Singulares & Tropicais

Uma banda, uma data e um espaço singular. Mas são três desejos de uma vez!
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por Bruno Rosa e Mariana Afreixo

No mês passado, os Is Tropical encerraram, no Oval Space, em Londres, mais uma edição do Singular Music Festival, uma iniciativa da marca de jeanswear Pepe Jeans London, que em 2013 comemorou os seus 40 anos de existência.

Isto de juntar moda e música no mesmo evento é um conceito antigo e já muito usado, mas o Singular Music Festival é…sim, singular. Em vez de juntar todos os seus fãs, aliciados por nomes sonantes, num descampado ou numa sala de concertos, a Pepe Jeans London prefere a via menos mainstream: várias datas únicas, vários espaços “únicos” em diferentes países e, no palco, os talentos emergentes do panorama musical alternativo. O resultado é uma experiência única e imperdível. Ainda se lembram do mítico concerto de Twin Shadow no Clube Ferroviário, em Lisboa? Nós lembram-nos.

“Porque é que haveríamos de limitar a música a somente um dia e a somente um espaço?”, conta-nos o Head of PR & Communications Pepe Jeans London,  César Glaría, “desta forma, vivemos todo o ano a apreciar música e os fãs da marca têm datas diferentes para se juntar a nós. É essa a magia do festival: uma banda, uma data e um espaço singular.”.

Desde as suas origens em 1973, no mercado de Portobello, em Londres, que a Pepe Jeans tem uma estreita relação com a música: “É impossível compreender a Pepe Jeans sem música, a Pepe Jeans é música. Lembram-se daquele memorável anúncio para TV da Pepe Jeans, no início dos anos 80, sob o ritmo de “How soon is now” dos The Smith? Essa campanha é, ainda hoje, uma das campanhas de TV mais famosas da história!”, explica Glaría.

Quisemos também saber quando voltaríamos a ser palco de mais um Singular Festival. É que Twin Shadow já foi há algum tempo e deixou boas recordações: “Claro, porque não? O Singular Music Festival viaja 3 ou 4 quatro vezes por ano para as principais cidades do mundo. A edição do próximo ano ainda está por confirmar, mas Lisboa é sempre uma paragem perfeita! Os portugueses são muito apaixonados, amam música, adoram moda e nós adoramos pessoas assim!”. Vamos cobrar essas palavras, caro César…

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Falámos também com os Is Tropical, um trio electrónico britânico formado em 2009, com um gostinho especial para a provocação e para a teatralidade. 

Existe pouca informação sobre os Is Tropical quando procuramos na internet. Depois também se cercam de um pouco de mistério quando aparecem a usar máscaras. Podem dizer-nos tudo o que precisamos de saber sobre vocês?

Somos três rapazes dos arredores de Londres que tem vindo a fazer esta mistura estranha de música electrónica com um pouco de punk e uma pitada de pop desde 2009. Já estivemos em todos os cantos do mundo a tocar as nossas músicas, algo que era um dos nossos objectivos iniciais. Não tivemos noção o quão bem atingido este objectivo seria! Estávamos a fugir a um Inverno frio e sem dinheiro em Londres quando decidimos refugiar-nos em locais onde estava Verão a fazer alguns showcases totalmente experimentais. O que nós gostamos realmente é de salgadinhos, chorar a ver filmes nos aviões e de Wu Tang.

Nós ainda gostamos de um pouco de mistério e teatralidade quando estamos a actuar. O sentimento de ir para o palco com uma máscara na cara, no início, era muito emocionante. Inspirámo-nos em banda que gostamos como os The Residents ou os Daft Punk… e depois, bandas como os Goat ou os Wu Lyf também incorporaram essa “anonimidade” e essa mentalidade tribal/gang. Era, no fundo, sobre ser parte de algo em que nos pudéssemos separar totalmente do nosso corpo e, mesmo que só por uma hora, mergulhar nessa personagem. Hoje em dia, as pessoas já sabem quem somos, como somos, então tentamos atingir aquele sentimento através da party vibe que criamos nos nossos concertos. Também, agora podemos tocar durante mais tempo (porque também temos mais canções!) e os nossos concertos passaram a ter uma vida própria com as várias experiências e ajustes que fizémos ao longo dos anos para que as hipóteses de elevarmos o êxtase da multidão seja superior.

Como definem a vossa música?

Tentamos sempre evitar essa pergunta. Definir o que fazes a qualquer momento limita o que te move e o que te permite fazer diferente no futuro. Quando começámos, o nosso apelo foi mais para músicas dançáveis e agora, quase que como uma resposta do nosso subconsciente, acabámos a fazer um clássico pop/psicadélico pela segunda vez. Tentamos que a nossa audiência sinta algo, para que as multidões que temos e as pessoas para quem tocamos moldem também como somos em tour. Soamos como o que quer que nos esteja a influenciar de momento. Também tentamos manter-nos fiéis ao que sentimos quando escrevemos as nossas canções – tentamos emular canções clássicas dos anos 70 ou dos anos 60 de que sempre gostámos, assim como os grandes êxitos de rádio de países em que estivémos – e sim, tantamos sempre manter um pouco do estranho que nos define… um pouco de honestidade aqui!

Há uma certa ironia, um senso de humor e pessoas a “divertirem-se imenso” (vocês sabem do que estamos a falar) nas vossas canções e nos vossos vídeos. De onde vem essa inspiração?

Temos tido bastante sorte em ter a hipótese de trabalhar com estes super talentosos directores no passado: Pablo & Josh, Gareth Phillips, Tom Beard, MEGAFORCE, Richard Kern, Johnathan Leder. Eles todos argumentam o que fizeram pelos Is Tropical em algum momento do passado e nós agradecemos-lhes por isso. Trabalhar com um grande director é brutal e uma vez que nos habituámos a partilhar este lado do nosso trabalho como uma banda em início de carreira, sempre sentimos esta partilha como uma colaboração e isso tornou-se o fundamento de um importante elo na cadeia daquilo que nor tornámos e no que continuamos a fazer.

Musicalmente, somos inspirados por uma data de coisas diferentes. Existem imensos interesses em comum entre todos nós, como a arte marginal, videos de surf/skateboard, livros, os filmes do Jim Jarmusch, hip-hop e punk old-school e música metal de quando eras crianças. Muitas das nossas letras são inspiradas pela história, pela mitologia, lendas locais que ouvimos falar nas nossas viagens. Há peculiaridades em tudo. Quanto ao lado visual, estivemos sempre rodeados de pessoas inspiradoras e por isso, a estética foi sempre algo muito importante para nós. Produzir fotografias de imprensa, trabalhar as imagens de conceito, desenhar as peças de merchandising, tudo isto, são coisas que trabalhamos juntos, que consideramos todos juntos.

Ficaram com vontade de os ouvir?