Editor’s Choice: The Timers
Imagens: ModaLisboa/Rui Vasco, (em cima) Tomás Monteiro

A 45ª edição da ModaLisboa terminou no domingo e, entre o Pátio da Galé e os Paços do Concelho, foram apresentadas as mais de 20 colecções de criadores nacionais e internacionais. Aqui ficam as nossas escolhas do que achámos mais interessante para a próxima estação.

Catarina Oliveira tem tido um percurso bastante interessante e consistente na ModaLisboa. A colecção que nos apresentou para a próxima Primavera/Verão foi só mais uma prova da sua maturação e crescimento a nível de menswear no panorama nacional. Savage Mind focou-se na repressão humana sobre os instintos básicos. Os tecidos leves, as transparências e os próprios cortes das peças referem-se a uma liberdade sobre os limites da consciência. De destacar os estampados, desenvolvidos pela artista Ana Lira, que foram o ponto forte da colecção. As colaborações com a marca de sapatos Freakloset e os óculos da Cuscuz terminaram um look perfeito para o desfile da criadora.

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Miguel Vieira apresentou uma das colecções mais coesas e bem pensadas do certame. Com inspiração na arte abstracta e na obra de Mondrian, a colecção ganha contornos gráficos e minimalistas com os padrões e tecidos entrançados manualmente. A paleta de cores foi restringida ao preto, branco e  azul cobalto e misturou looks mais descontraídos, com pormenores desportivos, que contrabalançaram com looks mais clássicos e minimais.

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Alexandra Moura apresentou-nos uma colecção inspirada no Milagre da Rosas, uma história muito portuguesa mas onde a criadora deu um twist com um look mais japonês. A nível de pormenores, os laços e as pétalas recortadas foram os principais, as cores candy – como o rosa pálido e o azul claro – misturam-se com vermelho vivo e preto criando, ao mesmo tempo, uma sensação de amor e força. O look foi finalizado com  sapatos em parceria com a Goldmud que, mais uma vez, remataram muito bem o conceito da designer.

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Nuno Gama levou-nos a uma viagem pelos descobrimentos portugueses. Passando o cabo das tormentas, estivemos em África, na Índia e por fim na Ásia. Um desfile como só ele consegue fazer. Falando da colecção, o ponto principal foi o casaco e a alfaiataria. As referências dos quatro cantos do mundo estão presentes na colecção tal como uma paleta de cores bastante diversa que começou no preto. Os sapatos ficaram a cargo da colaboração de Eureka x Nuno Gama e finalizaram perfeitamente o look dandy que o criador propôs para a estação quente.

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Aleksandar Protic foi uma lufada de ar fresco quase no fim da ModaLisboa! A inspiração foram deusas e as sobreposições, os slipdresses e o branco remetem-nos para esse tema. As referências do criador estavam todas presentes, os drapeados, os jogos de comprimentos e o espírito japonês. A paleta, para além de branco, contou com preto, pérola e oliva. Os botins abertos da Aldo, que patrocinou o desfile, terminaram os looks propostos pelo criado para a próxima estação.

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Dino Alves apresentou o maior espectáculo desta edição da ModaLisboa. Mudou a passerelle para o Teatro São Luis e – depois de fazer a assistência esperar quase uma hora para o ínicio do desfile – apresentou uma das melhores e mais coesas colecções que tenho memória de ver do criador. O tema foi o processo diário de criação de uma colecção, a inspiração veio das folhas amachucadas com ideias esquecidas ou ideias e riscos que nunca saem do papel ou servem de base para uma ideia final. Os pormenores vão das assimetrias e volumes irregulares, o efeito enrugado e os franzidos, até a aplicação de peças feitas em impressão 3D. A paleta de cores centrou-se no preto, branco, vermelho, verde seco, nude e rosa pálido. Para finalizar os looks as sandálias fantásticas da Nobrand X Dino Alves.

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