Os 10 Melhores Figurinos de sempre no Cinema

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Há quem diga que o hábito não faz o monge, e talvez não faça o filme, mas ajuda muito. O que seria de “O Diabo Veste Prada” sem o styling inconfundível de Patricia Field? E se os sapatinhos de rubi da Dorothy fossem, afinal, umas socas vermelhas de borracha? A Janela Urbana escolheu os 10 filmes que mais nos marcaram pelos seus guarda-roupa e fez uma lista, porque, como sabem, agora fazemos sempre listas com 10 tópicos.

1. “Eva” (1950)

Edith Head foi a maior figurinista de Hollywood. Foi nomeada 35 vezes para os Óscares, mais do que qualquer outra pessoa na História do Cinema, e dessas 35 nomeações levou 8 estatuetas para casa. O “dedinho” de Edith Head está em grandes clássicos como “Crepúsculo dos Deuses” (Sunset Boulevard), “Janela Indiscreta” e “A Mulher Que Viveu Duas Vezes” (Vertigo). “Sabrina” (1954), de Billy Wilder, com Audrey Hepburn e Humphrey Bogart foi um dos filmes que lhe valeram um Óscar, apesar de o guarda-roupa da protagonista ter sido desenhado por Hubert de Givenchy, por isso optamos pelo também oscarizado Eva (“All About Eve”), de Joseph L. Mankiewicz, com Bette Davis a personificar o glamour “old Hollywood” e uma aparição de Marilyn Monroe em princípio de carreira.

Peça icónica: O vestido de cocktail de Margo Channings.

2. “A História de um Fotógrafo” (1966)

Um dos filmes-referência da cultura “mod”, “A História de um Fotógrafo” (ou “Blow Up“, no título original), de Michelangelo Antonioni, é um verdadeiro banquete para os olhos dos apreciadores de Moda. O filme conta com as participações da top model Veruschka e da eterna fashion icon Jane Birkin, mas são os figurinos desenhados por Jocelyn Rickards que roubam a cena. Os looks criados para este filme reflectem as tendências londrinas, numa época em que a capital britânica era considerada o epicentro da Moda.

Peça icónica: Qualquer um dos vestidos das sessões fotográficas.

3. “Bela de Dia” (1967)

Foi com este filme de Luis Buñuel que Catherine Deneuve se tornou numa das musas de Yves Saint Laurent e é fácil perceber porquê. O designer francês é o autor de muitas das peças usadas pela protagonista, Séverine, uma senhora casada que, apesar de amar o seu marido, só encontra satisfação sexual ao trabalhar como prostituta. O guarda-roupa traduz perfeitamente a complexidade da personagem: coordenados extremamente sofisticados e elegantes, mas quase inocentes, denunciando uma sexualidade reprimida, mas sem deixar de ser sensual. Confusos? Só vendo o filme.

Peça icónica: os sapatos de fivela Roger Vivier.

4. “Drácula de Bram Stroker” (1992)

Eiko Ishioka ficou conhecida pelos figurinos que fez para “A Cela”, “Os Imortais” e “Drácula”, mas foi o último que lhe valeu o reconhecimento da Academia. Para “Drácula”, Francis Ford Coppola decidiu investir grande parte do orçamento nos guarda-roupa e simplificar nos cenários. O resultado são figurinos-quase-actores, com vida própria, carregados de simbologia, como o vestido de serpentes da sedutora Lucy, ou o vestido de noiva que a torna numa espécie de réptil, o fato de Renfield que lhe dá uma aparência de insecto, e a “armadura de músculos” de um Dracula em metamorfose constante.

Peça icónica: o vestido de noiva de Lucy.

5. “Blade Runner: Perigo Iminente” (1982)

O futuro a piscar o olho ao passado. Ficção científica meets film noir. Com design de Michael Kaplan, reconhecido pela British Academy of Film and Television Arts, o guarda roupa do clássico “Blade Runner” vai buscar inspiração aos filmes dos anos 40. Os fatos retro de Rachel com uma silhueta de ampulheta, estruturados e perfeitamente arquitectónicos, com tecidos de diferentes cores a criar um padrão, não deixam por um momento que a deixemos de ver como uma heroína futurista. E a gabardine de Deckard? Podem agradecer ao Humphrey Bogart pela inspiração.

Peça icónica: o casaco de peles de Rachel. Bem, não é de pele, é uma “réplica”.

