7 + 1 personagens à procura de colapso

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Foto: Richard F. Coelho

Crise de nervos, crise emotiva, mas também crise financeira, social, criativa: cada vez que  temos um problema, a primeira a ser chamada é sempre ela, seja o que for, crise da adolescência ou crise de consciência. De facto, a crise é um elemento de ruptura de tal maneira parte do nosso quotidiano, que precisamos de  conhecê-la, senti-la, espiá-la melhor, agora mais do que nunca. Uma boa ocasião para o fazer é Colapso.1 ou 4 cenas, 3 solos e um solilóquio, em cena no Teatro da Trinidade até dia 6 de Outubro.

Vivendo cada uma as suas diferentes crises, as personagens desta tragicomedia assinada pela companhia d’As Entranhas, são homens e mulheres comuns que sofrem, riem, aguentam a vida até a queda inevitável, o colapso. Uma atrás de outra, sucedem-se as situações, as histórias alheias que também são as nossas -o fim de um amor, o tempo a fugir, a falta de trabalho, de perspectivas, as partidas para terras longínquas. Peça coral pelo esforço criativo dos intérpretes junto com o encendador, Ricardo Moura, Colapso 1 também é coral pelo retrato que faz de um país onde a crise já é normalidade, não excepção, onde partir para longe parece ser a única solução, onde irremediavelmente já se perdeu o significado original da palavra – κρίσις em grego- ou seja escolha, decisão.

 

Colapso.1 ou 4 cenas, 3 solos e um solilóquio, Teatro da Trinidade até 6 de Outubro.