Destaques: London Fashion Week Menswear

A London Collections: Men – para quem não sabe, trata-se do nome oficial da semana de moda de Londres exclusivamente dedicada ao vestuário masculino – começou a sua quarta edição no passado dia 6 de Janeiro e terminou ontem, no dia 8. Os que estão menos familiarizados com o evento poderão pensar que este consiste numa sucessão de desfiles de designers especializados em looks aborrecidos de fato e gravata, mas, na realidade, a London Collections: Men tem vindo cada vez mais a tornar-se numa referência em termos de criatividade e excentricidade. Aliás, nesta semana de moda, se és designer, fazes uma colecção masculina com looks de rendas cor-de-rosa, usas elementos alusivos ao sadomasoquismo e pões uma dezena de rapazes adolescentes a desfilar com vestidos curtos e botas de cano alto até ao joelho, ninguém vai achar que as tuas ideias são “too much”.

Conheçam, em seguida, os principais destaques dos últimos três dias e inspirem-se para o próximo Outono/Inverno.

Astrid Andersen

Uma das coisas que mais me atrai nas colecções da Astrid Andersen (ela só faz menswear) é o facto de já termos visto algumas das suas peças a serem usadas tanto por homens como por mulheres (A$AP Rocky e Rihanna são apenas dois exemplos). Isso, convém acrescentar, só é possível porque as criações desta designer nascida na Dinamarca resultam de uma encantadora e contrastante mistura entre uma estética “ghetto-ish”, híper-masculina e associada ao hip-hop e ao desporto, e vários elementos convencionalmente femininos, como por exemplo rendas, tons pastel e peças justas, curtas e/ou decotadas. Em seguida, algumas imagens da mais recente colecção da Astrid Andersen, inspirada no filme Only God Forgives.

MAN

MAN é uma iniciativa conjunta entre a Topman e a Fashion East que se encontra inserida no calendário da semana de moda de Londres desde 2005 e que tem como principal objectivo a divulgação de novos talentos na área do design de moda. Para isso, em cada estação, alguns criadores são escolhidos por um júri especializado, para apresentarem as suas colecções num só desfile. Depois, para além disso, esses mesmos designers emergentes recebem apoios para o desenvolvimento das suas próprias marcas. No desfile da MAN que aconteceu no passado dia 6, dos designers escolhidos, aquele que mais se destacou foi Bobby Abley. A sua colecção, em preto, branco, cor-de-rosa claro e azul-escuro, evocou o universo Disney (viram-se chapéus com orelhas de Mickey e cornos da Malévola, por exemplo), sob uma inspiração muito obscura. Os modelos, como se pode ver imagens seguintes, desfilaram com um aspecto simultaneamente adorável e assustador.

Christopher Kane

Christopher Kane não realiza desfiles para as suas colecções masculinas, mas apresenta-as sempre sob a forma de lookbooks durante a semana de moda de Londres. Desta vez, o designer escocês inspirou-se em estruturas moleculares. O tema reflectiu-se numa série de estampados e texturas. Gostei particularmente das t-shirts, que são perfeitas para serem usadas numa discoteca, por um DJ… Talvez, o talentoso Totally Enormous Extinct Dinosaurs, que já foi visto a usar algumas peças de Kane. Em seguida, alguns looks da colecção.

J.W. Anderson

Quando no início deste artigo mencionei rapazes adolescentes a desfilarem com vestidos curtos e botas de cano alto até aos joelhos, referia-me à colecção de Outono/Inverno 2013 do J.W. Anderson, seguramente o designer mais irreverente e (neste momento) mais promissor a apresentar na semana de moda de Londres. Anteontem, Anderson, que no ano passado foi apontado como novo director criativo da espanhola Loewe, não foi tão longe, e não se viram rapazes de saias. No entanto, e como já se esperava, um infindável número de elementos femininos estiveram presentes na sua colecção para o próximo Outono/Inverno. Enfim, foi tudo maravilhoso e eu conheço várias raparigas e rapazes que adorariam usar os looks todos e – OMG! – aquilo são saltos altos?!

Katie Eary

Katie Eary, muito conhecida pelos seus estampados divertidos e vibrantes, mostrou-nos, ontem, uma colecção inspirada na cultura punk, um dos temas mais recorrentes na indústria da moda. Ainda assim, Eary não caiu no óbvio e conseguiu surpreender. Para além de agressivos estampados, sobretudo em tons de preto e vermelho, com alguns apontamentos em azul-turquesa, a designer conseguiu cativar-nos com humor e perversidade, misturando a estética hardcore do punk e do sadomasoquismo com imagética da Disney – A cabeça do Mickey, para além de ter sido vista em capacetes com cristas de cabelo colorido, apareceu em estampados, colares e elementos metálicos em arneses.

Burberry Prorsum

A Burberry Prorsum, neste momento, não é muito inspiradora e as suas colecções, frequentemente, referenciam criações de outras casas. Esta nova colecção, por exemplo, cheirou-me muito a Louis Vuitton por Kim Jones. Não foi mau. Eu acredito que a qualidade das peças é óptima e não me importava nada ter VÁRIAS no meu guarda-roupa, só que comparando com outros designers de Londres, o trabalho do Christopher Bailey aborrece-me. Contudo, e sobretudo devido à sua notoriedade dentro e fora da indústria, a Burberry Prorsum é um dos mais importantes nomes do calendário da semana de moda da capital britânica e, por isso, faz sentido que ela seja aqui destacada. Abaixo, alguns dos meus looks da colecção que foi apresentada ontem.

Fotografias: style.com / fuckingyoung.es

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