ModaLisboa Ever.Now – Dia 3

Luís Carvalho ModaLisboa / Fotografia: Rui Vasco

Já sem homens musculados e com um programa um pouco mais reduzido, o terceiro e último dia da ModaLisboa foi menos rico em teatralidade, é certo, mas é seguro dizer que terminou em beleza.

Saymyname foi o primeiro desfile de Domingo. Para a colecção Primavera/Verão 2014, Catarina Sequeira viajou até ao Senegal para encontrar nos “Baye Fall”, um subgrupo da irmandade Mouride, cujas vestes consistem em pequenos pedaços de diversos tecidos multicoloridos, inspiração para os cortes geométricos e blocos de cor.

Luís Carvalho, um dos desfiles mais aguardados do dia e uma das grandes revelações da ModaLisboa Ever.Now. Em “Shelter”, o designer construíu um abrigo de pedra que se traduziu em peças de linhas depuradas numa mistura de estilos clássico/descontraído.

“La femme qui chante” foi a colecção apresentada por Pedro Pedro, inspirada na série “Retratos de Mulheres Argelinas” do fotógrafo francês Marc Garanger. Um visual masculino colonial e militar, mas com pormenores ricos e over decorated, e transparências sensuais e femininas, que resulta numa faceta traveller, gasta e usada.

A dupla Marques’Almeida continua a sua viagem pelos anos 90. Desta vez, a inspiração é mais oriental do que grunge, o que torna as peças mais femininas e sensuais, mas o denim está sempre lá. Imaginamos facilmente a Kate Moss em 1994, acompanhada por Johnny Depp, com um destes coordenados Marques’Almeida vestido.

O sal é conhecido pela sua capacidade de afastar energias negativas e foi esse o nome escolhido para a colecção de Verão de Ricardo Preto, pontuada por referências esotéricas. Florestas de cactos, mármore, triângulos coloridos, rostos e mãos da pintura clássica que aparecem inesperadamente fazendo a ponte para naturezas mortas de cores improváveis, em estruturas fluidas com as volumetrias do quadrado e da pirâmide. 

Aleksandar Protic inspiou-se no mito grego de Ícaro, que tentou fugir do labirinto de Creta com umas asas de penas de gaivota unidas por cera de abelha, mas cujo fascínio pelo Sol provocou a sua queda e consequente morte. Esta inspiração resulta em tons cinza, mistura de cinza com tons mais quentes e preto.

Os uniformes de judo serviram de base à colecção de White Tent, ainda que tenham sido acrescentados os folhos à linguagem minimal da marca. A destacar ainda o efeito tye-dye e tingimento vegetal.

A fechar a ModaLisboa Ever.Now, Stabat Mater,  de Nuno Baltazar, uma colecção cuja principal referência é a interpretação da mãe de Cristo no momento do seu nascimento e da sua morte pelos principais compositores de música sacra. A inspiração resulta em propostas easy wear depuradas e naturais e, por outro lado, silhuetas mais exuberantes com cores e volumes que exaltam a feminilidade.