André Murraças e os Três Ursinhos

André Murraças apresenta-nos o seu mais recente projecto, a websérie "Barba Rija".

André Murraças já foi encenador, dramaturgo, cenógrafo, intérprete (podemos vê-lo no papel de Dr.Felgueiras em Morrer Como Um Homem, de João Pedro Rodrigues), trabalhou como redactor publicitário e como guionista para televisão. Recentemente, decidiu aventurar-se noutro tipo de plataforma, como argumentista e realizador de “Barba Rija“, a primeira websérie portuguesa sobre bears.  Falámos com ele e ficámos a saber tudo sobre os seus três “ursinhos”.

Como surgiu esta ideia de uma websérie sobre bears?

A escolha do universo bear reflecte um desejo e uma necessidade: para já, não ver o universo gay, e não ver o universo bear retratado em termos de ficção literária, no teatro e, mais especificamente, no audiovisual. Há imenso cinema sobre bears mas não há quase nada português e era isso que me estava a atraír. Atrai-me, culturalmente, ser um fenómeno que está a crescer cá, apesar de vir com 30 ou 40 anos de atraso, mas gosto muito desta nova imagem que de repente existe como alternativa a todas as imagens que estavam estereotipadas. Agora há outras imagens, há uma alternativa. Há outras maneiras de estarmos, de nos inserirmos, de amarmos, e é tudo isso que me agrada bastante. É por aí que estou a ir.

E por quê o formato websérie?

Estive muito tempo a escrever telenovela, escrevo regularmente para teatro e apetecia-me experimentar o formato de seriado. Ao mesmo tempo, comecei a prestar muita atenção às webséries, um formato muito na moda lá fora, porque gosto muito de séries com uma duração de 6, 7 minutos. Podes ver os episódios semanalmente, na internet, sem teres de descarregar e, a nível de criação, são muito mais livres. Podes fazer o que quiseres sem ter de passar pela política toda da programação televisiva e sem teres de ir a concurso. Só falta é dinheiro, mas é possível de fazer. Uma coisa foi levando à outra e a partir daí surgiu a ideia do Barba Rija.

O financiamento do episódio piloto também é uma inovação neste tipo de projecto. Queres falar-nos disso?

A série foi pensada para treze episódios e, na altura, o que se quis fazer para fugir a toda a burocracia era pagar a série através de funcionamento publicitário: bares, discotecas, marcas em geral. Conseguiu-se um bolo jeitoso, mas não chegava para pagar cobrir os três episódios. Por isso, demos este passo atrás e decidimos fazer só um piloto que não tem os três minutos que os outros terão, mas sim entre 20 a 30 minutos. É uma coisa composta, grande, onde vai aparecer toda a gente. Para isso, lancei a ideia do crowdfunding. Toda a gente pode entrar: marcas, amigos, fãs do projecto. Para quem não sabe, contribuis e ganhas o nome no genérico como produtor e depois, dependendo da contribuição, oferecemos visitas às filmagens, ou a possibilidade de entrar como figurante especial, um guião assinado, etc. Há toda uma experiência para as pessoas desde o momento em que conhecem a série, participam e depois vêem o resultado final. Também escolhemos a modalidade “tudo ou nada”. Se não conseguirmos chegar ao nosso objectivo, todo o dinheiro que angariarmos é devolvido às pessoas.

Falaste em dar um passo atrás para tomar a decisão de fazer só o piloto. Que obstáculos encontraste mais pelo caminho?

Acho que não houve grandes obstáculos. Este projecto tem quase dois anos e o grande obstáculo tem sido todo o tempo português de resposta, a demora, o difícil que é atender o telefone. Isso, para mim, foi o mais complicado de gerir. Mas aí entra a paciência e a persistência. Mas o projecto foi-se transformando e  adaptando ao que havia. Neste momento, com este formato, não posso dizer que haja um obstáculo, mas noto alguma estranheza, apesar de estar a ser bem sucedido, em relação ao conceito do crowdfunding. Não é uma coisa que exista muito cá. Por outro lado, as pessoas também não estão muito habituadas às webséries e perguntam-me por que não faço para televisão ou para cinema. É tudo uma questão de se “educar” o público.

Quem são as personagens do Barba Rija?

São três personagens, três ursinhos. Um é um rapaz que acabou com o namorado e começa a questionar se o pertencer a este universo bear tem alguma coisa a ver com isso ou não, depois há um outro que tem uma paixão secreta por um deles e, por fim, há um terceiro, que é o “Ursão”, o grande engatatão do trio mas é o que tem o coração mais doce deles os três. Por causa da actual situação, dividem uma casa os três, portanto, as histórias cruzam-se. No fundo, é uma comédia sobre a amizade e os amores destas três personagens.

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"António", "Pedro" e "Ursão"
“António”, “Pedro” e “Ursão”
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Quem são os actores?

O Alexandre Gregório, o Luís Mota e o Vitorino Demécio. Foi feito um casting e foram escolhidos os que me pareceram ter, para além do talento, alguma genuinidade. Eles sabem do que estão a falar, são pessoas que se movimentam neste meio e isso também me interessava que viesse na “embalagem” da representação. Para além disto, vamos ter participações especiais.

Com pessoas do universo bear?

Sim, e não só. Apesar de ser uma coisa focalizada no meio bear, a série é feita, não diria que para a família, mas para toda a gente. É uma série aberta e dirigida a toda a gente. Não é uma private joke nem uma coisa de guetos.

Fazia sentido uma coisa destas na televisão portuguesa?

Sim, claro! E estamos a trabalhar para que a seguir a coisa siga para aí.

Para aceder à página de crowdfunding do Barba Rija, basta clicar aqui

 

 

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