ou dar um saltinho ao palco secundário para os conhecer. Como não gostamos de perder oportunidades e a preguiça é uma coisa muito feia, lá fomos nós para o palco Vodafone FM. Ainda bem que fomos, os Ducktails são muito queridos e fazem mesmo aquele pop-rock alternativo que caiu sempre bem. Palma Violets, vamos a caminho. Queríamos muito ver este concerto, é que andamos há uma semana a cantar “I wanna be your best friend/ I don’t want you to be my girl”( e não saí da cabeça). Já se ouve “California Sun“, dos Ramones, que dá inicio à suadeira geral da banda. É que os rapaz não param quietos, jogam-se ao público, sobem às estruturas do palco, dançam como se não houvesse amanhã e ainda cantam e – diga-se – muito bem. Passando por todo o álbum, “Best Friend” foi mesmo o tema que mais fez o publico vibrar. Estes londrinos têm cá uma pedalada! Esperemos que não se cansem rápido, porque bandas assim (bem punks, a relembrar bandas old school, como os Libertines) já não se vão fazendo muitas.

Pausa para jantar. Não fomos, em pleno, a Phosphorescent e Calexico. Mas o Luís fotografou os concertos para vos mostrar.

22:10h : Está na hora de termos uma aula onde vamos aprender o que é uma verdadeira banda Indie. Claro que conhecíamos os Belle and Sebastian, mas a verdade é que quando a banda teve o seu boom andávamos nós a ouvir coisas esquisitas, como Britney Spears, por isso, só demos mais atenção a estes escoceses nos últimos anos. Veio muita gente para ver a banda, uns curiosos, outros acérrimos fãs que aguardam nervosos mesmo em frente ao palco. E fizeram eles muito bem em ficar junto ao fosso. É que a certa altura do concerto a banda convidou-os a subir ao palco. Foi a loucura geral. Apesar dessa loucura, o concerto foi muito calmo com alguma timidez por parte dos, já experientes, artistas e com muitas viagens ao passado, aos oito discos que a banda leva no seu invejável curriculum. O cenário foi perfeito. E para nós, que pouco conhecíamos da banda, percebemos o porquê do seu sucesso e prometemos acompanhá-los mais de perto.

 

Quase meia-noite e os franceses Justice, em formato DJ set (não sei bem qual a diferença), estão prestes a abrir a pista. Depois de os termos visto no Optimus Alive, no ano passado a dar um concerto nada convincente, não estávamos muito entusiasmados por os reencontrar. O duo de Dj’s não se deixou fotografar, por isso, o Luís não pode capturar o momento e juntou-se à festa. Ouviram-se os principais sons de Justice, “D.A.N.C.E”, “Civilization”, “Phantom Part I” (dois, três, quatro.. quatro mil) e uma vasta playlist com de tudo, temas de Chemical Brothers, o “I’m So Excited” (e o que não faltavam era pessoal excited) das Pointer Sisters, o sexy “I Love Rock’n’roll” e um punhado de músicas do antigamente. Expectativas em baixo, saímos do concerto satisfeitos.

2:00: E costuma dizer-se que o melhor fica sempre guardado para o fim e acreditando ou não nisso, sendo, às vezes, verdade, outras nem tanto. Desta vez, foi certeiro. And So I Watch You From Afar, foi um explosão de emoção e um dos melhores concertos desta edição do festival. Gostamos cada vez mais de instrumental e cada vez menos de voz. No instrumental existe mais ‘silêncio’, mais respiração, mais espaço para sentirmos cada nota. Os músicos, assim como a música que eles tocam, tornam-se mais nus. ASIWYFA, foram o melhor que podíamos pedir para deixarmos Paredes de Coura com o coração cheio. A dupla de guitarras de Niall Kennedy e Rory Frier é qualquer coisa de outro mundo. É inevitável não destacarmos Rory: não conseguimos desprender o olhar um segundo do guitarrista, a emoção com que toca é de arrepiar. Com a ajuda do baterista Chris Wee e do baixista Johnny Adger, os dois guitarristas, enfeitiçaram-nos, por completo, com temas como “Eunoia”, “Big Thinks Do Remarkable” e “Set Guitars To Kill”. A banda não poupou elogios ao publico, agradecendo a forma como foram recebidos. Ficaram surpreendidos e notou-se, que também, se emocionaram. Não chorámos por pouco. Voltem rápido, por favor.

E assim nos despedimos de Paredes de Coura. Eu destaco como se pode notar, ASIWYFA e Sensible Soccers, o Luís está de acordo comigo e leva os ASIWYFA como um dos melhores concertos, mas destaca também os Alabama Shakes. Amanhã, epera-nos uma grande viagem, mas não custa o esforço quando levamos para casa momentos tão bonitos como os que vivemos neste sitio tão especial. Fica a promessa de voltarmos para o ano. Sem dúvida.

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