Se tudo tivesse acabado ali, teria sido um final feliz

Foto: Luis Sustelo
Depois de ter lançado recentemente o álbum "Almost Visible Orchestra", o músico David Santos, conhecido como Noiserv, relata-nos a sua mais significante experiência musical.
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Foto: Luis Sustelo
Foto: Luis Sustelo
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Por: David Santos (Noiserv)

Não me lembro se era um dia de chuva, mas bem que podia ter sido, ou talvez um sol de Verão também fizesse sentido. Tal como muitos outros dias, era um dia especial, era dia de ir ao Coliseu de Lisboa ver um concerto. Comigo iam três amigos, dois mais antigos e um acabado de fazer. Jantámos perto do Coliseu e, de bilhetes em punho, enfrentámos um senhor vestido de preto que ao ficar com parte integrante desse bilhete nos deixou entrar. Eram perto das cinco para as dez quando nos sentámos nos lugares marcados, o concerto que íamos ver ainda iria demorar: antes disso havia lugar para uma primeira parte. Vinte e três horas e as luzes apagam-se pela segunda vez. Ia finalmente começar. A partir deste momento, fico sem palavras para explicar o que aconteceu. 20 segundos depois de começar, já sentia que se acabasse naquele momento, já tinha sido dos melhores momentos da minha vida, mas a verdade é que não acabou, e este sentimento prolongou-se por mais de uma hora. No final, as luzes acendem de repente, e entre os 4000 presentes certamente muitos estariam a chorar, eu era um deles. Foi sem dúvida a coisa mais bonita que vi até hoje!

Estou a falar de um concerto dos islandeses Sigur Rós que aconteceu no dia 1 de Março de 2003, no Coliseu de Lisboa.

 

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