De visita ao universo de Luís Carvalho

Depois de inúmeros concursos, em Portugal e no estrangeiro, e de ter traballhado como assistente nos ateliês de Filipe Faísca e Ricardo Preto e designer na Salsa Jeans, Luís Carvalho prepara-se para apresentar a sua colecção em nome próprio no LAB da ModaLisboa.
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por Petra Vaz

Depois de inúmeros concursos, em Portugal e no estrangeiro, e de ter traballhado como assistente nos ateliês de Filipe Faísca e Ricardo Preto e como designer na Salsa Jeans, Luís Carvalho prepara-se para apresentar a sua colecção em nome próprio no LAB da ModaLisboa.  Fomos conhecê-lo melhor.

De que forma é que a tua identidade se reflecte no teu corpo de trabalho?

Considero-me uma pessoa bastante simples, mas ao mesmo tempo também complexa. Dou bastante a atenção aos pormenores em quase tudo o que gosto, na roupa, na música, na moda, na vida em geral, e isso reflecte-se no meu método de trabalho, nas minhas peças e nas minhas coleções.

Cresceste num ambiente de tecidos, roupa e costura; isso foi determinante para o teu percurso ou terias chegado à Moda de qualquer forma?

De facto, cresci nesse ambiente, mas não acho que tenha tido assim tanta influência. Foi quando tive que tomar decisões sobre o meu futuro que me apercebi ao certo que era “isto” que realmente queria para mim!

 

O que foi mais enriquecedor no trabalho directo com Filipe Faísca e Ricardo Preto?

Trabalhar com o Filipe, foi uma experiência maravilhosa, adorei conhecer todo o processo de criação dele. Penso que a mais valia de trabalhar com ele, foi a nivel de trabalho de atelier, tanto no desenvolvimento de coleções, como em todo o processo de atendimento personalizado a clientes.

Com o Ricardo a experiência também foi boa, mas em outros aspectos. No tempo que estive com o Ricardo enriqueci o meu conhecimento mais ao nível dos seus trabalhos como produtor de moda.

 

Como foi a tua experiência de designer da Salsa Jeans? E que desafio representou poder trabalhar com o denim como um dos materiais principais?

Trabalhar na Salsa, foi das melhores experiências que tive a nível profissional! Foi super desafiante trabalhar numa empresa dessa dimensão. Inicialmente foi um pouco assustador, pois vinha de um meio de trabalho completamente diferente.

Numa empresa como a Salsa a forma de trabalhar é totalmente distinta da de um atelier; há uma outra adrenalina, timmings a cumprir, públicos alvos diferentes, ambiente de trabalho diferente… Foi ótimo para crescer tanto a nível profissional como a nivel pessoal.

Aprendi o que era uma marca de Jeanswear e de que é feita; fiquei a conhecer o denim, assim como os processos e tratamentos de lavagem do denim, o que se tornou incrivelmente enriquecedor profissionalmente.

 

Quando e como nasceu a ideia de criar uma marca própria?

A ideia de criar a minha própria marca já era um sonho desde que comecei a estudar, mas que foi adiado até conseguir reunir as condições que para mim eram necessárias para avançar com um projeto desta dimensão.

O facto de sair da Salsa foi o que me ajudou a pensar que esta era a altura certa.

 

A tua estética é muito clean mas enriquecida com pormenores estruturais. Poderia considerar-se a sua construção também, em certa medida, arquitectural?

Não diria arquitectural. De facto tenho uma linguagem mais clean, mas gosto de ir ao pormenor, gosto de desconstruir peças, misturar materiais! Gosto de pegar num detalhe e a partir dai criar uma colecção.

 

Consegues identificar qual o elemento chave de qualquer colecção tua?

Ainda não sei se está bem definido, mas adoro trabalhar as sobreposições/layers.

 

Qual foi o conceito que esteve na base da tua coleção FW13?

O tema da colecção FW13 era Around Lines. Teve como base um detalhe, que era transpor para fora das peças as costuras, mas dando-lhes um ar limpo. Por isso, em quase todas as peças encontramos esse pormenor de uma maneira mais ou menos evidente.

 

Estamos curiosos com o que está para vir. Podes levantar ligeiramente o véu sobre a inspiração para a colecção SS14?

Tem como tema Shelter. Sobre peças simples e depuradas criei diversas sobreposições que nos irão proporcionar novas formas e silhuetas, remetendo-nos a uma mistura de estilos, entre o clássico/descontraído. O efeito manchado evidente no estampado e criado nas sombras das diferentes layers, bem como o efeito metalizado, provem das pedras que constroem esse mesmo “abrigo”.

 

Quais os  materiais de eleição nas tuas coleções?

Gosto muito de contraste de matérias primas, fluido/rígido, opaco/transparente… Materiais “clássicos” misturados com novos tecidos.

 

Por falar em materiais, qual a tua opinião sobre design sustentável?

Hoje em dia ouve-se falar muito no design sustentável, mas confesso que ainda não é uma área em que esteja muito familiarizado. Porém, acho que já é, e cada vez mais será, um assunto do futuro.

 

Terminamos com uma pergunta que certamente daria para mais horas de conversa: o que podemos esperar do Luís Carvalho como artista?

Um sonhador, uma pessoa simples e que não desiste à primeira.

 

 

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