6. “Marie Antoinette” (2006)

Queremos falar do guarda-roupa em geral, ou dos sapatos em específico? É que Manolo Blahnik criou centenas de sapatos para o filme de Sofia Coppola. Depois, há aquele famoso frame onde vemos uns All Star azuis no closet de Marie Antoinette. Não foi ninguém que os deixou lá por esquecimento, mas foi uma maneira de representar o estatuto de adolescente da famigerada rainha. O filme pode ter desiludido alguns críticos, mas no que toca ao guarda-roupa todos estão de acordo que o Óscar de Melhor Guarda-Roupa atribuído a Milena Canonero foi merecido. Na verdade, Canonero foi nomeada 8 vezes para os Óscares e já levou 3 para casa: “Barry London” (1975), “Momentos de Glória” (1981) e “Marie Antoinette” (2006). Também foi responsável pelo design de guarda-roupa de “Laranja Mecânica”, “África Minha” e “Dick Tracy”.

Peça icónica: os All Star!

7. “O Feiticeiro de Oz” (1939)

Vamos pela estrada de tijolo amarelo e encontramos mais uma peça-chave no backstage da indústria do cinema americano: Adrian. Foi ele o feiticeiro dos figurinos de mais de 250 filmes, incluindo “Anna Karenina” (1935) e “”Marie Antoinette (1938), mas o seu verdadeiro claim to fame foi ter desenhado todo o guarda-roupa de “O Feiticeiro de Oz”, incluindo os famosos sapatinhos de rubi que trouxeram a Dorothy de volta ao Kansas e os fatos dos seus companheiros de aventuras. Apesar de ser um dos filmes com o guarda-roupa mais reconhecido de sempre, Adrian nunca recebeu um Óscar ou uma nomeação.

Peça icónica: os sapatinhos de rubi, claro!

8. “Saltos Altos” (1991)

Falar de figurinos sem falar de Pedro Almodóvar não faria muito sentido. Basta alguém dizer “Almodóvar” e o nosso cérebro é imediatamente invadido por personagens espalhafatosas com roupas coloridas. A componente visual nos filmes do realizador espanhol tem tanta importância como a verbal, e Almodóvar não deixa nada ao acaso, por isso tem trabalhado com criadores como Jean Paul Gautier, Marc Jacobs, Miuccia Prada e Dolce & Gabbana. Em “Saltos Altos”, colaborou com Karl Lagerfeld e Giorgio Armani.

Peça icónica:  Tailleur cor-de-rosa Chanel

9. “Um Homem Singular” (2009)

Quando Tom Ford se estreou no Cinema, seria de esperar que o guarda-roupa tivesse um papel muito importante na narrativa e que o próprio realizador se encarregasse dele. Para surpresa de todos, o designer convidou Arianne Phillips, responsável pelos figurinos da Sticky & Sweet Tour, Confessions Tour e do filme W.E. de Madonna, e nomeada para um Óscar pelo guarda-roupa de “Walk The Line”, em 2005. No entanto, Arianne Phillips trabalhou com o realizador o guarda-roupa de “George”, a personagem interpretada por Colin Firth, e os fatos foram feitos na fábrica da Tom Ford International, em Itália.

Peça icónica: o vestido de franjas de Charley e o fato de George, claro.

10. “Cleopatra” (1963)

Desenhar o guarda-roupa para um épico como “Cleopatra”, de Joseph L. Mankiewicz, deve ser uma dor de cabeça. Não é por ser um épico. É por ser um épico sobre a mítica Rainha do Egipto, protagonizado por Elizabeth Taylor. Foi o filme com o maior orçamento de sempre para o guarda-roupa de um só actor, até porque incluía uma capa de ouro de vinte e quatro quilates e 65 mudanças de roupa para a protagonista. A equipa de guarda-roupa era constituída por vários designers, liderados por Irene Sharaff, Vittorino Nino Novarese e Renié, cujo trabalho foi reconhecido com um Óscar. O filme acabou por definir as tendências da época, lançando a moda dos penteados geométricos, dos anéis em forma de cobra, dos vestidos maxi e dos “olhos de Cleopatra” na maquilhagem.

Peça icónica: boa pergunta.

Se ficaram inspirados e com vontade de fazer filmes, participem no nosso Passatempo Janela Urbana Fashion Video!