±MAISMENOS± Sell Out

UnderDogs, Flag, MaisMenos, Courtesy of the artist.
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UnderDogs, Flag, MaisMenos, Courtesy of the artist.
UnderDogs, Flag, MaisMenos, Courtesy of the artist
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Já vimos Miguel Januário fazer streetments, jogar a golfe em frente do Parlamento, organizar o enterro de Portugal na cidade que deu o berço ao País e, sempre que o artista fez sinal, assistimos, impotentes, ao vírus a espalhar-se um pouco mais. Poderíamos chamar-lhe pensamento, mas a síndrome tem outro nome. É ±MAISMENOS±, o título do projecto de intervenção da autoria do artista portuense, que tem justamente o vício de fazer pensar como efeito secundário.

Tudo começou em 2005 “de uma dissertação sobre o elo da comunicação e do design na sociedade de consumo“. A partir daí nasceu ±MAISMENOS±, uma marca anti-marca, ” um no logo“. A ideia era “ impulsionar o pensamento crítico entre as pessoas“, com alvo o modelo político, social e económico em que todos vivemos. Aproveitando as técnicas da sacra tríade do mercado – marketing, comunicação e design-, Miguel invadiu as ruas da Invicta com o símbolo do ±MAISMENOS±, fazendo inquéritos às pessoas, como para uma marca verdadeira. A coisa pegou e a seguir vieram as intervenções, as performances e também o sucesso entre o público e a crítica.

Agora Sell Out, exposição individual de ±MAISMENOS± patente na galeria Underdogs até 12 de Outubro, é o último passo deste percurso sem falhas. O ADN do projecto, ou seja, a reflexão sobre as dinâmicas do consumo de mercado, é também o conceito deste novo trabalho.  “Vende-se tudo. Vendem-se humanos. Vende-se a alma e o bom senso. Vende-se, vende-se. Vendem-se ideias. Vendes-te. Vende-se dinheiro. Vende-se tudo. Vende-se mais dinheiro. Vende-se tempo. Vende-se a vida inteira. Vende-se o mundo e resto do mundo. Vende-se nada.

Enfim, entre tudo e nada, também se vende Arte. ” É uma autocrítica, não só uma critica à realidade, às pessoas que vão entrar na exposição, aos produtos,  aos países. Tudo é sell out. Se calhar o próprio projecto, porque neste momento vai vender.

Como pescadinha de rabo na boca, fechou-se o círculo. O Mercado está salvo, a Arte também, enquanto nós, por cá, continuamos a pensar.